Estudo sugere que Alzheimer era raro na Roma e na Grécia Antiga

Ilustração sobre a Grécia Antiga. Imagem: Pexels.

O Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que se caracteriza pela destruição das memórias e outras funções mentais importantes. Por ser uma doença que causa muito medo nas pessoas e grandes dificuldades para a vida dos pacientes e sua família, cientistas estão há anos desenvolvendo métodos para detectar os primeiros sintomas e também desenvolver uma vacina que ajude no tratamento. Porém a notícia de hoje não tem a ver com os avanços nas pesquisas contra o Alzheimer e sim descobertas sobre o histórico do transtorno no nosso passado registrado.

Segundo um novo estudo, o Alzheimer era raro no período da Grécia e da Roma Antiga, indicando que os problemas severos de memória são um fenômeno mais recente. A pesquisa foi publicada há algumas semanas na revista Journal of Alzheimer’s Disease por pesquisadores da Califórnia nos Estados Unidos. A dupla de pesquisadores foi formada pelo pesquisador Caleb Finch, que estuda os mecanismos do envelhecimento na Universidade do Sul da Califórnia, e o historiador da Universidade do Estado da Califórnia, Stanley Burstein.

Os dois examinaram uma série de textos que falavam sobre saúde humana datando dos séculos VIII a.C. e III d.C. Foram encontradas muitas poucas referências a sintomas que indicassem a possibilidade do Alzheimer em idosos naquele período. 

A primeira suposição poderia ser que boa parte da população não viveu tempo suficiente para apresentar os primeiros sintomas da doença. Contudo os pesquisadores afirmaram que a expectativa de vida na Grécia Antiga estava mais próxima dos 70 anos. Hipócrates, famoso médico grego que é conhecido como pai da Medicina, teria vivido até seus 80 e 90 anos. Sócrates, o famoso filósofo grego, morreu aos 70 anos e isso porque foi condenado à morte.

Atualmente a idade é um dos principais fatores de risco para demência, que possui várias formas além do Alzheimer, e estima-se que um terço das pessoas acima de 85 anos acabam desenvolvendo essa condição e os diagnósticos estão dobrando de cinco em cinco anos para pacientes com mais de 65 anos. 

Estudo sugere que Alzheimer era raro na Roma e na Grécia Antiga
O Alzheimer é identificado principalmente em pacientes com mais de 65 anos. Imagem: Pexels

A perda de memória é uma das características mais observadas, porém, segundo Finch e Burstein, não há qualquer menção deste sintoma nos registros deixados por Hipócrates e seus seguidores. Por outro lado, sintomas como surdez, insônia, cegueira e distúrbios digestivos eram largamente catalogados. Mas deve-se levar em consideração que, e os próprios autores reconhecem isso, que a literatura disponível hoje é muito limitada. Mesmo assim eles afirmam que não houve qualquer relato que fosse equivalente aos casos de Alzheimer.

Com essa observação, Finch e Burstein estudam a possibilidade que o grande aumento de casos relacionados ao Alzheimer e demência em geral pode ser uma consequência da vida moderna. Inclusive já existem alguns estudos que indicam que a doença está associada a problemas cardiovasculares oriundos da poluição e alimentação de populações mais humildes em grandes centros urbanos.

Quando os autores chegaram aos textos que datavam do século I d.C é que começaram a encontrar menções de perda de memória em relação à idade. O primeiro caso que eles se depararam foi com o de um senador da Roma Antiga, Plínio, o Velho, que teria morrido em 79 d.C. Os registros dizem que o senador havia esquecido seu próprio nome conforme avançava a idade. No século seguinte, a dupla de pesquisadores encontrou o relato de um médico de nome Galeno descrevendo sobreviventes de duas pragas daquela época que não conseguiam reconhecer seus amigos.

Durante esses séculos do período da Roma Imperial, a população era altamente exposta a utensílios feitos de chumbo e também sofriam com o sistema de encanamento, além da poluição no ar. Esses fatores ambientais podem ter aumentado o risco de Alzheimer, desencadeando os sintomas que ainda não eram vistos na época de Hipócrates.

Os pesquisadores incentivam uma investigação maior sobre a história do Alzheimer em tempos antigos como uma forma de avaliar se este é um fenômeno realmente da modernidade.

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