Amebas resolvem labirintos complexos em laboratório

Erik Behenck
As células conseguiram superar uma réplica do labirinto de cerca viva de Hampton Court. Imagem: © Luke Tweedy, Michele Zagnoni, Cancer Research UK.

O corpo humano é repleto de trilhões de células, produtos químicos e capilares. É um gigantesco labirinto formado por células agitadas, em constante movimento. Agora um estudo com amebas mostrou como elas conseguem superar desafios.

E em meio a toda essa bagunça e movimentação, a maioria das células conseguem chegar aos seus destinos. Ainda que exista outras milhares de possibilidades. Mas como é possível fazerem isso? 

Mas como elas conseguem encontrar o caminho certo?

Algumas células possuem a quimiotaxia, que é a habilidade de navegar ao detectarem a presença ou a ausência de atrativos químicos no ambiente onde estão. É por meio dela que os espermatozoides encontram os óvulos, acham o caminho até lá.

E ainda, é assim que os glóbulos brancos detectam os lugares onde possuem infecções. E é assim também que as células cancerígenas encontram tecidos vulneráveis.

Amebas

Como as amebas resolvem um labirinto?

Um novo estudo revela como amebas resolvem um dos labirintos vários labirintos complexos. Para testar uma forma específica de quimiotaxia, os pesquisadores criaram versões de um labirinto de cerca viva. Eles se basearam na antiga residência do rei Henrique VII, o Palácio de Hampton Court. Além de testarem em outros labirintos complexos.

Quando elas são liberadas nos labirintos, as amebas sabem exatamente o que fazer. Seguem corretamente até as saídas com precisão. Por usarem a quimiotaxia, são capazes de “ver além dos cantos”, diz Robert Insall, o autor do estudo. Assim conseguem evitar becos sem saída.

“As células não estão esperando que alguém lhes diga o que fazer”, disse Insall. E ainda, “ao quebrar os produtos químicos à sua frente, eles sabem qual ramificação do labirinto leva a um beco sem saída e qual leva [à saída]. É absolutamente inacreditável”. O autor do estudo é professor de biologia celular, e matemática computacional da Universidade de Glasgow, na Escócia.

Como as células detectam o melhor caminho?

Nos labirintos com seus vários caminhos ramificados, para determinar qual é o que possui a quantidade maior de atrativos, elas quebram as moléculas a sua frente. Assim, as células encontram o que é mais atrativo nas áreas próximas.

Conforme as células vão avançando pelo labirinto, os atrativos vão ficando escassos a frente delas. Assim, os ramos curtos e que não tem saída ficam totalmente sem atrativos. Embora as células não tenham chegado até eles.

Sempre que encontrar um beco sem saída, ou seja, um ramo curto sem atrativos, e um ramo longo rico de atrativos, elas nunca irão percorrer o ramo empobrecido. Segundo Insall, “eles realmente podem ver além dos cantos”.

Para o estudo, primeiro os labirintos foram criados com moldes de borracha, em seguida receberam um fluído atrativo. As células mais experientes solucionaram os labirintos mais longos em horas e os mais curtos em 30 minutos.

A pesquisa foi publicada na revista Science. Com informações de Live Science.

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