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Como o cérebro pode se adaptar a ter um dedo extra

Este experimento mostrou que o cérebro humano pode se adaptar facilmente a ter um membro extra, reconhecendo-o como parte do corpo.

Esta pesquisa mostrou que o cérebro pode se adaptar rapidamente a um dedo extra. Imagem: Dani Clode

Muitas vezes ao executar tarefas diárias, como segurar e carregar objetos, a vantagem de um membro extra fica evidente. Pensando nisso, a estudante Dani Clode, do Royal College of Art de Londres, desenvolveu um dedo extra para ser usado no dia-a-dia. Usando o aparelho, pesquisadores do University College London, desenvolveram um experimento para ver como o cérebro reagiria ao dedo extra.

Acontece que aparentemente os cérebros humanos podem se adaptar muito facilmente ao novo membro. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores recrutaram 20 pessoas para usar o dedo extra durante cinco dias. De acordo com a pesquisa, publicada no periódico Science Robotics, os participantes usaram o dedão para tarefas diárias por períodos de 2 a 6 horas por dia.

Imagem: Dani Clode

Além do mais, a equipe de pesquisadores realizou exames dos cérebros dos participantes antes e depois dos cinco dias de uso. A técnica de ressonância magnética funcional mostrou, assim, uma variação significativa antes e depois do uso do dedo extra. Aparentemente, ao longo dos cinco dias o cérebro já havia se adaptado levemente à presença do dedo a mais.

Ao fim do experimento, ademais, os participantes já conseguiam segurar diversos objetos e mesmo taças de vinho usando habilmente o dedo mecânico.

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Plasticidade do cérebro com um dedo extra

Essa adaptação rápida acontece pois o cérebro tem uma forte característica de plasticidade. Por exemplo, quando se perde uma função do corpo, como a visão. Ao longo do tempo, o cérebro começa a se adaptar a utilizar apensas os sentidos restantes para compor a informação necessária sobre o mundo. O mesmo acontece com a perda de membros.

Acontece que a pesquisa acaba de mostrar que o ganho de um membro ou função pode ter tanta plasticidade quanto a perda. O estudo mostrou, assim, que a própria representação da mão com o dedo extra mudou ao longo dos cinco dias. Ou seja, a forma como o cérebro percebe a identidade do corpo mudou muito rapidamente.

Imagem: Stefan Dr. Schulz/Pixabay 

Dani Clode desenhou e produziu o dedo mecânico a partir de modelagem 3D, usando aparatos ao longo do braço para detectar a compressão dos dedos. Isso permite ainda que o aparelho possa ser reproduzido ainda de formas mais complexas ou em outras partes do corpo.

O artigo está disponível no periódico Science Robotics.

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Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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