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Plantas & Animais

Estudo mostra que o sono já existia antes do cérebro evoluir

Hidras
Daniel Stoupin

As hidras são animais extremamente simples, parentes das águas-vivas. Esses cnidários, por conseguinte, habitam rios e lagos por todo o mundo e raramente passam dos 30 milímetros de comprimento. Uma coisa que chama atenção nesses animais, é que as hidras não possuem cérebro, apenas alguns neurônios espalhados ao redor do corpo. Por esse motivo, aliás, pesquisadores ficaram impressionados ao descobrir que esses animais podem ter um estado parecido com o sono, mesmo sem ter um sistema nervoso complexo.

Hidra em visão de microscópio (Créditos: Oinari-san)

Para avaliar isso, ademais, os cientistas observaram as hidras ao longo de dias, registrando a atividade dos animais. Durante um período de 4 horas, os cnidários ficavam mais parados, num estado dormente. Após isso, pelas próximas 4 horas os bichos ficavam mais ativos e se movimentavam mais. Além do mais, os pesquisadores registraram que as hidras podiam ser acordadas pela luz de uma lanterna e que o metabolismo delas ficava bem mais lento durante o “sono” – característica marcante desse estado em animais mais evoluídos.

Não obstante, as hidras também reagiram a hormônios conhecidos por regular os períodos de sono e vigília nos animais. A melatonina, por exemplo, ajuda a regular os ciclos circadianos em quase todos os animais. A exposição à melatonina causou, também, um aumento desse estado de dormência dos bichos.

O que é o sono?

O sono, afinal, é um estado fisiológico e de consciência em que o metabolismo fica muito mais lento. Dessa forma, ele é essencial para manutenção e bom funcionamento do corpo. Além do mais, tudo indica que o sono está profundamente ligado ao sistema nervoso central. Durante esse estado, o cérebro de animais mais evoluídos – como nós, humanos – faz o processamento de todas as informações vividas durante a vigília.

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(Imagem de Daniela Dimitrova por Pixabay)

Contudo, o estudo em questão (publicado no periódico Science Advances) mostra que o sono pode não ser tão profundamente ligado ao cérebro em algumas espécies. Além do mais, a pesquisa mostra que o sono tem uma origem muito mais antiga do que a própria formação de sistemas nervosos mais complexos. Mais um motivo para ter uma noite bem dormida.

O artigo está disponível no periódico Science Advances.

Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.


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