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Fragmentos de plásticos são encontrados pela primeira vez em geleiras

A descoberta, feita nos Alpes italianos, confirma a onipresença da poluição por plásticos em todo o mundo.

Os pesquisadores descobriram microplásticos pela primeira vez no topo de uma geleira. Crédito: Roberto Sergio Azzoni

Pequenos pedaços de plástico – “micro-plásticos” – foram encontrados no oceano profundo e até em amostras de fezes humanas.

Agora, pela primeira vez, essa forma de poluição foi detectada em uma geleira. Ao analisar cuidadosamente os detritos naturais no topo de uma geleira nos Alpes italianos, os cientistas coletaram fragmentos e fibras de poliéster, polipropileno e polietileno. Esses micro-plásticos, provavelmente transportados para a sua localização remota pelo vento ou pelos transeuntes, são evidências da influência generalizada da poluição do plástico, concluem os pesquisadores.

Tamancos em uma geleira

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Roberto Sergio Azzoni, cientista ambiental da Universidade de Milão, e seus colaboradores, concentraram suas pesquisas na Geleira de Forni. Essa geleira, localizada a cerca de 100 quilômetros a norte de Milão, é um dos locais mais longos e populares do país para os alpinistas. Os pesquisadores coletaram detritos supra-glaciais – pedaços de terra, rocha e poeira – do topo da geleira.

Eles usavam roupas de algodão e tamancos de madeira durante o trabalho de campo para evitar que deixassem o plástico para trás, uma preocupação real, porque roupas e equipamentos para caminhadas ao ar livre geralmente contêm plásticos.

De volta ao laboratório, Azzoni e seus colegas extraíram minúsculos pedaços de plástico, com menos de 50 micrômetros de diâmetro, dos detritos com base em sua densidade.

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Os cientistas descobriram que os micro-plásticos eram numerosos, cerca de 75 peças por quilo de detritos glaciais secos, estimou a equipe.

“Isso é muito na gama de variabilidade da contaminação plástica observada em sedimentos marinhos e costeiros”, disse Azzoni em uma entrevista coletiva na semana passada na Assembléia Geral de Geociências da União Europeia, em Viena, Áustria, onde os resultados foram apresentados.

Esses micro-plásticos provavelmente foram eliminados por roupas e equipamentos dos excursionistas ou transportados pelo vento de cidades próximas, propõem os pesquisadores. No total, entre 131 milhões e 162 milhões de peças de micro-plásticos estão, provavelmente, escondidas na parte inferior da geleira de Forni, a equipe propõe.

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As geleiras não são tão imaculadas, concluíram os pesquisadores, e isso é potencialmente uma má notícia: os micro-plásticos liberados pelo derretimento das geleiras podem contaminar a água do escoamento glacial que é usada pelas comunidades locais para beber e irrigar.

Esses efeitos futuros devem ser investigados e monitorados, disse David Jones, um cientista ambiental da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, que não está envolvido na pesquisa. Embora não seja de todo surpreendente encontrar micro-plásticos nas geleiras, é fundamental determinar as conseqüências desses contaminantes, disse Jones. “A questão é qual será o impacto.”

Este artigo foi traduzido de Eos sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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Da Redação
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A SoCientífica, abreviação para Sociedade Científica, nasceu em agosto de 2014 da vontade de decifrar as novidades no mundo científico e transmiti-las para uma sociedade que depende da ciência e tecnologia mas que sabe muito pouco sobre elas. Em um momento em que a desconfiança está se sobressaindo e novas ondas negacionistas de evidências surgem, a SoCientífica está empenhada em ajudar a trazer iluminação para a sociedade novamente.

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