NotíciaSelecionamos os maiores avanços científicos de 2019 até agora

Os maiores avanços científicos no primeiro trimestre do ano.
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Os maiores avanços científicos no primeiro trimestre do ano.

Os cientistas e pesquisadores de todo o mundo estão sempre procurando descobrir e criar inovações no mundo da ciência e da tecnologia. Seus avanços alteram a vida na Terra e mudam nossa percepção da realidade. As maiores descobertas científicas são um testemunho inspirador das capacidades humanas. Todos os anos, cientistas fazem descobertas incríveis. O que os cientistas aprenderam em 2017 pode ajudá-los a fazer novos avanços em 2018, e as descobertas científicas em 2018 podem influenciar os avanços científicos 2019.

Esta lista de descobertas científicas 2019 apresenta avanços e recentes divulgações que abrangem uma ampla gama de disciplinas. Desde aprender novidades sobre mundos além do nosso planeta a até  desbloquear possibilidades dentro de nossas próprias células, algumas descobertas provocaram uma compreensão mais rica do nosso passado.

Esses avanços e feitos da ciência até agora lhe darão esperança em um futuro mesmo em vezes sombrio. As mais recentes notícias da ciência são inspiradoras para uma nova geração de pensadores que continuarão a empurrar os limites da capacidade humana.

Leia abaixo as maiores descobertas de 2019 e os últimos avanços científicos no balanço da Sociedade Ciência no primeiro trimestre do ano, numeradas apenas para fins didáticos, não sendo a ordem apresentada um julgamento de importância.

5 – Estudo Universidade de Yale reativa atividade celular em cérebro de porcos horas após a morte

Foto: NICHD/Wikimedia Commons/CC BY 2.0

Uma equipe de pesquisa na Universidade de Yale estudou em porcos a restauração da circulação cerebral e das funções celulares horas após aqueles animais terem morrido.

Os pesquisadores descobriram que “uma quantidade surpreendente de função celular foi preservada ou restaurada”. Isso implica que nossa compreensão neurologia previa, que toda atividade celular pára uma vez cortado o suprimento de oxigênio, ainda é limitado.

Os pesquisadores que conduziram esse estudo, por uma questão de ética, tiveram cuidado evitar estimular a atividade cerebral responsável pelo pensamento e a consciência, atividades essas que não foram nem mesmo preservadas artificialmente após a morte dos animais. Ainda assim, as implicações éticas da função celular post-mortem colocam em questão as leis em vigor sobre o bem-estar animal e até a proteção de seres humanos que foram declarados com morte cerebral.

Usando trinta e duas cabeças de porco obtidas de abatedouros, a equipe limpou e isolou cada cérebro antes de ligar os principais vasos sanguíneos a um dispositivo que bombeava um coquetel químico especialmente formulado por seis horas. O procedimento teve início cerca de quatro horas depois que os porcos passavam. A tecnologia usada no estudo é chamada BrainEx.

Embora estar ciente de que a restauração a nível celular da atividade de alguns neurônios é possível horas após a morte possa ser eticamente complicada, a pesquisa também “oferece uma nova maneira de estudar doenças ou lesões cerebrais”. Independentemente disso, a distinção entre um “cérebro vivo” e um “cérebro celularmente ativo” é essencialmente a mesma diferença entre “quase completamente morto” e “completamente morto”. E a designação “quase completamente morto” não costuma carregar consigo uma conotação positiva.

O artigo científico descrevendo o trabalho dos pesquisadores da Universidade de Yale foi publicado na Nature.

4 – Reportado um segundo paciente curado do vírus HIV

Foto: C. GoldsmithContent Providers: CDC/ C. Goldsmith, P. Feorino, E. L. Palmer, W. R. McManus/Wikimedia Commons/Public Domain

O segundo paciente a ser curado do vírus HIV, agente causador da aids, é informado à comunidade médica, o que demonstra que uma cura completa da doença é possível.

Ambos os pacientes foram livres do vírus que causa aids após um transplante de células-tronco de medula óssea de um doador com uma mutação genética rara do gene CCR5. O primeiro paciente a comprovar isso foi um homem de Berlim, Timothy Brown, que ficou conhecido na literatura médica como “o paciente de Berlim”. Ele passou pelo procedimento que eliminou o vírus da seu organismo há mais de uma década. Brown parou de tomar os medicamentos anti-retrovirais utilizados para suprimir o HIV e permaneceu sem vírus.

O segundo homem que teve o mesmo sucesso contra o HIV é um paciente que não teve o nome divulgado, identificado apenas como “o paciente de Londres”. Esse segundo portador do vírus a ser curado parou com sua medicação há dezoito meses e não mostrou sinais de o vírus ter retornado ao seu corpo.

Como transplantes da medula óssea não são uma solução a ser aplicada em larga escala para o tratamento contra o HIV, os cientistas esperam que estes sejam os primeiros passos para “uma estratégia segura, econômica e fácil capaz de alcançar esses resultados usando tecnologia de genes ou técnicas de anticorpos”. Atualmente, é necessário aos pacientes com HIV tomar uma pílula diária para se manter uma pessoa com saudável e lhes assegurar uma vida normal.

O artigo científico publicado na Nature, uma das mais respeitadas publicações científica do mundo, em 5 de março de 2019, detalha como o tratamento da célula-tronco funciona e quais as possibilidades são para o que vem depois.

3- Genoma do tubarão branco é decodificado

Foto: Elias Levy/Flickr/CC-BY 2.0

Em 18 de fevereiro de 2019, cientistas anunciaram que terminaram a decodificar o genoma do tubarão branco (Carcharodon carcharias). Como o maior peixe predador da Terra, o sucesso evolutivo dos tubarões sugere uma riqueza de informações genéticas possíveis, desde o aumento da cicatrização de feridas até uma notável tolerância a danos no DNA. Ao dizer isso, não podemos perder de vista que os tubarões evoluíram do resto do reino animal há 400 milhões de anos, antes mesmo que os primeiros anfíbios aventureiros deixassem os oceanos para terra seca. As adaptações genéticas que esses animais vêm desenvolvendo contidas em seus DNA, que os cientistas agora decodificaram, oferecem muitas possibilidades no mundo da saúde e da medicina. Com toda essa informação genética, revelou o estudo, o grande tubarão branco tem um genoma 1,5 vezes maior do que o de humanos.

O artigo científico foi publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) em 19 de fevereiro.

2 – As primeiras plantas germinam na Lua

Crédito: CNSA/CLEP

Alimentadas com ar, água e nutrientes, bem como levedura e ovos de mosca de fruta na tentativa de formar uma biosfera auto-sustentável, sementes de algodão e batata germinaram seus primeiros brotos em 14 de janeiro de 2019. E esse foi um feito notável, já que estes plantas estão fazendo isso na Lua, embora não diretamente no solo lunar. Esta é a primeira vez que as plantas germinam na Lua, outra ótima notícia da missão chinesa Chang’e 4.

Esse avanço científico com plantas brotando na Lua é importante para aprendermos qual a nossa chance cultivar alimentos na Lua. E isso pode ser importante cada vez mais necessário à medida que exploramos o espaço. Aprender como é possível estabelecer na Lua um ponto de partida para outros planetas é especialmente importante para a China, que espera enviar missões tripuladas a Marte.

1 – Primeiro desembarque no lado “escuro” da da Lua

Foto: CNSA/CLEP

Depois de lançar o Chang’e 4 no início de dezembro de 2018, a China realizou outro feito notável. O país asiático pousou de sua sonda no lado oculto da Lua em 03 de janeiro de 2019 às 10h26 da manhã, horário de Pequim, tornando a sonda Chang’e 4 a primeira nave espacial a realizar tal façanha.

Na foto acima, vemos uma imagem do outro lado da Lua. Registrada pelo aterrissador chinês Chang’e-4, à esquerda está a borda do corpo da sonda, enquanto à direita está a parte direita da perna da sonda, bem como a base do pé, que afundou parcialmente no regolito lunar. O vídeo com o registro o pouso do qual a imagem provem foi divulgado pela estatal chinesa CNSA (sigla para China National Space Administration), a agência espacial chinesa, que coordena o Chinese Lunar Exploration Program – CLEP.

Já a segunda imagem deste item mostrada abaixo, também divulgada pela CNSA, é a primeira fotografia colorida retornada da superfície do outro lado da Lua. A câmera de implementação do rover da Chang’e-4 fez este registro, que mostra uma cratera cheia de poeira nas proximidades, e a implantação rampa do rover no topo da foto.

Embora o lado “escuro” da Lua nem sempre seja verdadeiramente escuro, o lado mais distante do satélite da Terra é relativamente desconhecido, já que está constantemente voltado para longe do planeta.

A incapacidade de ver diretamente a superfície lunar no lado “de trás” do nosso satélite natural também aumenta a dificuldade de pousar qualquer espaçonave nela. Embora o lado mais distante da Lua já tenha sido completamente mapeado, o módulo Chang’e 4 é o primeiro artefato humano a realmente aterrissar nessa parte intocada do satélite.

Crédito: CNSA/CLEP

Além do feito ser notável no sentido da exploração em si, uma sonda no outro lado da Lua pode abrir caminho para que possamos observar o espaço mais claramente, graças à própria Lua bloqueando os sinais de rádio vindos da Terra. Como explicou Yu Guobin, o porta-voz da missão, “esta sonda pode preencher a lacuna da observação de baixa frequência na radioastronomia e fornecerá informações importantes para o estudo da origem das estrelas e da evolução de nebulosas”. Veja o vídeo neste link, no site da agência de notícias Associated Press ou pelo YouTube clicando aqui.

Bônus

Cientistas revelam a primeira imagem real de um buraco negro

Crédito: Event Horizon Telescope Collaboration et al.

Em 10 de abril de 2019, a colaboração que reuniu importantes instituições científicas em todo chamada  Event Horizon Telescope (EHT) divulgou a primeira imagem bem-sucedida do horizonte de eventos de um buraco negro. O buraco negro em questão está da galáxia Messier 87: a maior e mais massiva (termo técnico da física) galáxia do nosso superaglomerado local de galáxias. Os astrônomos de o mundo expressaram admiração e empolgação pela primeira visão real, já que todas as outras imagens existentes até então eram simulações computacionais feitas a partir de dados observacionais e matemáticos, deste misterioso devorador galáctico.

No centro da Messier 87, uma enorme galáxia no aglomerado de galáxias de Virgem, está o buraco negro supermassivo. Designada simplesmente de M87 (a 87ª galáxia no catálogo de Messier) e localizada a mais de 55 milhões de anos-luz da Terra, é nela que o monstruoso gigantesco buraco negro está, bem no seu centro, com massa equivalente a 6,5 bilhões de vezes a massa do nosso sol. E esse é o buraco negro registrado pelos cientistas do EHT, denominado M87*.

“Este é um grande dia para a astrofísica”, disse a diretora National Science Foundation (NSF), France Córdova, em comunicado. “Estamos vendo o invisível. Buracos negros têm impulsionado a imaginação por décadas. Eles têm propriedades exóticas e são misteriosos para nós. No entanto, com mais observações como esta, eles estão revelando os seus segredos. É por isso que a NSF existe. Nós capacitamos cientistas e engenheiros para iluminar o desconhecido, para revelar a majestade sutil e complexa do nosso universo”. A NSF é uma agência governamental ligada ao governo federal dos Estados Unidos que promove a pesquisa e educação fundamental em todos os campos da ciência e da engenharia.

A galáxia M87 (Crédito: Chris Mihos, Case Western Reserve University/ESO/Wikimedia)

A imagem acima é um fotografia da distante galáxia M87. A gigantesca galáxia elíptica Messier 87 aparece nesta imagem de campo profundo, uma imagem produzida a partir do zoom em uma pequena região do espaço. Foi o buraco negro supermassivo no coração desta galáxia que teve sua imagem recentemente capturada por uma equipe internacional de pesquisadores e somente revelada ao mundo depois de dois anos de pesquisas e confirmações.

Apesar de seu tamanho supermassivo, o M87* está longe o suficiente de nós para representar um enorme desafio para que qualquer telescópio existente hoje capturasse sozinho a imagem. De acordo com a Nature, para que isso fosse possível, exigiria algo com uma resolução mais de mil vezes melhor do que o Telescópio Espacial Hubble. Em vez disso, os astrônomos decidiram criar algo maior. Muito maior.

Em abril de 2018, os astrônomos sincronizaram uma rede global de radiotelescópios para observar o ambiente nas imediações cósmicas do M87*. Com todos os telescópios trabalhando juntos, as instituições de pesquisa se organizaram para formar o Event Horizon Telescope (EHT), um observatório virtual do tamanho de um planeta capaz de capturar detalhes sem precedentes de corpos celeste em grandes distâncias.

Veja o anúncio do feito no vídeo a seguir (em ingês).