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Limite do cérebro humano de ‘150 amigos’ não confere, segundo novo estudo

Apenas 150 amigos
(Pixabay)

O número de Dumbar ficou extremamente conhecido por afirmar que uma pessoa média só pode manter cerca de 150 amigos. Mas um novo estudo sugere um limite muito inferior.

Proposto pelo antropólogo e psicólogo evolucionista britânico Robin Dunbar no início dos anos 1990, o número de Dunbar, extrapolado da pesquisa sobre o tamanho do cérebro dos primatas e seus grupos sociais, desde então se tornou uma parte onipresente do discurso nas redes sociais humanas.

150 amigos: a lógica por trás do Número de Dunbar

Imagem de Henning Westerkamp por Pixabay

O número de Dunbar foi originalmente baseado na ideia de que o volume do neocórtex nos cérebros dos primatas funciona como uma restrição ao tamanho dos grupos sociais entre os quais eles circulam.

“Sugere-se que o número de neurônios neocorticais limita a capacidade de processamento de informações do organismo e que isso então limita o número de relacionamentos que um indivíduo pode monitorar simultaneamente”, explicou Dunbar em seu estudo fundamental de 1992.

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“Quando o tamanho de um grupo excede esse limite, ele se torna instável e começa a se fragmentar. Isso coloca um limite máximo no tamanho dos grupos que qualquer espécie pode manter como unidades sociais coesas ao longo do tempo.”

Dunbar começou a extrapolar a teoria para as redes humanas em 1993 e, nas décadas seguintes, foi autor e co-autor de uma abundante produção de pesquisas relacionadas examinando os mecanismos comportamentais e cognitivos que sustentam a sociabilidade tanto em humanos quanto em outros primatas.

Novo estudo se opõe

É verdade que podemos ter até 150 amigos?
Imagem de florentiabuckingham por Pixabay

Enquanto vários estudos tenham oferecido suporte para as ideias de Dunbar, um novo estudo publicado na revista Biology Letters desmascara a alegação de que o tamanho do neocórtex em primatas é igualmente pertinente aos parâmetros de socialização humana.

Em seu estudo, os pesquisadores usaram métodos estatísticos modernos, incluindo análises Bayesianas e de mínimos quadrados generalizados (GLS) para dar uma outra olhada na relação entre o tamanho do grupo e os tamanhos do cérebro / neocórtex em cérebros de primatas, com a vantagem de conjuntos de dados atualizados sobre cérebros de primatas.

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Os resultados sugeriram que os tamanhos de grupos humanos estáveis ​​podem ser muito menores do que 150 indivíduos – com uma análise sugerindo que até 42 indivíduos podem ser o limite médio, com outra estimativa variando entre um grupo de 70 a 107.

A equipe de pesquisa também argumentou que o número de Dunbar ignora outras diferenças significativas na fisiologia do cérebro entre cérebros de primatas humanos e não humanos – incluindo que os humanos desenvolvem mecanismos culturais e estruturas sociais que podem combater fatores cognitivos socialmente limitantes que poderiam se aplicar a primatas não humanos.

O artigo científico está disponível na Biology Letters.

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Milena Elísios
Publicado por

Graduada em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e divulgadora científica por paixão. Aqui na SoCientífica abordo sobre temas variados, mas sempre guiados por boa pesquisa e o rigor científico.

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