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Uma segunda estrela pode ter sido companheira binária do Sol

Concepção artística do Sol e sua companheira. (Créditos da imagem: M. Weiss)

Pode ter havido, no sistema solar, uma companheira binária do Sol. Isto é, o sistema solar pode ter sido um sistema binário – sistema composto não por uma, mas duas estrelas. 

Essa é a conclusão que chega um novo estudo, publicado no The Astrophysical Journal Letters. A ideia pode nos parecer estranha mas sistemas binários são extremamente comuns pelo universo. Mas a ideia é mais antiga, e já havia sido proposta por outros pesquisadores.

Em um sistema binário, as estrelas estão realmente muito próximas uma da outra. Às vezes é possível identificar a olho nu, mas geralmente a proximidade é tanta, que para nossa visão a partir da Terra, trata-se de apenas um estrela.

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companheira binária do Sol

Cena do filme Star Wars de George Lucas, mostra um sistema solar binário.

A dupla é formada por Amir Siraj, estudante de astrofísica em Harvard e pelo professor Abraham Loeb, também de Harvard. Eles argumentam que ainda é possível se detectar os traços dessa segunda estrela na nuvem de Oort.

A nuvem de Oort é uma gigantesca nuvem de poeira, gases e rocha espacial que circunda o sistema solar. Trata-se dos restos da formação do Sol e dos planetas e, no momento, de uma estrela já morta. 

A nuvem de Oort é realmente grande. Para se ter ideia, ela circunda o sistema solar até  uma distância de mais de 100 mil Unidades Astronômicas do Sol (1 UA é a distância média da Terra ao Sol), o que equivale a pouco mais de 1,5 ano-luz.

São bilhões, ou mesmo trilhões de fragmentos. De lá saem vários asteroides, além de cometas e outros diversos objetos. Justamente essa abundância pode ser mais uma evidência de um segundo Sol.

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Simulando o nascimento

Sempre que os cientistas tentam simular o surgimento do sistema solar em modelos computacionais, ocorre um problema: nunca sobram tantos fragmentos a ponto de formar algo tão grande como a nuvem de Oort. 

Loeb e Siraj descrevem a nuvem de Oort como “um mistério não resolvido”. Ou seja, até os dias de hoje, ninguém sabe exatamente como ela se formou, e de onde veio esse material.

“Um companheiro estelar do Sol aumentaria a chance de capturar objetos do aglomerado de nascimento do Sol”, conforme disse Loeb em um e-mail para o Gizmodo.

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Aglomerado de nascimento é o mesmo que um berçário estelar. É literalmente um berçário de estrelas. É comum que em regiões com grandes concentrações de massa, diversas estrelas surjam juntas. Muitas vezes, entretanto, esses aglomerados estelares acabam se separando.

“O Sol e seu companheiro agem como uma rede de pesca que prende objetos gravitacionalmente quando eles passam perto de uma das duas estrelas e perdem energia ao chutá-la levemente”, explica.

E não é uma hipótese maluca, já que há precedentes. “Uma grande parte das estrelas semelhantes ao Sol nascem com companheiros binários”,  diz Siraj ao Inverse.

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“E então, em retrospecto, é bastante surpreendente que nunca tenha sido considerado seriamente que o Sol tinha um companheiro binário primitivo que foi perdido”, explica.

Se existiu, a companheira binária do Sol é extremamente primitiva. Em outras palavras, foi perdido logo após o surgimento das estrelas, muito antes da vida na Terra sonhar em existir, bilhões de anos atrás.

“É totalmente plausível que o Sol pudesse ter começado sua vida como um sistema binário”, diz ao Gizmodo o professor de ciência planetária da Caltech Konstantin Batygin, que não participou do estudo.

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O estudo foi publicado no The Astrophysical Journal Letters. Com informações de Gizmodo e Inverse.

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.


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