Estes dinossauros ‘tanques de guerra’ provavelmente eram surdos

Mateus Marchetto
Imagem: Fabrizio De Rossi

Os dinossauros do gênero dos anquilossauros eram, em geral, enormes, com armaduras ósseas e caudas com clavas mortais. Um novo estudo da espécie Struthiosaurus austriacus, contudo, indica que esses ‘tanques de guerra’ biológicos eram lentos e tinham uma audição horrível.

A pesquisa, publicada no periódico Scientific Reports, analisou um crânio de S. austriacus que foi descoberto ainda no século XIX e desde então ficou armazenado no Instituto de Paleontologia de Viena. Agora, contudo, a equipe de cientistas realizou diversas tomografias computadorizadas no crânio do bicho.

Essa espécie, ademais, viveu na Europa há 80 milhões de anos (lembrando que os continentes eram muito diferentes nessa época), no fim do período Cretáceo. Outros anquilossauros, contudo, viveram nas Américas e na Ásia. Acontece que esta espécie tinha algumas semelhanças com seus primos ao redor do mundo.

O S. austriacus tinha, por exemplo, um flóculo cerebral bastante pequeno, assim como a maioria das demais espécies de anquilossaurídeos. Essa estrutura, nesse sentido, é importante para a fixação dos olhos durante movimentos da cabeça ou mesmo movimentos corporais.

Um flóculo menos desenvolvido, portanto, indica que estes animais não se moviam rapidamente, nem movimentavam a cabeça em ângulos muito abertos.

Além disso, o crânio destes tanques de guerra tinha canais auriculares semicirculares no ouvido interno. Esse tipo de canal é menos eficiente em relação aos canais circulares, o que indica também um equilíbrio não tão desenvolvido, além de consequências na audição do animal.

Somado a isso, o S. austriacus tem a menor lagena do clado dos dinossauros até o momento. Essa parte do ouvido interno é a responsável pelo processamento de sons e, grosso modo, pela audição. Isso indica que este dino era provavelmente um tanto surdo.

‘Tanques de guerra’ menos ofensivos que o normal

Ao contrário do aparentado Euoplocephalus tutus, que podia passar dos 5 metros de comprimento, o S. austriacus tinha, em média, 2,7m. Além disso, essa espécie não tinha as características clavas ósseas na ponta da cauda. Para compensar, o animal contava com uma armadura especializada, revestida com longos espinhos, como pode-se ver na ilustração na capa deste post.

Essas características, junto às descobertas da pesquisa, permitem a inferência de algumas informações sobre o estilo de vida destes pequenos tanques de guerra do Cretáceo.

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Imagem: Tim Evanson / Wikipedia Commons

Primeiro, como dito antes, é provável que a audição destes animais fosse péssima, e eles fossem quase surdos. Isso, no contexto do hábitat do S. austriacus não era exatamente um problema. Isso porque a maioria dos predadores eram possivelmente muito silenciosos de qualquer forma.

Além do mais, a espécie devia ser bastante lenta e contar com uma estratégia mais passiva de defesa. Um Euoplocephalus tutus atacaria um grande predador com sua cauda óssea. Já um S. austriacus iria tentar se defender dos ataques usando seus espinhos e armadura.

Por fim, grande parte dos animais vertebrados depende de comunicações vocais e sonoras em certa medida. Assim, é possível que estes anquilossauros não tivessem tantas interações ao longo da vida, preferindo um estilo de vida solitário.

A pesquisa está disponível no periódico Scientific Reports.

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