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Chuva fora de série transforma deserto australiano em mar de flores visível do espaço, mostra satélite da NASA

Por Editado por Elisson Amboni
Como editamos

O que acontece quando uma paisagem normalmente seca e avermelhada recebe chuva acima do normal? No interior da Austrália Ocidental, a resposta veio em forma de flores, numa transformação tão intensa que pôde ser vista do espaço.

Imagens do satélite Landsat 8, operado pela NASA em parceria com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), mostram que o terreno árido da região de Murchison, cerca de 600 quilômetros ao norte de Perth, ficou coberto por um mosaico verde e colorido no fim do inverno austral de 2026.

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Segundo o relatório do NASA Earth Observatory sobre a floração no deserto australiano, especialistas locais acreditam que esta pode ser a temporada de flores silvestres mais impressionante da região em quase 20 anos.

Por enquanto, trata-se de uma avaliação de quem acompanha a área.

Frentes frias acordaram sementes adormecidas no solo

As imagens foram captadas pelo instrumento OLI (Operational Land Imager), a bordo do Landsat 8. Elas comparam o mesmo trecho da Austrália Ocidental no fim de agosto de 2025 e no fim de agosto de 2026, revelando um aumento marcante da vegetação em apenas um ano.

Murchison é uma área remota usada para a criação de ovelhas e gado. Normalmente, a paisagem é dominada por plantas resistentes à escassez de água, como gramíneas, arbustos do gênero conhecido como saltbush e a mulga, uma árvore perene de crescimento lento adaptada à seca.

As flores silvestres aparecem de tempos em tempos, mas sua abundância depende muito da quantidade de chuva. Em 2026, uma sequência de frentes frias levou umidade à região.

De acordo com o Bureau de Meteorologia da Austrália, junho registrou chuvas acima da média, e agosto foi muito mais úmido que o normal. Essas condições fizeram germinar sementes que estavam inativas no solo seco, produzindo uma variedade extraordinária de flores.

Espécies ameaçadas florescem entre antenas que escutam o cosmos

O espetáculo chegou até o terreno do Observatório de Radioastronomia de Murchison, chamado Inyarrimanha Ilgari Bundara e operado pela CSIRO, a agência nacional de ciência da Austrália. Entre as flores apareceram várias espécies ameaçadas.

A presença dessas espécies dá ao fenômeno sazonal um peso ecológico extra. O observatório tem ajudado a monitorar essas plantas vulneráveis em uma área antes ocupada pela pecuária.

No dia a dia, porém, o foco da instalação está muito além da atmosfera. Seus conjuntos de antenas captam sinais de rádio de objetos celestes, permitindo observar e catalogar fontes no céu do hemisfério sul.

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O isolamento é essencial para esse trabalho. O observatório fica dentro de uma zona de “silêncio de rádio”, onde sistemas de comunicação e equipamentos eletrônicos são restritos, já que até sinais fracos de origem humana podem atrapalhar a detecção de emissões tênues vindas do espaço.

A radioastronomia australiana tem longa parceria com a NASA. O radiotelescópio Murriyang, em Parkes, ajudou a rastrear a Mariner 2 em 1962, a primeira missão de ciência planetária bem-sucedida, e serviu como estação receptora durante o pouso da Apollo 11 na Lua, em 1969.

A CSIRO também administra o Complexo de Comunicação com o Espaço Profundo de Canberra, uma das três grandes instalações da Rede de Espaço Profundo da NASA. Tanto ele quanto o Murriyang contribuíram para a missão Artemis II, em abril de 2026.

Enquanto os telescópios seguiam vasculhando o universo distante, as chuvas de inverno ofereceram, por um breve período, um espetáculo bem mais próximo de casa.

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