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Plantas & Animais

Lagarto recém catalogado pode já estar entrando em extinção

O Kaputar Rock Skink é um pequeno lagarto recém catalogado pelos cientistas, e pode já estar entrando em extinção.

O Kaputar Rock Skink. (Créditos da imagem: Australian Museum)

O Kaputar Rock Skink é um pequeno lagarto já conhecido há algumas décadas, mas recém catalogado pelos cientistas. E poucos meses após, o lagarto recém catalogado pode já estar entrando em extinção.

Após décadas de aguardo, somente em 2019 que a ciência reuniu informações o suficiente para catalogá-lo formalmente. Ele foi descrito em agosto do ano passado e recebeu o nome científico de Egernia roomi.

Há um problema, no entanto. O Kaputar Rock Skink vive somente em uma região extremamente específica: o pico de uma montanha. Isso significa que qualquer mera destruição, como um simples incêndio, pode colocá-lo em extinção.

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Incêndios e destruição

Lembra dos polêmicos incêndios na Amazônia entre o final do ano de 2018 e o início de 2019? Talvez você deve se lembrar também, que logo após isso, surgiu um novo alvo de incêndios, a Austrália.

A imagem de satélite da NASA mostra as regiões australianas incendiadas em 7 de dezembro de 2019. (Créditos da imagem: NASA)

Os incêndios, que se iniciaram no país na segunda metade do ano de 2019, duraram alguns meses e se estenderam até meados de 2020, por um mix de causas naturais, mudanças climáticas e falta de ação por parte do governo do país. 

Até janeiro de 2020, 28 pessoas morreram e acredita-se que, em uma estimativa conservadora, meio bilhões de animais haviam sido mortos. A área de queimada era maior do que Portugal, superando os 10 milhões de hectares.

Dentre os animais afetados, está o Kaputar Rock Skink. Metade de seu único habitat foi dizimado pelos incêndios, e ainda não sabemos o quão afetados foram esses lagartos, no entanto.

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Em um painel de especialistas para lidar com o problema, ele entrou para a lista com as 119 espécies que corriam perigo pelas queimadas, e que precisavam urgentemente de intervenção humana para o salvamento.

Entretanto, como já dissemos, ele habita o pico de um vulcão. É uma área bastante acidentada e remota – acesso que foi ainda mais afetado pelo coronavírus. Os esforços para auxiliá-lo foram afetados.

Há, também, dois outros riscos: as cabras, que foram introduzidas lá por humanos, e desequilibram o ecossistema, e os próprios humanos, que interferem na vida do animal durante visitas turísticas.

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Há, na região, diversas trilhas, e muitos dos caminhos que os humanos fazem vão aos poucos matando a vegetação rasteira e expondo o solo. O mesmo pode ocorrer com as pisadas das cabras.

O lagarto

Ele é endêmico do cume do vulcão Monte Kaputar, no estado de Nova Gales do Sul, na Austrália. O Egernia roomi é o réptil com a menor faixa de habitat dentre todos os répteis conhecidos.

A montanha, que é um vulcão já morto foi ativo entre 17 e 21 milhões de anos atrás. Localiza-se na Cordilheira Nandewar, em uma área de preservação ambiental chamada de  Parque Nacional Monte Kaputar.

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Por viver no cume de uma montanha, com a destruição do habitat ele não pode simplesmente descer de lá. A espécie é adaptada às temperaturas mais amenas das altitudes mais elevadas, e por isso o lagarto recém catalogado pode já estar entrando em extinção.

O Kaputar Rock Skink é um lagarto muito bonito, com suas escamas e sua “tintura” natural na pele. É, também, bastante pequeno, com um tamanho médio aproximado de apenas 10 centímetros, da cauda à cabeça.

Os cientistas sabem muito pouco sobre o animal, e a demora de catalogá-lo só demonstra isso. Ademais, ainda é necessária muita cautela e pesquisas para tentar ajudar o animal, que está se extinguindo por causa dos humanos.

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.


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