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Esta pode ser a primeira detecção de emissão de rádio por um exoplaneta

(Jack Madden/Cornell University).

Já, adianto – isso não significa vida alienígena inteligente. Longe disso, na verdade. Mas detectar uma emissão de rádio por um exoplaneta excita os cientistas pelas novas portas para análises científicas de planetas externos ao sistema solar. 

Coletar dados de mundos distantes é bem difícil, especialmente tratando-se de planetas, que não brilham quase nada. Identificamos exoplanetas principalmente através do trânsito planetário (quando um planeta passa em frente a uma estrela e diminui seu brilho). Com esse método, os cientistas coletam alguns dados, como o tamanho do planeta, sua distância até a estrela, a composição de sua superfície e a composição aproximada de sua atmosfera, mas não com um nível muito grande de detalhes. 

Mas encontrar emissões de rádio de exoplanetas pode trazer detalhes adicionais para nossos catálogos de exoplanetas. Dessa forma, conheceremos melhor um pouco de cada um e podemos selecionar os melhores candidatos para abrigar vida (seja inteligente, seja microscópica, seja vegetal, seja como for), e quando houver ainda mais tecnologia, procurar a fundo pela vida nesses planetas. 

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Os pesquisadores  Jake D. Turner, da Cornell University, Philippe Zarka do Observatoire de Paris e Jean-Mathias Griessmeier da Université d’Orléans lideraram o estudo, publicado recentemente em um artigo no periódico Astronomy & Astrophysics

Uma emissão de rádio por um exoplaneta?

“Apresentamos uma das primeiras dicas de detecção de um exoplaneta no domínio do rádio”, diz Turner em um comunicado. “O sinal é do sistema Tau Boötes, que contém uma estrela binária e um exoplaneta. Defendemos uma emissão do próprio planeta. A força e a polarização do sinal de rádio e do campo magnético do planeta, são compatíveis com as previsões teóricas”.

Eles explicam, no estudo, que este método traz diversas vantagens na detecção de campos magnéticos de exoplanetas – a forma mais simples e promissora possível. Através do campo magnético, então, os pesquisadores podem captar inúmeras informações importantes sobre o interior e habitabilidade do planeta.  

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Sem a magnetosfera, então, a Terra não abrigaria vida. (NASA).

A intensidade e outras características do campo magnético explicam um pouco do estado e das características internas do planeta. Uma delas é a sua idade. A vida depende de um planeta ainda não muito velho e que possua um campo magnético. Os campos magnéticos protegem tanto a atmosfera quanto a vida da radiação espacial e estelar. Dessa forma, se não tivéssemos campo magnético, a Terra seria, certamente, um grande deserto, sem vida, sem água e sem atmosfera alguma. 

“Se confirmado por meio de observações de acompanhamento, essa detecção de rádio abre uma nova janela para exoplanetas, dando-nos uma nova maneira de examinar mundos alienígenas que estão a dezenas de anos-luz de distância”, explica o professor e pesquisador Ray Jayawardhana, um dos co-autores do estudo.

Investigando os céus

A equipe utilizou, portanto, dados do radiotelescópio holandês Low Frequency Array (LOFAR). Com o instrumento, eles localizaram sinais provindos de um sistema planetário que possui um Júpiter quente (uma classe de planetas grandes como Júpiter e que orbitam sua estrela a uma distância muito pequena). Além disso, eles olharam também para os sistemas  55 Cancri e Upsilon Andromedae. 

O LOFAR. (LOFAR / ASTRON)

Mas só um sistema deu resultados – um quarto sistema. O  sistema binário de estrelas Tau Boötes localiza-se a 51 anos-luz de distância da Terra (aproximadamente 480 trilhões de quilômetros). Embora pareça muito, trata-se de uma distância relativamente pequena, em termos espaciais. 

“Aprendemos com nosso próprio Júpiter como é esse tipo de detecção. Fomos procurá-lo e o encontramos”, diz Turner. Eles estudaram o campo magnético de Júpiter há dois anos e montaram um modelo que encontraria planetas semelhantes localizados entre 40 e 100 anos-luz da Terra. Um planeta como Júpiter não pode abrigar vida, claro, mas isso abre portas para encontrarmos planetas menores e rochosos. 

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“Resta alguma incerteza de que o sinal de rádio detectado seja do planeta”, diz Turner. Assim, os cientistas precisam investigar mais a fundo para descobrir se realmente trata-se de uma emissão de rádio por um exoplaneta. Se sim, trata-se de uma notícia animadora. 

O estudo foi publicado no periódico Astronomy & Astrophysics.

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.

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