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Cidade de 4 mil anos surpreende: desigualdade caiu com seu crescimento, sugere estudo sobre Mohenjo-daro

Por Editado por Damares Alves
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E se nem toda grande cidade antiga tivesse concentrado riqueza nas mãos de poucos? Em Mohenjo-daro, uma das metrópoles mais impressionantes da Idade do Bronze, a desigualdade econômica parece ter diminuído à medida que a cidade se desenvolvia.

É o que aponta um estudo publicado na revista Antiquity pelos arqueólogos Adam S. Green, Iqtedar Alam e Cameron Petrie. A equipe analisou a arquitetura residencial de Mohenjo-daro, no atual Paquistão. A cidade foi um dos principais centros urbanos da Civilização do Indo, que floresceu entre cerca de 2600 e 1900 a.C.

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O resultado desafia a suposição de que a urbanização levaria, inevitavelmente, a sociedades mais desiguais.

Os próprios autores, porém, fazem uma ressalva. O tamanho das casas é apenas uma medida indireta da desigualdade econômica.

Plantas de casas como termômetro da riqueza

Mohenjo-daro é famosa por suas ruas planejadas, seu sofisticado sistema de drenagem e sua infraestrutura pública. Para entender como a riqueza se distribuía ali, os pesquisadores recorreram aos registros das escavações feitas no início do século XX.

Com sistemas de informação geográfica (SIG), a equipe reconstruiu a planta de 309 residências. Em seguida, calculou o coeficiente de Gini, indicador estatístico muito usado para medir desigualdade, com base nas diferenças de área construída entre as moradias.

O valor geral obtido para a cidade foi de 0,44, bem abaixo do registrado em vários outros centros urbanos antigos. Em Cnossos, na Grécia, o índice chega a 0,86. Na cidade maia de Palenque, fica em 0,75. Já Ur, na Mesopotâmia, e a antiga Ugarit ultrapassam 0,6.

O dado mais revelador veio do distrito conhecido como DK-G Sul, onde a sequência arqueológica oferece uma cronologia mais clara. Por volta de 2500 a.C., o coeficiente ali era de aproximadamente 0,39. Por volta de 2100 a.C., havia caído para 0,23, nível próximo ao de sociedades mais igualitárias.

Essa queda coincidiu com mudanças na paisagem urbana. Com o tempo, as casas passaram a se alinhar cada vez mais à malha de ruas planejada da cidade.

Esgotos, pesos padronizados e selos fora dos palácios

Para os autores, o padrão sugere que uma governança coletiva e o investimento em infraestrutura pública podem ter favorecido uma divisão mais equilibrada do espaço residencial. A cidade contava com prédios públicos, redes de drenagem e sistemas padronizados de pesos e medidas.

Outro indício vem dos selos do Indo. Esses objetos foram encontrados, com frequência, em residências, e não em palácios ou templos. Isso sugere que as atividades econômicas talvez não fossem controladas por uma única autoridade governante.

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A hipótese dos pesquisadores é que as mesmas estruturas de governo responsáveis por manter a infraestrutura urbana podem ter ajudado a conter a desigualdade econômica.

O estudo identificou ainda uma possível relação entre menor desigualdade e maior prosperidade. No DK-G Sul, a área mediana das casas primeiro diminuiu e depois voltou a crescer nas fases mais tardias de ocupação, justamente quando a desigualdade atingiu seu nível mais baixo.

Os autores pedem cautela com essa conexão, já que os dados cronológicos disponíveis são limitados. Eles também lembram que a área das moradias não capta todas as diferenças de riqueza, status ou acesso a recursos.

Ainda assim, o retrato que emerge é o de uma forma singular de organização urbana, em que a expansão da infraestrutura cívica caminhou junto com a redução das disparidades. Mohenjo-daro sugere que crescer não significava, necessariamente, se tornar mais desigual.

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