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Comentário & Opinião

Como a sensibilidade a rejeição pode estar te afetando

Tendência do nosso cérebro de esperar de forma ansiosa, perceber prontamente e reagir de forma exagerada a uma rejeição social. Essa é a definição do fenômeno de sensibilidade a rejeição que pode estar afetando a sua vida.
Tendência do nosso cérebro de esperar de forma ansiosa, perceber prontamente e reagir de forma exagerada a uma rejeição social. Essa é a definição do fenômeno de sensibilidade a rejeição que pode estar afetando a sua vida.

Tendência do nosso cérebro de esperar de forma ansiosa, perceber prontamente e reagir de forma exagerada a uma rejeição social. Essa é a definição do fenômeno de sensibilidade a rejeição que pode estar afetando a sua vida.

Por ser algo muito específico é difícil escutar ou ler algo sobre o assunto, muitas vezes tratam de cenários mais amplos como a própria depressão e transtornos dissociativos. Mas isso não significa que o tema seja menos importante, já que a sensibilidade a rejeição pode ter grandes consequências em algumas pessoas que ainda não aprenderam a lidar com ela.

Uma pessoa com sensibilidade a rejeição (SR) normalmente antecipa situações onde pode ser rejeitada por outras. Muitas vezes essa rejeição acaba nem existindo de verdade, entretanto, o cérebro do indivíduo com SR maior, já se encontra em um padrão de defesa e aumenta sua percepção do exterior. Para alguém com esse excesso, um beijo em público pode não ser tão bonito quanto nos filmes, pois muito provavelmente a pessoa vai estar preocupada de forma excessiva com o que os outros ao redor estão achando daquela demonstração pública de afeto – apesar de que, levando em conta nossa sociedade ocidental, as pessoas nem estão se importando com o beijo – mas isso não faz diferença para alguém com SR

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A Sensibilidade a rejeição pode estar te afetando de forma física

Como já comentei em outro texto, transtornos psicológicos também podem se manifestar de forma física no corpo, ou seja, seu estresse psicológico, por exemplo, pode trazer dores de cabeça, alergias e problemas no sistema imunológico.

A sensibilidade a rejeição também pode ser vista de forma física e química. De acordo com um artigo publicado no Journal of Cognitive Neuroscience, existem atividades neuronais que podem ser observadas em quem tem SR elevado. Quando exposto a uma situação de rejeição, é possível observar um padrão de ativação no cérebro.

Nesse estudo, pessoas com SR alto e baixo tiveram suas atividades cerebrais analisadas enquanto observavam pinturas com características de rejeição e aceitação e pinturas com menor representatividade que serviam como controle. Tanto as pessoas com baixo SR quanto as de alto SR tiveram ativações em partes mais relacionadas com estímulos afetivos e controle cognitivo. Entretanto, as pessoas com RS baixo tiveram uma ativação maior do controle cognitivo.

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Levando em conta os dados observados, a conclusão que os pesquisadores tiveram para os testes em específico, é de que o cérebro de pessoas com alta sensibilidade a rejeição tem uma ativação de controle cognitivo diferente, fazendo com que não consigam controlar essa sensibilidade tão bem quanto pessoas com menor SR.

Em outro estudo, fizeram algo parecido. Mostraram imagens aleatórias e outras que representassem algum tipo de rejeição (alguém bravo ou com cara de nojo, por exemplo) logo depois deram pequenos sopros nos olhos dos participantes, e aqueles que tinham visto imagens de reprovação levaram mais sustos ou sustos “maiores”. Podemos entender que além dos sentimentos que o SR pode trazer ele ainda ativa o modo de alerta no cérebro, o que deixa a pessoa mais tensa e a espera de algo que o cérebro entenda como perigo.

A sensibilidade a rejeição em homens pode resultar em um aumento na violência

Um artigo relacionou a sensibilidade a rejeição em alguns homens e a forma como tendem a agir dentro de relacionamentos. Com uma amostragem de 217 alunos de graduação entre 18 e 19 anos, os participantes tiveram que responder um questionário sobre características pessoais, histórico de comportamento, relacionamentos passados, sensibilidade a rejeição e tendência a violência nos relacionamentos.

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As perguntas mais sensíveis foram deixadas para o final do questionário levando em conta que essa ordem deixaria os participantes mais confortáveis. Além disso um grupo piloto também respondeu questionários parecidos mas com ordens diferentes para eliminar possíveis variáveis.

A conclusão dos pesquisadores nesse teste foi cuidadosa mas mesmo assim trouxeram alguns dados interessantes. Os resultados obtidos geram dois grupos. No primeiro grupo existe a tendência do homem com SR se interessar menos em relacionamentos, evitando a possível rejeição das parceiras(os) o que por consequência resulta em uma menor tendência a violência.

O segundo grupo costuma investir em uma única parceira(o) – vale ressaltar que essas atitudes em sua maioria são inconscientes, apenas como uma resposta automática para evitar algo que causa estresse ao cérebro – evitando também a possibilidade de rejeição, entretanto, nesse segundo grupo os homens tendem a ser mais controladores e violentos com a parceira(o) escolhido.

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De acordo com o próprio artigo outros estudos precisam ser feitos para evidenciar a causalidade na relação entre o SR e o aumento de violência nos relacionamentos.

Déficit de atenção e sensibilidade a rejeição

O transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) pode ser resumido como uma doença crônica que dificulta a atenção, aumenta a impulsividade e torna a pessoa hiperativa.

Muitas vezes é possível notar a relação do TDAH com a sensibilidade a rejeição, e estudos mostram que isso pode estar afetando de forma negativa os problemas de pessoas com o déficit.

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Pessoas com TDAH tendem a ter mais casos de SR, e ao mesmo tempo, a sensibilidade a rejeição pode contribuir com os problemas de atenção uma vez que essa condição ativa modos de alerta no cérebro que fazem com que a pessoa fique com maior estresse e a procura de qualquer fator que possa gerar algum risco, fazendo com que não consiga se concentrar em outras atividades.

FONTES / Scientific American / Journal of Cognitive Neuroscience / Journal of Research in Personality / Columbia University

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Divulgador científico no Sociedade Científica e no Medium. Estudante de biologia e gestão ambiental.


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