Como os animais escutam debaixo d’água?

Jamille Rabelo
Imagem: Claudia Beer/Pixabay

Os peixes e muitos outros animais aquáticos têm capacidades auditivas únicas para comunicar-se entre si debaixo d’água, capturar presas ou evitar o perigo.

Veja alguns exemplos de como os animais aquáticos escutam debaixo d’água.

Tubarões

Você já viu as orelhas de um tubarão? Provavelmente não. Isto é porque os tubarões só têm uma orelha interna. Esta orelha interna é composta por três canais semicirculares, que são usados para o equilíbrio. Dentro de cada canal, há quatro membranas sensoriais. Três delas são utilizadas tanto para o equilíbrio como para o registro do som. Estas membranas sensoriais são revestidas com pequenos pelos para ajudar os tubarões a detectar as vibrações na água.

Os tubarões têm uma audição extremamente sensível. Eles podem ouvir frequências de som de 90 a 250 metros de distância, variando de 10 Hz a 800 Hz, e escutam melhor sons de baixa intensidade (abaixo de 375 Hz). Enquanto os tubarões ouvem uma faixa menor de sons do que os humanos, eles podem ouvir sons de baixa frequência que são inaudíveis do que os humanos.

Semelhante aos peixes, os tubarões também usam sua linha lateral para ajudar na audição. Eles conseguem detectar vibrações na água que os ajudam a localizar potenciais predadores e presas.

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Imagem: Domínio Público

Polvo

Até recentemente, pensava-se que os polvos eram surdos porque eles não possuem uma câmara cheia de gás como a bexiga natatória que muitos peixes usam para ouvir. Entretanto, o fisiologista sensorial Hong Young Yan concluiu que o polvo e outros cefalópodes como as lulas utilizam outro órgão chamado estatocisto para escuta e equilíbrio.

Descobriu-se então que o polvo pode registrar sons a uma faixa de 400 a 1000 Hz, e sons a 600 Hz são melhores ouvidos. No entanto, a audição do polvo é limitada, pois eles não podem amplificar os sons.

Golfinhos

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Golfinhos utilizam a ecolocalização para se comunicarem.

Os golfinhos têm uma audição bem melhor do que os humanos, 7 vezes melhor, de fato. Eles podem ouvir uma faixa mais ampla de frequências e até de ultrassom (alta frequência) excepcionalmente bem. A faixa auditiva de um golfinho é de cerca de 20 Hz a 150 kHz.

Os golfinhos têm aberturas de orelhas atrás dos olhos, mas usam outras partes do corpo para auxiliar sua audição. Os golfinhos usam sua testa ou melão, como é chamado, para o reconhecimento do som.

Seus dentes também auxiliam na audição. Os dentes dos golfinhos são dispostos para funcionar de forma semelhante a uma antena, e ajudam a receber o som que entra. Eles também sentem vibrações sonoras em sua mandíbula. A mandíbula de um golfinho é preenchida com um tipo de gordura que tem habilidades de condução do som.

Os golfinhos usam a ecolocalização para localizar objetos e identificar sua forma, tamanho, orientação, direção e velocidade.

Os golfinhos também usam o som para se comunicar debaixo d’água. Eles produzem dois tipos de sons, um assobio de alto tom e um som de clique. O assobio é usado para se comunicar com outros golfinhos, já que cada golfinho tem seu próprio som único. O clique atua como uma função de sonar, que os golfinhos utilizam para a ecolocalização.

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