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“Dino zumbi”: cientistas brasileiros encontram parasitas nos ossos de dinossauro

Uma doença tão grave acometia um dinossauro quando morreu que os próprios cientistas responsáveis pela descoberta o chamaram de “Dino zumbi”.

O titanossauro 'zumbi'. (Hugo Cafasso)

Uma doença tão grave acometia um dinossauro quando morreu que os próprios cientistas responsáveis pela descoberta o chamaram de “Dino zumbi”, conforme contam os próprios autores em um vídeo no Youtube. Os cientistas que descobriram os parasitas nos ossos do dinossauro são todos brasileiros, das universidades UFRN, da UFSCar e da Unicamp. 

Os cientistas publicaram o estudo no periódico Cretaceous Research, editado pela Elsevier, no último dia 15. O parasita acometeu um titanossauro – aqueles gigantescos dinossauros herbívoros presentes em quaisquer forma de mídia, com um longo pescoço. O animal viveu no atual sudeste brasileiro, ao final do período Cretáceo. 

A osteomielite aguda atinge animais e humanos até os dias de hoje. A doença, originada a partir de parasitas que adentram feridas e cortes profundos, causa deformações nos ossos e, então, dói muito. O ponto é: machucados são a porta de entrada para o parasita causador da doença.

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Os paleontólogos Aline Ghilardi, da UFRN e Marcelo Fernandes, da UFSCar estudam fósseis de dinossauros no estado de São Paulo. Os restos de dinossauros carnívoros e herbívoros localizam-se, hoje, em laboratórios da UFSCar, em São Carlos, SP.

Caçando a doença e os parasitas nos ossos do dinossauro

Ghilardi percebeu, em 2017, durante seu pós-doutorado, que os ossos da perna de um dos dinossauros possuía caroços esponjosos. Os caroços causaram um destaque no osso em específicos, pois projetavam-se em sua superfície, e facilmente visíveis, como mostra a imagem abaixo.

(AURELIANO, Tito et al).

Por meio da tomografia computadorizada, então, os cientistas perceberam que a lesão se iniciava na parte interna dos ossos e se estendia até a superfície. Portanto, os caroços eram apenas a manifestação externa de uma doença além. Os pesquisadores acreditam que formaram-se, na pele do animal, uma grande quantidade de feridas com pus, causando muita dor e sofrimento – um verdadeiro zumbi.

Os cientistas, então, precisaram inovar. Embora seja uma doença conhecida e existente ainda hoje, há muito pouco na literatura científica sobre os efeitos em nível microscópico da osteomielite aguda. A equipe estudou cada detalhe e conseguiu extrair uma grande quantidade de informações do fóssil, até mesmo o momento em que formou-se a ferida na pele.

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Feito inédito em diversos pontos

A paleontóloga Carolina Nascimento, da UFSCar encontrou, através de análises microscópicas, um total de 70 parasitas conservados nos vasos sanguíneos do titanossauro. Mas a preservação de parasitas nos ossos do animal, acontecimento inédito na paleontologia, só ocorreu pela geologia do local onde o dinossauro estava. 

(Hugo Cafasso)

“Havia no lugar, no passado, um grande rio que era submetido a épocas de chuva e seca intensas. Possivelmente a morte tenha ocorrido em um período chuvoso, já que os restos do dinossauro foram soterrados relativamente rápido ao ponto de ocorrer uma mineralização precoce”, explica Ghilardi em um comunicado da UFRN. “Depois de soterrado, uma remobilização dos próprios minerais presentes nos ossos pode ter iniciado o processo de fossilização dos parasitas”.

“Quando descobrimos que era um parasita e que estava dentro dos canais do dinossauro, começamos a ficar nervosos para sermos os primeiros [a publicar]”, disse Tito Aureliano, autor principal do estudo, ao G1.

Além disso, a descoberta abre portas para a medicina moderna, inclusive. Justamente a deficiência na literatura médica e científica sobre a osteomielite aguda, que em certo momento atrapalhou a pesquisa, beneficia-se, agora, com o trabalho.

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No entanto, os cientistas ainda não têm certeza se os parasitas causaram a doença, ou se a presença da doença facilitou a presença dos parasitas por ali, já que as feridas facilitam a entrada de organismos parasitários, piorando o quadro de saúde do animal.

“Estamos muito satisfeitos, muito felizes, de fazer uma contribuição sólida na nossa área, de abrir novas possibilidade para a paleontologia. Agora a gente sabe que pode tirar parasitas de amostragens, incluindo nossos ancestrais humanos”, disse Tito Aureliano ao G1.

O estudo científico foi publicado no periódico Cretaceous Research. Com informações de G1 e UFRN

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.


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