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Saúde & Bem-Estar

Pesquisadores encontram microplásticos em placentas humanas

Pesquisadores identificaram pela primeira vez a presença de microplásticos na placenta de mulheres grávidas. (Imagem de Manfred Richter por Pixabay)

Os plásticos são polímeros, ou seja, cadeias de muitas moléculas em seguida que formam o material como um todo. Esses polímeros são hoje usados em embalagens de todos os tipos de produtos e mesmo em tecnologias de ponta, como a impressão 3D. Só no último século, a humanidade produziu mais de 320 milhões de toneladas de plástico. Contudo, sendo polímeros, os plásticos podem se quebrar em pedaços cada vez menores, dando origem a um dos maiores poluentes modernos: os microplásticos. Uma partícula é um microplástico quando tem menos de 5mm e tem origem de um plástico maior. Nesse sentido, pesquisadores encontraram a primeira evidência de microplásticos em placentas humanas.

(Imagem de Dan Evans por Pixabay)

Os pesquisadores coletaram amostras das placentas de seis mulheres voluntárias e encontraram 12 partículas de microplásticos nas amostras de 4 das 6 placentas. Para encontrar os fragmentos os médicos utilizaram colorações que se prendem às partículas de plástico. Após isso as amostras passaram por um tipo de espectroscópio – um equipamento que detecta e diferencia diferentes ondas de luz refletidas. Das 12 partículas encontradas, duas eram menores que 5mm e as demais, menores que 10mm. Essas últimas, apesar de não estarem na classificação de microplásticos, podem causar efeitos semelhantes.

Apenas 12 fragmentos podem parecer pouco, à primeira vista. Contudo, vale lembrar que os pesquisadores analisaram apenas em torno de 4% de cada uma das placentas. Isso sugere que podem haver muito mais dessas partículas no resto do órgão. Os plásticos menores que 5mm são especialmente preocupantes pois podem penetrar na corrente sanguínea e se espalhar por todo o corpo.

Como o plástico pode ir parar na placenta

Todos os anos milhares de toneladas de plástico acabam nos rios e oceanos. Uma vez na água, esse material passa por dezenas de processos de abrasão. A luz do sol, ondas, areia – tudo isso contribui para a quebra do plástico em pedaços cada vez menores. Esses pedaços microscópicos, então, passam pelos filtros dos sistemas de abastecimento de água e podem chegar à água que usamos nos dia-a-dia. Além do mais, animais filtradores, como moluscos, acabam ingerindo quantidades altas de microplásticos. Dessa maneira os plásticos chegam ao pescado e acabam diretamente nas mesas de milhões de pessoas.

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(Imagem de efes por Pixabay)

Inúmeros estudos mostram, ademais, como os microplásticos infestam os leitos oceânicos e fluviais em quantidades enormes. Os solos também não escapam da poluição. A abrasão pode também criar plásticos microscópicos na terra que, mais tarde, são levados aos rios pela chuva. A partir daí, portanto, o caminho é o mesmo até chegar no abastecimento de água.

Após se formarem e chegarem à nossa alimentação, os microplásticos podem ficar acumulados no intestino ou mesmo se espalhar pela corrente sanguínea. A placenta, por sua vez, é um órgão que transmite nutrientes da mãe para o bebê, sem misturar o sangue dos dois. Os plásticos presentes no corpo da mãe, então, acabam retidos na placenta ou mais seriamente indo parar no corpo da criança. Ou autores do artigo ressaltam que essas partículas podem causar problemas sérios ao desenvolvimento do feto. Sobretudo isso ocorre nos primeiros estágios da formação do embrião.

O artigo científico está disponível em Science Direct.

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Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.


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