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A primeira foto de uma mancha solar do Telescópio Solar Inouye

(NSO / AURA / NSF).

Esta foto se parece bastante com um zoom em um colmeia, ou uma arte estilizada de um girassol. Mas trata-se, na verdade, de um superzoom na superfície o Sol. Esta nada mais é do que uma das magníficas e assustadoras manchas solares. Uma mancha solar é importante para se entender a atividade do Sol. 

Em 28 de janeiro de 2020, o Telescópio Solar Daniel K. Inouye (DKIST), do National Solar Observatory, nos Estados Unidos, capturou a imagem. Ele começou a funcionar do início de 2020, no Havaí, e desde então levantou ânimos da comunidade acadêmica e dos amantes de ciência por sua grande capacidade de coleta de dados em alta resolução.

Esta imagem possui ainda mais detalhes do que outra incrível foto de uma mancha solar do observatório solar GREGOR, da Espanha, do qual falamos em setembro de 2020. Embora já opere desde janeiro, ainda não está finalizado, e então segue em sua calibração e ajustes finais. Estas imagens indicam um pouco do poderio do instrumento. 

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A imagem chega no momento em que os pesquisadores publicaram, no periódico Solar Physics, um artigo em acesso aberto apresentando uma visão geral dos sistemas ópticos, mecânicos e eletrônicos do telescópio. Em janeiro, a revista publicará mais artigos, detalhando outros pontos do telescópio. 

O Telescópio Solar Inouye, no Havaí. (NSO / AURA / NSF).

O que é uma mancha solar?

“A imagem da mancha solar atinge uma resolução espacial cerca de 2,5 vezes maior do que antes, mostrando estruturas magnéticas tão pequenas quanto 20 quilômetros na superfície do Sol”, conta em um comunicado o pesquisador Thomas R. Rimmele, diretor associado do National Solar Observatory (NSO) e autor principal do artigo. 

Essas manchas são bem grandes. A imagem demonstra uma área de cerca de 15 mil quilômetros. Mas as manchas solares são maiores. A Terra caberia perfeitamente em uma mancha solar.

As manchas solares são, em resumo, perturbações magnéticas na superfície do Sol. Ali, o plasma fica abaixo da superfície, e a região é realmente mais fria, embora ainda bastante quente. A superfície do Sol ultrapassa os 5 mil graus Celsius, mas as manchas solares permanecem na casa dos 4 mil graus Celsius. Portanto, consideravelmente mais frio, mas ainda bastante quente. 

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Mas isso não quer dizer que elas não sejam perigosas. Uma mancha não significa menor atividade no Sol, mas uma maior atividade. Quanto mais agitado está o Sol, mais manchas surgem em sua superfície. Essas perturbações magnéticas liberam plasma da superfície do Sol em direção aos planetas, gerando risco para nós e para nossa tecnologia, como já abordamos em um texto.

Qual a importância de observá-las?

As manchas solares causam picos de atividades. (Créditos da imagem: David Chenette, Joseph B. Gurman, Loren W. Acton).

Em dezembro de 2019, o novo ciclo solar. Cada ciclo solar dura 11 anos. Estamos, no momento, nos aproximando do máximo solar, que ocorrerá em 2025. Lá, haverá mais manchas espalhadas pela superfície do Sol e ocorrerão as erupções solares com maior frequência da década. É o período mais perigoso para a Terra. 

As tempestades solares carregam plasma, ou seja, partículas extremamente carregadas. Elas podem danificar equipamentos eletrônicos, como satélites, e até mesmo equipamento na Terra. Além disso, uma tempestade muito forte colocaria a vida dos astronautas em risco. Entenda sobre tudo isso neste link. Mas nem sempre são tão fortes. Elas frequentemente causam transtornos menores, como interferências e interrupções em comunicações de rádio.

Portanto, esta é a importância de se monitorar as manchas solares. Quando mais cedo prevemos uma grande erupção, mais tempo temos para tomar medidas preventivas e minimizar os danos, como desativar redes elétricas de países e estados inteiros, tempo para os astronautas correrem para as cápsulas, etc, no caso de tempestades muito fortes (mais raras).  

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“Com este ciclo solar apenas começando, também entramos na era do Telescópio Solar Inouye”, explica o Dr. Matt Mountain, presidente da Associação de Universidades para Pesquisa em Astronomia (AURA).  “Agora podemos apontar o telescópio solar mais avançado do mundo para o Sol para capturar e compartilhar imagens incrivelmente detalhadas e adicionar aos nossos conhecimentos científicos sobre a atividade do Sol”. 

Com informações de Science Alert e National Solar Observatory.

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.

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