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NASA acaba de recolher amostras do asteroide Bennu

Décadas de preparação para um evento de dez segundos.

(NASA)

Décadas de preparação para um evento de dez segundos. No dia 20 de outubro, a NASA recolheu amostras do asteroide Bennu, e as trará para a Terra para análises laboratoriais. Bennu nos mostrará um pouco sobre o passado do sistema solar e a formação da vida, já que seu material é consideravelmente puro, e ele carrega muitas assinaturas dos primórdios do sistema solar. 

Embora não seja um feito inédito, trata-se, ainda, de uma novidade. A sonda Hayabusa 2, do Japão, já recolheu amostras do asteroide 162173 Ryugu há alguns anos, e em dezembro de 2020 deve retornar à Terra. Então, a NASA não foi a primeira a tentar o feito.

OSIRIS-REx, a espaçonave que coletará as amostras do asteroide Bennu, já o orbita há dois anos. A ideia é coletar dados para o pouso, além de muito dado científico, que já apresenta resultados em diversos estudos. Em 2021 a sonda decolará e chegará à Terra somente em 2023.

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“Embora os planetas e luas tenham mudado ao longo dos milênios, muitos desses pequenos corpos de gelo, rocha e metal não mudaram”, disse Lori Glaze, chefe da Divisão de Ciência Planetária da NASA em uma coletiva de imprensa, conforme o Space.com. “Portanto, os asteróides são como cápsulas do tempo flutuando no espaço que podem fornecer um registro fóssil do nascimento de nosso sistema solar”.

Coleta de amostras

“A espaçonave OSIRIS-REx fará sua primeira tentativa TAG de coletar pelo menos 2 onças [56,7 gramas] de regolito do asteroide Bennu”, diz Roger Harris em um comunicado. “Uma vez que o Bennu está tão longe, os operadores em solo irão emitir instruções para o software, e então ele se aproximará autonomamente do Bennu e estenderá seu braço robótico, chamado de Mecanismo de Aquisição de Amostra Touch-And-Go (TAGSAM)”.

Fotos da superfície de Bennu. (NASA/Goddard/University of Arizona).

Entre os materiais coletados, destacam-se os aminoácidos e diversas outras moléculas de carbono. O carbono é essencial para a vida – ou pelo menos da vida da forma como conhecemos. Portanto, estudá-lo é de suma importância. Vale lembrar que eles não procuram por vida, até porque é extremamente improvável sua ocorrência por ali. Na verdade, eles procuram pelos ingredientes da vida que a Terra carregava há 4,5 bilhões de anos.

Bennu é, em suma, uma pilha de entulho. O corpo que lhe deu origem se formou, provavelmente, nos primeiros 10 milhões da existência do sistema solar. Alguns bilhões de anos, no entanto, algo se chocou com esse corpo e o fragmentou. As rochas formaram Bennu, que ainda se desfragmenta por aí, liberando seus frágeis pedaços.

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“Existem tantos desses pequenos corpos por aí”, diz Glaze. “Olhar para a diversidade desses diferentes tipos de objetos pode realmente ajudar a montar esse quebra-cabeça”.

Próximas missões

Nos próximos anos, a NASA lançará outras importantes missões semelhantes. Em 2021, lançará a Lucy, que visitará um asteroide no cinturão entre Marte  e Júpiter. Lucy também analisará os Trojans – aglomerados de rochas espaciais próximos a Júpiter bastante desconhecidos pelos cientistas e muito exóticos, se comparados aos outros grupos de asteroides.

Em 2022, então, é a vez de Psyche. A missão visitará um asteroide que leva seu nome. Geralmente os asteroides são constituídos principalmente por rocha e gelo. Mas Psyche é composto principalmente por metais. Acredita-se que ele fora, certa vez, o núcleo de um planeta existente nos primórdios do sistema solar, destruído durante a violenta e conturbada juventude do sistema.

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“Costumávamos acreditar que os planetas se formaram na região que agora os vemos. Realmente, o que aconteceu é que é como se alguém pegasse o sistema solar e o sacudisse com força”, disse Hal Levison, investigador principal da missão Lucy. “Então, esses objetos que sobraram se moveram muito e testemunharam muito”.

Com informações de Space.com e Astronomy.

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.

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