TecnologiaFacebook está finalmente combatendo conteúdos pseudocientíficos de “cura milagrosa”

Esses "tratamentos" são, na melhor das hipóteses, ineficazes - e mortais na pior das hipóteses.
Damares Alves2 meses atrás8 min
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Existe uma ampla variedade de mentiras que são publicadas diariamente nas redes sociais, boa parte delas são tão bobas e fúteis que podem facilmente ser ignoradas.

Mas também há mentiras que têm o potencial de literalmente matar. É importante dar ênfase a esse parágrafo porque as pessoas estão realmente morrendo.

As “curas milagrosas” que podem tratar qualquer doença, desde câncer até autismo, se espalham como um vírus em sites como o Facebook, Twitter e o próprio Google. Agora, o Facebook está finalmente tentando fazer algo a respeito.

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Na última terça-feira, o Facebook publicou uma postagem sobre o falso conteúdo de saúde que hoje é difundido no site.

“As pessoas se reúnem no Facebook para falar, defender e se conectar em torno de questões como nutrição, condicionamento físico e saúde”, escreveu o gerente de produto do Facebook, Travis Yeh, no post. “Mas, para ajudar as pessoas a obter informações precisas sobre saúde e o apoio de que precisam, é importante que minimizemos o conteúdo de saúde sensacionalista ou enganoso.”

A empresa atualizou seus algoritmos de classificação para não colocar os dois tipos de conteúdo abaixo nos feeds de notícias das pessoas:

“Posicionamentos de saúde sensacionalistas que fazem alegações enganosas ou promovem curas milagrosas” e “mensagens que usam declarações relacionadas à saúde para promover produtos ou serviços, como pílulas para perda de peso.”

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No que diz respeito aos posts de saúde sensacionalistas, aqueles que vendem falsas pílulas de emagrecimento, eles caem no espectro, visto que o Facebook também está coberto de posts incentivando as pessoas a renunciar a tratamentos reais de câncer em favor de remédios caseiros sem nenhum tipo de embasamento científico que comprovem sua eficácia.

Também são populares entre os usuários do Facebook outros “tratamentos” incrivelmente perigosos como a “cura do autismo” que aconselha os pais a obrigarem seus filhos a beber água sanitária industrial, por exemplo – sim, você leu corretamente, beber alvejante.

Esses indivíduos se aproveitam da fragilidade e desespero de pessoa doentes para lucrar ou apenas conseguir likes – é duro ver como a sociedade pode ser absurdamente doentia – e, até muito pouco tempo muitas empresas de mídias sociais compactuavam mantendo esse tipo de conteúdo em suas plataformas.

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E nem precisamos mencionar os inúmeros posts e grupos anti-vacinas que contribuem para o surto de doenças como o sarampo, por exemplo, em todo o mundo.

Dadas as implicações de longo alcance desses conteúdos obscuros de saúde, o Facebook está sob crescente pressão para fazer algo a respeito – ou seja, se suas mudanças de classificação recém-anunciadas não puderem efetivamente conter a maré de desinformação médica, será necessário encontrar outra coisa (ou outra empresa) que possa.

Mas o problema é muito mais grave do que se pensa, as medidas adotadas pelo facebook são apenas o início de um longo caminho a ser percorrido.

Cada vez mais pessoas pesquisam respostas e possíveis tratamentos para seus sintomas em ferramentas de busca. A internet oferece um mundo de informações, mas dentro de conteúdos mascados, se esconde um enorme mercado cruel e homicida com extremo potencial de destruir vidas.

Fonte: Facebook, YouTube Overrun With Bogus Cancer-Treatment Claims [The Wall Street Journal]