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Este caramujo atrai suas presas com seus próprios feromônios

Caramujos da espécie C. imperialis produzem moléculas que imitam feromônios de vermes marinhos, para então devorá-los.

Caramujos
Caramujos Conus imperialis aquáticos (foto) caçam vermes de cerdas usando arpões cheios de veneno. Esse veneno contém moléculas que imitam os feromônios de acasalamento de alguns vermes e induzem comportamentos de acasalamento no laboratório, sugerindo que os caramujos podem usá-lo para atrair presas. (SAMUEL S. ESPINO)

A natureza é uma grande farmácia, cheia de compostos e possíveis medicamentos ainda não descobertos. Frequentemente venenos que animais ou plantas produzem podem ser usados clinicamente no tratamento de doenças. Pensando nisso, por conseguinte, pesquisadores da Universidade de Utah (e outras 9 instituições) analisaram o veneno do caramujo Conus imperialis buscando propriedades farmacêuticas.

Não só o artigo identificou algumas possibilidades de desenvolvimento de medicamentos, como também mostrou que o caramujo utiliza feromônios em seu veneno para atrair vermes marinhos.

O gênero Conus sp. é um grande grupo de moluscos, em sua maioria venenosos e que usam diversas estratégias curiosas de caça. Alguns animais, por exemplo, sintetizam uma molécula parecida com a insulina dos peixes, que causa uma hipoglicemia fatal na presa.

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(Joshua P. Torres, Science Advanes)

Acontece que os pesquisadores descobriram que os C. imperialis produzem três moléculas – conazolium A e B, e genuanina – para imitar os feromônios de vermes marinhos da espécie Platynereis dumerilii. Uma vez que os caramujos liberam essas moléculas disfarçadas, os vermes iniciam uma dança do acasalamento e, por consequência, saem de suas tocas e buracos. Assim os vermes viram presas fáceis para os estratégicos C. imperialis.

No entanto, essa não foi a única descoberta do estudo. De quebra os pesquisadores observaram que os caramujos de águas mais profundas e frias (entre 150m e 210m) tinham diferenças bem significativas daqueles de águas mais rasas e quentes (30m a 60m).

Os animais de águas mais fundas produziam os três falsos feromônios e eram menores, com padrões diferentes na concha. Os caramujos de águas mais rasas, por outro lado, produziam apenas genuanina, e secretavam também neurotransmissores na água, como serotonina e glutamato. Essas diferenças portanto sugerem um processo de especiação nos animais, indicando uma possível mudança na classificação.

Possíveis medicamentos do veneno de caramujo

Alguns estudos anteriores, ademais, mostraram que toxinas de caramujo podem ajudar no combate ao diabetes e mesmo como analgésicos não-opióides. Inclusive, um medicamento (Prialt) já circula no mercado e foi derivado do veneno de caramujos. Diversos outros ainda estão em testes clínicos e possivelmente serão promissores nos próximos anos.

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No caso do caramujo C. imperialis, a molécula do conazolium A (que imita o feromônio ovothiol dos vermes) também bloquea receptores relacionados à dor. Para testar isso, esse peptídeo (lembre-se, peptídeos são unidades formadoras das proteínas) ainda precisa passar por testes estatísticos e clínicos.

De qualquer forma, por mais traiçoeiros que os C. imperialis possam ser, podemos ter medicamentos derivados de seus venenos nos próximos anos. Além do mais, o estudo adiciona mais uma camada de compreensão na ecologia da espécie e na estratégia de caça desses animais.

O artigo está disponível no periódico Science Advances.

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Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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