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Ciência

Aquecimento do oceano causa nascimentos prematuros de tubarões

Filhotes de tubarões estão nascendo prematuros demais. Pesquisas apontam que isso está acontecendo devido ao aquecimento da água do mar. (Strobilomyces)

Grandes espécies de tubarões, como o tubarão-branco ou o tubarão-tigre, dão a luz a seus filhotes. Por outro lado, espécies menores, em geral, botam ovos que posteriormente vão dar origem ao filhote do animal. O tubarão-epaulette (Hemiscyllium ocellatum)é um desses últimos. Conhecida por ser uma espécie resistente, pesquisadores descobriram esses animais nas águas da Indonésia em 2006. A questão, no entanto, é que os ovos de tubarão-epaulette estão eclodindo cada vez mais cedo, dando origem a filhotes prematuros que estão tendo problemas para sobreviver. Evidências indicam, aliás, que isso está acontecendo por culpa do aquecimento das águas oceânicas.

(Imagem de Pexels por Pixabay)

No estudo publicado no periódico Scientific Reports, cientistas mostram como o aquecimento da água onde os ovos estão causa o aceleramento do desenvolvimento do embrião. De acordo com os pesquisadores, em águas mais quentes o filhote acaba por consumir todo o vitelo do ovo (a reserva de nutrientes) muito rapidamente. Isso faz com que os filhotes acabem mais prematuros e menos desenvolvidos do que seriam em águas mais frias. Os autores apontam, ainda, que essa essa espécie tem uma tendência a ser resistente a variações no ambiente. Portanto, espécies menos tolerantes podem já estar sentindo os efeitos de forma mais drástica.

(Imagem de Suyeon Kim por Pixabay )

Tubarões e o equilíbrio do ecossistema

Tubarões estão muito acima na cadeia alimentar dos oceanos. Eles são de longe os predadores mais importantes e evoluídos dos sete mares. Contudo, apesar de serem muito adaptados a caçar, os tubarões são frágeis a mudanças climáticas – assim como a maior parte da biodiversidade do mundo. Uma vez que o número de tubarões diminua demais, as populações das suas presas podem explodir. Isso pode acarretar um desequilíbrio gigantesco na cadeia alimentar oceânica, levando mesmo ao colapso do ecossistema. Por esse motivo os pesquisadores alertam que em certo ponto os tubarões podem parar de se desenvolver devido à temperatura da água, que deve chegar aos 31°C até 2100.

O artigo está disponível no periódico Scientific Reports.

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Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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