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Por que a Lua é assimétrica? Nova pesquisa responde

A Lua é assimétrica; ela não é igual dos dois lados. Considerando o acaso, os dois lados deveriam ser relativamente parecidos, no entanto.

A região lunar denominada Procellarum KREEP Terrane. (Créditos da imagem: NASA).

A Lua é assimétrica. Ela não é igual dos dois lados. Considerando a atuação do universo para moldá-la, entretanto, deveria ser mais ou menos igual, pelo acaso. Os dois lados opostos são significativamente diferentes.

Uma nova proposta de pesquisadores diz que essa assimetria da Lua ocorre por razões de uma distribuição desproporcional de material radioativo pela superfície e crosta do corpo. O lado da Lua virado para a Terra é mais manchado e com menos crateras. O lado oculto, por sua vez, possui menos manchas escuras e muito mais crateras – é algo realmente perceptível.

Isso não faz muito sentido porque a Lua é bastante inativa – e os detritos espaciais deveriam cair com uma frequência parecida por toda a Lua. Ademais, a falta de erosão faz com que ela acumule crateras de bilhões de anos.

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Já possuíamos uma certa certeza que a menor quantidade de crateras do lado visível ocorria porque o basalto tapava essas crateras. Entretanto, isso era efeito colateral da maior atividade vulcânica deste lado – mas o porquê era a questão.

No lado visível da Lua, há uma região que é chamada pelos cientistas de Procellarum KREEP Terrane. O KREEP é um acrônimo para alguns elementos da tabela periódica.

O K é o símbolo do potássio na tabela, o REEP são os Metais das terras raras, formados pelos 15  lantanídeos e mais dois elementos – escândio e ítrio. O P é o símbolo de fósforo.

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Isso quer dizer que essa região lunar, Procellarum KREEP Terrane, é abundante nesses dezenove elementos representados pelo acrônimo – outro ponto bastante intrigante.

A Lua. (Créditos da imagem: Pixabay)

Nessa região, se você utilizar uma câmera infravermelha, também notará um calor superior ao restante da superfície lunar. Isso ocorre pela concentração de urânio e tório. O decaimento radioativo desses elementos gera esse calor.

O que os cientistas fizeram?

Os pesquisadores simularam as rochas do local em laboratório. Com uma mistura sintética, eles simularam rochas com o elementos KREEP em cinco concentrações diferentes: 5, 10, 15, 25 e 50%.

Após isso, todas essas rochas foram expostas à uma temperatura entre 1.175 e 1.300 graus Celsius durante um período entre oito e quatro dias. Também havia um grupo controle sem KREEP.

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A intenção do experimento era analisar como esses elementos atuavam na mudança do ponto de fusão da rocha lunar. O resultado foi que o ponto de fusão da rocha com KREEP diminuía consideravelmente esse ponto de fusão.

Considerando o auxílio do aquecimento derivado do decaimento radioativo do urânio, tório e potássio, essa fusão – ou seja, a transformação da rocha em magma – é ainda mais facilitada.

Isso explica a maior atividade vulcânica do lado da lua que é voltado para a Terra. A atividade vulcânica, por sua vez, explica as manchas escuras e as crateras tapadas.

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 Já se sabe porque a Lua é assimétrica. O que não se sabe ainda, no entanto, é o motivo pelo qual houve esse maior acúmulo dos elementos desse lado lunar. Provavelmente é algo relacionado com o período de formação da Lua.

O estudo foi publicado no periódico Nature Geoscience.

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.


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