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Saúde & Bem-Estar

A inflamação crônica reduz dopamina no cérebro removendo a motivação

Você já se perguntou por que nos sentimos apáticos ou desmotivados quando estamos nos recuperando de uma doença?
Você já se perguntou por que nos sentimos apáticos ou desmotivados quando estamos nos recuperando de uma doença?

Você já se perguntou por que nos sentimos apáticos ou sem motivação quando estamos nos recuperando de uma doença? Acontece que a ciência finalmente foi capaz de responder a essa pergunta. Uma pesquisa da Universidade Emory explica que a inflamação crônica interfere com o sistema de sinalização dopaminérgica no cérebro que nos dá motivação.

Em um artigo publicado na revista Trends in Cognitive Sciences, os cientistas explicam os vínculos entre a liberação reduzida de dopamina no cérebro, a motivação para fazer as coisas e a presença de uma reação inflamatória no corpo.

O pesquisadores também apresentaram a possibilidade de que isso faça parte do esforço do corpo de otimizar seu gasto energético durante esses episódios inflamatórios. A hipótese apresentada é a de que o corpo precisa de mais energia para curar uma ferida ou superar uma infecção. Para garantir que a energia esteja disponível, o cérebro reduz o impulso natural para executar outras tarefas que gastam a energia necessária para a cura. Isso faz que as tarefas comuns não pareçam valer a pena.

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A falta de motivação em outras doenças

Os autores também publicaram uma estrutura experimental baseada em ferramentas computacionais, projetadas para testar sua teoria. Esta técnica computacional foi projetada para realizar medições experimentais da extensão em que a inflamação de baixo grau afeta a quantidade de energia disponível e a decisão de fazer algo com base no esforço necessário. Isso nos ajuda a entender por que e como os estados inflamatórios crônicos também causam falta de motivação em outras doenças, incluindo esquizofrenia e depressão.

Sabe-se que as células imunes liberam citocinas que afetam o funcionamento dos neurônios liberadores de dopamina no sistema mesolímbico. Essa área aumenta nossa disposição de trabalhar duro em prol de uma recompensa.

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A inflamação crônica reduzir a dopamina no cérebro removendo a motivação. (Imagem: 71648629 via shutterstock.com)
A inflamação crônica reduzir a dopamina no cérebro removendo a motivação. (Imagem: 71648629 via shutterstock.com)

Foi descoberto recentemente que as células imunológicas também possuem uma capacidade única de alternar entre vários estados metabólicos, diferente de outras células. Isso pode afetar os padrões de liberação de citocinas de forma a sinalizar o cérebro para conservar a energia disponível para o uso do sistema imunológico. Esses fatos foram o fundamento da nova hipótese, que a explica em termos de adaptação evolutiva. No ambiente hipotético inicial, o sistema imunológico, diante de abundantes desafios microbianos e predadores, necessitava de enormes quantidades de energia. Por isso, possuía seu próprio mecanismo para sinalizar outros sistemas corporais, através do sistema mesolímbico de dopamina, para controlar o uso de recursos energéticos durante os períodos em que o organismo estava passando por estresse severo ou repentino.

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O seu estilo de vida é muito importante

A vida moderna é relativamente suave e menos desafiadora. Com menos atividade física, a inflamação de baixo grau deve-se principalmente a fatores como obesidade, estresse crônico, síndrome metabólica, envelhecimento e outras doenças do estilo de vida. Isso poderia causar erroneamente que os neurônios da dopamina mesolímbica produzissem menos dopamina. Níveis mais baixos de dopamina, por sua vez, diminuem a motivação para o trabalho, reduzindo a percepção de recompensa e aumentando a percepção do esforço envolvido. Isso economiza energia para se utilizada pelo sistema imunológico.

Estudos anteriores mostraram que um alto nível de funcionamento imunológico associado a baixos níveis de dopamina e motivação reduzida caracteriza alguns casos de esquizofrenia, depressão e outras condições de saúde mental.

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Os cientistas não acreditam que esses distúrbios sejam causados ​​pela inflamação de baixo grau, mas que algumas pessoas que sofrem dessas doenças são hipersensíveis às citocinas imunológicas. Por sua vez, isso poderia fazer com que perdessem a motivação para sua vida diária.

O artigo científico foi publicado na Trends in Cognitive Sciences.

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Milena Elísios
Publicado por

Graduada em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e divulgadora científica por paixão. Aqui na SoCientífica abordo sobre temas variados, mas sempre guiados por boa pesquisa e o rigor científico.

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