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Acidificação dos oceanos: o que é e por que devemos nos preocupar?

(Hannah Barkley, Woods Hole Oceanographic Institution)

Acidificação dos oceanos é o processo no qual a água dos oceanos torna-se mais ácida devido ao aumento de emissões do gás carbônico (CO2).

A concentração de CO2 está aumentando rapidamente desde a Revolução Industrial. Nessa época, as queimas de combustíveis fósseis se tornaram constantes nos meios de produção, liberando mais CO2 para a atmosfera do que o naturalmente produzido.

Os oceanos conseguem absorver mais de 30% do gás carbônico presente na atmosfera, ajudando a controlar os impactos do aumento desse gás para o planeta. No entanto, uma vez na água, o CO2 passa por várias reações químicas que aumentam a concentração de íons de hidrogênio na sua composição. Assim, resulta em uma diminuição do pH na água, tornando-a mais ácida.

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Escala de pH e as reações químicas na água do mar

A medida do pH é uma escala que mede a quantidade de íons de hidrogênio presente em soluções aquosas. Ela varia de 0 a 14, onde 7 é considerado um pH neutro. Um pH maior que 7 é considerado básico, enquanto um pH menor que 7 é ácido. Quanto mais hidrogênio tiver na solução, menor será o pH e mais ácida ela se tornará.

O pH dos oceanos é básico, em torno de 8,1. Desde a Revolução Industrial até o presente, o pH dos oceanos abaixou 0,1 unidades. Pode parecer pouco, mas a escala do pH é logarítmica, então pode-se dizer que os oceanos ficaram 30% mais ácidos. De acordo com o último relatório sobre mudanças climáticas, o pH pode diminuir 0,4 unidades até o final do século se as emissões de gás carbônico continuarem no mesmo ritmo.

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Ao entrar nos oceanos, o CO2 se dissolve na água. Ele se mistura com a água (H2O) e forma o ácido carbônico (H2CO3). Esse composto é um ácido fraco e se quebra naturalmente nas reações químicas, liberando mais íons de hidrogênio (H+) e os bicarbonatos (HCO3) nos oceanos. Dessa forma, ao liberar mais hidrogênio nos oceanos, eles se tornam mais ácidos.

E ao formar mais bicarbonatos, esse processo retira os carbonatos (CO3) do ambiente marinho. Esse composto (CO3) é muito importante para o processo de calcificação de conchas de organismos marinhos, como ostras, mexilhões, corais e alguns plânctons.

Consequências de um oceano mais ácido

Quanto mais CO2 na atmosfera, mais os oceanos irão absorvê-lo. A consequência disso já pode ser observada nos animais que vivem nos oceanos.

Até a década de 90, não se sabia exatamente como as mudanças de pH do oceano afetariam os organismos marinhos. A partir dessa década, começou-se a observar maior sensibilidade de animais que possuem conchas.

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Os corais, por exemplo, além de ameaçados pelo aumento de temperatura dos oceanos, também sofrem com a acidificação dos oceanos por não conseguirem formar seus esqueletos. Ao reduzir os carbonatos do ambiente, outros animais também são impedidos de calcificarem suas conchas, como ostras e mexilhões.

Além da diminuição na formação das conchas, há estudos comprovando que conchas e esqueletos calcários podem dissolver se o pH da água estiver muito baixo. Isso acontece principalmente em organismos microscópicos, como os plânctons.

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A maioria desses animais são a base da cadeia alimentar, o que representa grande ameaça para grupos maiores de animais marinhos e o equilíbrio ecológico dos oceanos. Além disso, humanos que utilizam os oceanos como subsistência também podem ser afetados diretamente. Os corais também servem de proteção contra águas agitadas, deixando as águas mais calmas para comunidades costeiras.

Alguns animais que não possuem conchas também estão sendo afetados pela acidificação dos oceanos. Os peixes-palhaço, por exemplo, estão perdendo sua capacidade de detectarem predadores ou de encontrarem abrigos em águas mais ácidas.

Os oceanos estão ficando cada vez mais ácidos em um ritmo acelerado. Esse ritmo é o mais rápido do que qualquer outro em 300 milhões de anos.

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Independente da região ou do animal marinho, a acidificação dos oceanos tem um impacto global. Dessa forma, é urgente diminuir as emissões de gás carbônico e retardar as mudanças climáticas da Terra para evitar maiores consequências.

Com informações de NOAA e Live Science

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Oceanógrafa e Mestre em Ciências. Acredita na divulgação científica como ferramenta de transformação na sociedade.


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