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Plantas & Animais

Os tentáculos dos polvos têm cérebros próprios – e vontade própria

Os polvos têm habilidades excelentes de camuflagem, três corações, bicos venenosos e, além do mais, tentáculos com vontade própria. (Image by edmondlafoto from Pixabay)

Os polvos existem nesse planeta há mais de 200 milhões de anos. Todo esse tempo de evolução permitiu que esses cefalópodes criassem atributos incríveis. Nesse sentido, esses animais podem mudar de cor muito rápido e entrar em lugares muito menores que os seus corpos. Contudo, uma característica que chamou a atenção dos cientistas é que os tentáculos dos polvos possuem um sistema nervoso próprio.

(Imagem de cocoparisienne por Pixabay)

Basicamente, é como se cada tentáculo possuísse um mini cérebro. Acontece que esses moluscos têm mais de 500 milhões de neurônios no corpo. Lembrando: os neurônios são células nervosas que transmitem sinais elétricos do cérebro para o corpo e vice-versa. Todavia, mais de dois terços dos neurônios dos polvos estão espalhados pelo corpo, principalmente nos tentáculos.

Esses animais também têm outras características bizarras, como três corações e um bico. Ademais, esses bichos são muito inteligentes se comparados aos demais moluscos. Inclusive, alguns cientistas afirmam que os polvos são tão inteligentes quanto os cães.

Anatomia do corpo de dos tentáculos dos polvos

Sendo moluscos, os polvos não têm esqueleto. Esse é um dos motivos pelos quais esse animal consegue se espremer por lugares muito apertados. Diferente dos primos caramujos e náutilos, os polvos não possuem conchas. Contudo, muitas vezes um polvo esperto pode se apropriar de uma concha abandonada para se proteger.

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Além disso, os polvos possuem uma habilidade ótima para a sobrevivência: a camuflagem. No entanto, a camuflagem dos polvos é diferente de qualquer outro animal. Um camaleão, por exemplo, leva alguns segundos para mudar completamente de cor. Os polvos, por outro lado, podem fazer isso instantaneamente, bem como simular texturas.

Esse mecanismo de camuflagem ainda não é bem entendido, entretanto. Isso porque os polvos não conseguem diferenciar cores, apenas luz. A hipótese mais plausível até o momento é que o animal possua proteínas sensíveis à luz. Assim, essas proteínas indicam ao bicho a cor do ambiente à volta. Após isso, células especializadas chamadas de cromatóforos liberam pigmentos na pele do bicho.

Além de tudo isso, os polvos ainda têm três corações. Algumas espécies, como o polvo-gigante-do-Pacífico, ainda podem injetar veneno nas presas.

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Todavia, os tentáculos dos polvos são especialmente estranhos. Estudos indicam que essas partes do corpo possuem gânglios independentes do cérebro. Um gânglio, veja bem, é um conjuntos de neurônios, algo como um pequeno cérebro. Assim, o animal pode se movimentar e encontrar alimento com os tentáculos sem que o sistema nervoso central dê o comando.

A inteligência desses cefalópodes

Cientistas ainda não entendem bem como a inteligência dos polvos evoluiu e nem como ela funciona. Acontece que os animais que são mais inteligentes geralmente têm vidas mais longas e vivem em comunidades. Os polvos são o oposto disso. Esses animais possuem ciclos de vida de apenas alguns anos, no máximo cinco. Além do mais, eles são animais solitários e a maioria das espécies morre logo após acasalar.

(Image by sandrine RONGÈRE from Pixabay)

No entanto, mesmo em um período curto de vida, esses animais aprendem estratégias muito complexas de sobrevivências. Há registros de polvos usando ferramentas e mesmo bloqueando a entrada de suas tocas. Algumas evidências indicam, aliás, que esses animais podem até sonhar.

Como dito antes, pouco se sabe ainda sobre a inteligência dos polvos. Fato é que esses moluscos camuflados ainda precisam ser muito estudados e, aliás, preservados.

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O artigo científico foi disponibilizado na Astrobiology Science Conference.

Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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