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O efeito placebo e seu poder

o efeito placebo e seu poder
É possível tratar a si mesmo com placebo. (Imagem: Pexels)

A mente é uma ferramenta de cura poderosa. Por isso, a ideia do seu cérebro convencer o seu corpo de que um tratamento falso é real – o efeito placebo – estimula a cura há milênios.

Agora, a ciência descobriu que o placebo pode ser tão eficaz quanto os tratamentos realmente tradicionais. O professor Ted Kaptchuk, do Beth Israel Deaconess Medical Center, afiliado a Harvard, relata o efeito placebo como mais que o pensamento positivo.

“É sobre a criação de uma conexão mais forte entre o cérebro e o corpo e como eles funcionam juntos”, diz ele.

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Certamente, o placebo não diminui o tumor ou reduz o colesterol. Mas atua sobre os sintomas modulados pelo cérebro, como a sensação de dor. Então, os placebos te fazem se sentir melhor. Dessa forma, eles se mostraram eficazes para condições como controle da dor, insônia referente ao estresse e os efeitos colaterais de um tratamento de câncer, como fadiga e náusea.

O significado do placebo

Durante anos, o efeito placebo foi usado em ensaios clínicos como teste de eficácia dos tratamentos. A maior frequência do uso é no estudo de drogas.

Por exemplo, algumas pessoas recebem o medicamento falso (placebo), mas acham que é real. Os pesquisadores comparam quem recebeu esse placebo e o medicamento real para testar a sua eficácia. Se ambos tiverem a mesma reação, considera-se que o medicamento não funciona.

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Mas, recentemente, os especialistas concluíram que reagir ao placebo não pode ser uma prova de que determinado tratamento deva ser descartado. Isso porque outro mecanismo não farmacológico tem a probabilidade de estar presente.

cérebro
Imagem: Pexels

O funcionamento do efeito placebo ainda não é bem compreendido, porque envolve uma reação neurobiológica complexa. Inclui o aumento nos neurotransmissores da sensação de bem-estar, como endorfinas e dopamina. Até uma atividade maior em certas regiões do cérebro ligadas ao humor, emoção e autoconsciência.

Então, o benefício terapêutico vem pela forma de seu cérebro se comunicar com o corpo e emitir o que ele precisa para se sentir bem, diz Kaptchuk.

Mas o placebo precisa de todo um ritual relacionado ao tratamento. Você vai a uma clínica ser examinado por médicos, recebe pílulas e passa por diversos procedimentos. Tudo isso tem impacto na forma como o corpo reage aos sintomas, porque sente a atenção e os cuidados.

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A questão é: o placebo só funciona se você não souber que é um placebo. Logo, o estudo liderado por Kaptchuk e publicado no Science Translational Medicine testou as pessoas informadas sobre o placebo ao tomá-lo.

Teste realizado

Para dor de enxaqueca, um grupo tomou um placebo para enxaqueca rotulado com o nome do remédio, outro tomou o placebo rotulado de “placebo” mesmo e o terceiro grupo não tomou nada.

Com isso, os pesquisadores descobriram que o placebo foi 50% tão eficiente quanto a droga de verdade para a redução da dor depois de uma crise de enxaqueca.

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É possível que a força para esse resultado tenha sido o simples ato de tomar a pílula. As pessoas associam o ritual de tomar remédio como um efeito curativo positivo, disse Kaptchuk.

Amanda dos Santos
Publicado por

Trabalha como redatora e produtora de conteúdo. Graduada em Comunicação Social e atua como colaboradora na SoCientífica.


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