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Descoberto recife de corais mais alto que a Torre Eiffel

Essa é a primeira descoberta de um recife de corais tão grande nos últimos 120 anos.

Diversas espécies foram descobertas juntamente ao colossal recife de corais (Imagem por Schimdt Ocean Institute)

No dia 20 de outubro, uma expedição científica do Shimidt Ocean Institute descobriu um recife de corais mais alto que a Torre Eiffel. A estrutura é separada da Grande Barreira de Corais da Austrália, mas ainda assim é ligada a outros recifes próximos. Não obstante, essa é a primeira descoberta de um recife de corais tão grande nos últimos 120 anos.

Medidas preliminares mostram que a estrutura tem em torno de 1500 metros de largura em sua base e o topo dos corais está a 40 metros de profundidade e 500 metros de altura do solo oceânico. Este recife, portanto, está em regiões mais fundas do que os demais da Grande Barreira. Contudo, esse ecossistema não foi descoberto por acaso. A expedição em questão está atualmente numa missão de exploração que vai durar 12 meses.

Além do mais, cinco dias após a descoberta, o Schimidt Institute mandou um submarino robô para explorar a região. O resultado pode ser observado na livestream da missão que segue abaixo.

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Livestream da exploração do recife de corais recém-descoberto

Como é possível um recife de corais mais alto que a Torre Eiffel?

Primeiramente, temos que ter em mente a formação dos recifes de corais. Sobretudo, eles são compostos por calcário, corais, algas, esponjas e anêmonas. Contudo, os corais ainda são regiões de reprodução de diversos outros animais como tartarugas e tubarões. Justamente por serem essas estruturas enormes os corais oferecem abrigo para uma infinidade de espécies marinhas.

Diversas espécies foram descobertas na mesma missão que encontrou o massivo recife de corais.
Corais são animais e os recifes são formados também por inúmeras outras espécies. (Imagem por Schimdt Ocean Institute)

Conforme os corais vão morrendo, eles formam mais calcário e mais corais crescem em cima. Assim, os recifes podem crescer até alcançar esses tamanhos incríveis. Vale lembrar que os corais são animais – cnidários – que se reproduzem por brotamento. Então, um broto de um coral é geneticamente idêntico ao original. Além do mais, esses animais caçam pequenos peixes com seus tentáculos, semelhante às águas-vivas.

Corais são animais pertencentes ao mesmo filo das águas-vivas. Eles utilizam tentáculos para capturar peixes, mas dependem de algas para sua alimentação.
Coral registrado durante a expedição de exploração. (Imagem por Schimdt Ocean Institute)

Entretanto, corais não se alimentam só de peixes. Na verdade, a maior parte do alimento vem das algas. Os corais não se alimentam das algas, mas aproveitam os nutrientes que elas produzem. As algas, por sua vez são protegidas pelos corais e recebem a luz que precisam para fazer fotossíntese.

A missão do Schimidt Ocean Institute e tantos outros

A missão que descobriu o coral massivo em questão é parte de um esforço de diversos cientistas e instituições. Aliás, o objetivo dessas e outras explorações não é só mapear os corais, mas também protegê-los.

A questão aqui é, mais uma vez, o aquecimento global. Os corais são estruturas muito sensíveis a variações no ambiente. Com o aumento da poluição, além do mais, as águas não ficam só mais quentes como também mais ácidas. Isso é fatal primeiramente para as algas. Com a morte desses organismos fotossintetizantes, os corais morrem em seguida. Derramamentos de óleo e poluentes na água também podem causar a morte dos recifes.

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Cientistas do Schimidt Ocean Institute em uma missão de exploração do recife.
Cientistas e Instituições ao redor do mundo estão lançando projetos de proteção e mapeamento do oceano. (Imagem por Schimdt Ocean Institute)

Além da proteger, é preciso conhecer o fundo dos oceanos também. Nessa mesma expedição foram descobertas mais de 30 novas espécies de peixes, bem como um sifonóforo de 45 metros!

Como dito antes, ademais, os corais são estruturas essenciais para milhares de outras espécies aquáticas. Eles são, aliás, os ecossistemas mais antigos da terra. O branqueamento (morte das algas e corais) precisa, portanto, ser evitado a todo custo. Vale lembrar que toda a indústria da pesca depende da reprodução dos peixes, que acontece, principalmente, nos corais.

Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.


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