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Mamãe e bebê girafas ficaram presas em uma ilha que está afundando

girafa
Um bebê girafa e sua mãe foram os últimos resgatados. Imagem: Northern Rangeland Trust

Resgatar um animal é uma tarefa bastante complicada. Agora, imagine ter que salvar uma manada de uma espécie de girafa em extinção, que estão presas em uma ilha, afundando rapidamente? Apesar de ser algo inusitado, realmente aconteceu. O que deixou a comunidade ainda mais aflita foi o tempo que durou até que todas fossem retiradas antes que alguma viesse a morrer afogada.

Os animais estavam em perigo desde dezembro de 2020, no Quênia. No entanto, o resgate só veio ser concluído com sucesso no dia 12 de abril. Todo o processo foi realizado pela organização americana Save Giraffes Now (SGN) em parceria com conservacionistas locais.

Como a mamãe e o bebê girafas ficaram presos?

A espécie de Rothschild (Giraffa camelopardalis rothschildi) pode ser encontrada na lista de animais em risco de extinção. Desde o ano de 2011, elas viviam na Ilha Longicharo, no Lago Baringo do Quênia, como forma de preservação. No entanto, uma elevação nas águas locais inundou tudo.

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Com receio de que esses últimos exemplares não conseguissem mais encontrar alimentos, os conservacionistas optaram por retirar todas do local. Porém, nem eles previam a dificuldade que seria essa tarefa! Segundo uma publicação feita no Facebook do Northern Rangelands Trust (NRT) logo no início da operação, “os níveis de água no Lago Baringo têm subido há algum tempo, mas em 2020 a taxa aumentou”.

Para que todas fossem retiradas do local e transferidas para um novo santuário, houve a formação de uma grande equipe. A SGN contou com o auxílio da NRT, Ruko Community Conservancy e Kenya Wildlife Service. Além disso, para que cada girafa fosse transportada com cuidado, a própria comunidade ajudou a construir barcas grandes e reforçadas.

resgate de uma girafa
As laterais altas do GiRaft mantiveram os animais seguros durante a jornada de 1,6 quilômetro. Fonte: Northern Rangeland Trust

O transporte fora batizado por “GiRaft” e demorou certo tempo para que os animais pudessem se acostumar. Esse foi um dos motivos pelos quais demorou tanto tempo para evacuar todos para um local seguro, o santuário fechado na Ruko Conservancy de 44.000 acres (178 quilômetros quadrados). Os últimos passageiros foram a mamãe Ngarikoni e seu bebê Noelle.

A girafa está entrando em extinção silenciosamente

Nos últimos 30 anos, os pesquisadores perceberam que a quantidade de animais dessa família vem diminuindo. A estimativa é que esse decréscimo tenha sido de 40%, já em relação a espécie de Rothschild, a queda foi estimada em 80%. Por esse motivo, a preservação dos últimos exemplares vem sendo tratado como prioridade.

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girafa escapa durante resgate
Uma jovem girafa chamada “Susan” salta da barcaça após sua viagem ao continente. Imagem: Northern Rangeland Trust

Segundo o relato de um artigo publicado em 2019 na revista African Journal of Ecology, essa é uma das espécies mais ameaçadas no momento. Já foram bastante comuns no sul do Sudão, no Quênia e na Uganda, mas agora, só é possível encontrar 3 mil exemplares distribuídos por esses países.

O presidente da SGN, David O’Connor, faz um apelo à população, onde pede que tratem esse assunto como prioridade. Afinal, tudo está acontecendo de forma silenciosa, e em locais específicos. A mídia e uma maior divulgação seria bastante útil para alertar as demais comunidades.

Apesar de uma longa trajetória, cada girafa resgatada teve o seu final feliz. Foi um esforço coletivo, trabalho feito em equipe e concluído com sucesso. Para salvar a vida desses animais indefesos, esse relato merece ficar registrado na história do país e na mente de toda a população, como forma de alerta.

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Ruth Rodrigues
Publicado por

Bióloga de formação, mas divulgadora científica de coração. Escreve sobre o mundo das ciências para o SoCientífica.

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