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Saúde & Bem-Estar

Casos de sarampo foram os maiores dos últimos 23 anos em 2019

Estudos mostram que os casos de sarampo em 2019 tiveram os níveis mais altos nos últimos 23 anos. (Imagem de David Mark por Pixabay)

O sarampo é uma doença respiratória que atinge principalmente crianças ao redor do mundo todo. Quem transmite essa infecção é um vírus da família Paramixoviridae que causa uma resposta aguda, com sintomas parecidos com uma gripe forte. Apesar de ser muito contagioso, o sarampo possui uma vacina desde os anos 60. Aliás, a doença está erradicada em muitos países – inclusive no Brasil – desde o final dos anos 90.

Todavia, de acordo com relatórios recentes da Organização Mundial de Saúde (a OMS), os casos de sarampo estão crescendo ao redor do mundo desde o ano de 2016. Dados da organização mostram um aumento de 50% no número de casos entre 2016 e 2019. A partir do ano de 1996 os casos começaram a cair em todo o mundo devido a campanhas em massa de vacinação.

Contudo, diversos motivos podem explicar a retomada do crescimento das mortes e do número de casos do sarampo. Dentre eles, a OMS cita o enfraquecimento das campanhas de vacinação, e a descrença nas vacinas. Vale lembrar que a pandemia da COVID-19 pode piorar ainda mais a situação do sarampo no mundo todo.

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Como ocorre uma epidemia de sarampo

Sendo uma doença respiratória, o sarampo se espalha pelas vias aéreas. Ou seja, ele passa de pessoa para pessoa da mesma forma que o Sars-CoV-2 ou uma gripe comum: por gotículas de saliva lançadas no ar. Assim, o vírus é bastante contagioso e pode ser muito letal.

Como qualquer outra doença infecciosa que tenha vacina, é possível controlar o sarampo pela vacinação. Contudo, para que não haja novas epidemias é preciso que pelo menos 95% de toda a população esteja vacinada. Dessa forma, os 5% não vacinados acabam protegidos pela imunidade de grupo.

(Imagem de Katja Fuhlert por Pixabay)

O problema é que mesmo nos melhores anos de combate à doença, os índices de vacinação estavam em torno de 85%. Isso ajudava a evitar um nível muito alto de casos, mas ainda era possível que existissem surtos isolados. No entanto, a partir de 2015 os índices de vacinação começaram a cair mais próximos dos 70%. Isso ocasionou um aumento contínuo dos casos, chegando a 869.770 ocorrências em 2019. Esse foi o maior número de casos desde 1996.

Tratamento e prevenção

A melhor forma de combater o sarampo atualmente é a vacinação. Apesar dos movimentos anti-vacina, da descrença popular e do afrouxamento das campanhas de vacinação, a vacina contra o sarampo tem uma efetividade de 97% após a segunda dose. O problema, aliás, é que mais de 19 milhões de crianças não receberam a primeira dose da vacina. Com mais crianças susceptíveis, a chance de uma epidemia severa aumenta progressivamente.

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No Brasil a vacina do sarampo é ministrada na forma de tríplice viral (rubéola, sarampo e caxumba). Vale lembrar que apesar da doença ser mais comum em crianças, adultos até os 39 anos em geral são afetados severamente pela doença.

(Imagem de Frauke Riether por Pixabay)

De acordo ainda com o relatório da OMS, nove países, dentre eles Ucrânia e a República Democrática do Congo são responsáveis por 73% dos novos casos de sarampo no ano de 2019. Apesar disso, países como o Brasil e Estados Unidos quase perderam a classificação de erradicação da doença, devido ao aumento severo no número de casos.

O relatório está disponível em Centers for Disease Control and Prevention.

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Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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