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O neurocientista que descobriu que era um psicopata

O cérebro do neurocientista James Fallon mostra atividade significativamente diminuída em áreas do lobo frontal ligadas à empatia e padrões morais-anatômicos que têm sido ligados ao comportamento psicopático. (Imagem via James Fallon)

Em 2005, James Fallon estava olhando para exames cerebrais de assassinos em série, examinando milhares de scans para encontrar padrões anatômicos no cérebro que se correlacionavam com tendências psicopáticas no mundo real.

“Eu estava olhando para muitas varreduras, varreduras de assassinos misturados com esquizofrênicos, depressivos e outros, cérebros normais”, disse ele.

Contudo, enquanto estudava as varreduras cerebrais à procura de padrões que se relacionavam com o comportamento psicopático, James Fallon descobriu que o seu próprio cérebro se encaixava nos padrões de comportamento da psicopatia.

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Muitos de nós esconderiam esta descoberta e nunca contariam a ninguém, por medo ou vergonha de ser rotulado de psicopata. Mas Fallon tem ido na direção oposta, contando ao mundo sobre sua descoberta em um TED Talk, uma entrevista na NPR e em um livro, The Psychopath Inside. Nele, Fallon procura reconciliar como ele – um homem de família feliz e casado – pode demonstrar os mesmos padrões anatômicos que marcaram as mentes dos assassinos em série.

“Eu nunca matei ninguém, nem estuprei ninguém”, diz ele. “Então a primeira coisa que eu pensei foi que talvez minha hipótese estivesse errada, e que essas áreas cerebrais não são reflexo de psicopatia ou comportamento assassino.

Mas quando ele passou por uma série de testes genéticos, recebeu mais más notícias. “Eu tinha todos essas tendências de alto risco para agressão, violência e baixa empatia”, diz ele, como uma variante do gene MAO-A que tem sido ligado ao comportamento agressivo.

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Eventualmente, com base em mais pesquisas neurológicas e comportamentais sobre psicopatia, ele decidiu que era realmente um psicopata – apenas um tipo relativamente bom, o que ele e outros chamam de “psicopata pró-social”, alguém que tem dificuldade em sentir verdadeira empatia pelos outros, mas ainda mantém seu comportamento aproximadamente dentro dos limites socialmente aceitáveis.

Não foi inteiramente um choque para Fallon, pois ele sempre soube que era alguém especialmente motivado pelo poder e manipulava os outros, diz ele. Além disso, sua linhagem familiar incluía sete supostos assassinos, incluindo Lizzie Borden, infamemente acusada de matar seu pai e madrasta em 1892.

Mas o fato de que uma pessoa com os genes e cérebro de um psicopata poderia acabar um cientista não-violento, estável e bem sucedido fez Fallon reconsiderar a ambiguidade do termo. A psicopatia, afinal de contas, não aparece como um diagnóstico formal do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, em parte porque engloba uma vasta gama de sintomas. Nem todos os psicopatas matam; alguns, como Fallon, exibem outros tipos de comportamento psicopático.

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Entre muitos outros fatores, Fallon nunca teve nenhum grande trauma para se tornar um assassino ou uma pessoa má. “Eu era amado, e isso me protegeu”, disse ele.

FONTE / Smithsonian

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Redação
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A SoCientífica, abreviação para Sociedade Científica, nasceu em agosto de 2014 da vontade de decifrar as novidades no mundo científico e transmiti-las para uma sociedade que depende da ciência e tecnologia mas que sabe muito pouco sobre elas. Em um momento em que a desconfiança está se sobressaindo e novas ondas negacionistas de evidências surgem, a SoCientífica está empenhada em ajudar a trazer iluminação para a sociedade novamente.

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