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Estudo mostra que humanos podem aprender ecolocalização

Novos estudos mostram que a ecolocalização pode ser uma alternativa para acessibilidade. Imagem: Hans Braxmeier/Pixabay

Por muitos anos, a ecolocalização humana tem sido uma forma de percepção para pessoas que perderam a visão. Apesar disso, poucas pesquisas reforçavam essa característica como eficiente, mais pela falta do que pela evidência. Assim, um novo estudo mostrou que pessoas – cegas ou não – podem aprender a se localizar pelo som em apenas 10 semanas.

A pesquisa contou com a participação de 12 pessoas com deficiências visuais variadas, além de 14 indivíduos com a visão funcional. Os pesquisadores, então, buscaram ensinar os participantes a emitir sons, como cliques com a língua, e identificarem o eco desses sons. No laboratório, as pessoas passaram por testes com obstáculos, como labirintos para avaliar o aprendizado da ecolocalização.

Imagem: Gerd Altmann/Pixabay 

Assim, os pesquisadores relataram que todos os participantes foram capazes de aprender a ecolocalização. Alguns deles, inclusive, conseguiram utilizá-la melhor que especialistas que usam esse recurso há anos.

Além do mais, o grupo tinha idades variadas, entre 21 e 79 anos. Isso mostra também que o aprendizado da técnica não tem, necessariamente, uma relação com a idade. Além do mais, um acompanhamento após a pesquisa mostrou que todos os participantes cegos relataram uma melhora na mobilidade. Ademais, 83% se sentiram mais independentes após a pesquisa.

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Ecolocalização como acessibilidade

Muitos animais, como golfinhos, pássaros e morcegos também utilizam a ecolocalização. Nesse sentido, a plasticidade do cérebro humano já era, há tempos, um indicativo de que a interpretação do mundo pode mudar – em sentidos fisiológicos – após a perda de um sentido. Contudo, o cérebro se adapta aos recursos que tem.

Daniel Kish, presidente da World Access for the Blind, participou de estudos anteriores relacionados à ecolocalização humana, contribuindo drasticamente para a divulgação da técnica.

Como relatado à Smithsonian Magazine e à palestra TedTalks acima, Kish consegue interpretar o mundo à sua volta em três dimensões, de forma semelhante à visão. Contudo, o especialista relata a ecolocalização como uma série de flashes que lançam luz sobre o ambiente. Assim, cada clique gera uma interpretação momentânea e precisa sobre o ambiente.

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Kish ainda afirma que a literatura e as pesquisas a respeito da ecolocalização são ainda pouco abrangentes. Nesse sentido, a técnica tem o potencial de oferecer um novo leque de possibilidades e, sobretudo, independência a pessoas com qualquer tipo de deficiência visual.

Na pesquisa, por exemplo, foram realizadas 20 sessões de treino ao longo das dez semanas. Isso indica também a possibilidade de aprendizado rápido da técnica e melhora significativa da acessibilidade.

O artigo está disponível no periódico Plos One.

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Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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