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Plantas & Animais

Pintar olhos nas nádegas do gado pode assustar predadores

pintar olhos no gado
Imagem: Ben Yexley

Pesquisadores desenvolveram uma nova metodologia super eficaz para afastar os predadores de rebanhos das regiões rurais localizadas em Botswana, um país do continente africano. Assim, a solução encontrada foi a de pintar olhos nas nádegas do gado presente nas fazendas locais. E por mais inusitado que possa parecer, a pintura realmente deixou os predadores com receio de atacar novamente.

Basicamente, a pintura é feita com grandes e expressivos olhos, afim de assustar e amedrontar os animais que costumam atacar de maneira frequente.

Os perigos existentes nas belas paisagens da África

Apesar de ter paisagens dignas de belas fotografias, Botswana também possui grandes predadores que precisam se alimentar com frequência. É nessas terras africanas onde pode ser encontrado o Delta do Okavango, o maior delta do mundo.

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A medida em que o crescimento populacional avança, as pessoas precisam de cada vez mais território para cultivar alimentos e criar animais. Quando as pessoas desmatam as regiões para a produção de pastos e plantações, elas destroem o habitat de diversos animais, e com isso, aumentam significativamente os conflitos entre humanos e animais selvagens, uma vez que estes últimos acabam tendo de buscar alimento cada vez mais próximo de vilas e fazendas.

A presença de predadores pelos arredores de fazendas e sítios na zona rural deixa os fazendeiros bastante preocupados. Isso porque, esses animais acabam invadindo todos os cercados e se alimentando dos rebanhos.

Predadores fazendo sua presa de refeição
Predadores fazendo sua presa de refeição. Fonte: Pixabay

Pensando em um jeito de amenizar a situação para os agricultores, pesquisadores da Universidade de New South Wales (UNSW), decidiram pintar olhos nas nádegas do gado. Para causar nos predadores, uma sensação de que eles falharam e foram avistados pelas vítimas, antes que pudessem chegar para ataca-las.

De acordo com o professor e pesquisador da UNSW, o Dr. Neil Jordan e Taronga Western, durante um comunicado na SCIMEX, “os leões são predadores de emboscada que dependem de perseguição e, portanto, o elemento de surpresa, de modo a ser visto por suas presas pode levá-los a abandonar a caça”.

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Mesmo estando em fase inicial, essa técnica se mostrou bastante positiva até o momento. Assim, foi uma saída que visa a diminuição dos ataques de animais selvagens contra o rebanho criado.

Pintar olhos nas nádegas do gado realmente afasta os predadores?

Desde os tempos mais remotos, a criação de gado é algo que precisa ser repensada. Uma vez que o país sofre com a falta de água e longos períodos de seca. Então, são dois fatores que interferem para a criação de gado nesse país: a escassez de água e os predadores selvagens. Assim, de acordo com Jordan, seu estudo serviria para “testarmos se poderíamos invadir essa resposta para reduzir as perdas de gado, protegendo potencialmente os leões e os meios de subsistência ao mesmo tempo.

Segundo um censo feito em 2017, a população de gado de Botswana era composta por 2,5 milhões de cabeças e caiu para 1,7 milhão no ano de 2015.

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Para o estudo foram realizados testes em 14 tipos diferentes de rebanhos que já haviam sofrido ataques predatórios. A distribuição da amostra foi feita da seguinte maneira: 1/3 do gado tinha dois olhos pintados, 1/3 tinha uma cruz e o outro 1/3 restante, ficou sem desenho. O estudo teve um período de observação em torno de 4 anos e o resultado foi: 1/3 do rebanho com olhos pintados sobreviveu, de 1/3 do gado com cruz, apenas 4 foram atacadas e das sem pinturas, 15 foram predadas.

Pinturas que foram utilizadas para separar os rebanhos e dividi-los em amostras
Pinturas que foram utilizadas para separar os rebanhos e dividi-los em amostras. Fonte: Radford et al/Nature

Para Jordan, “embora esses resultados apoiem ​​nosso palpite inicial de que criar a percepção de que o predador foi visto pela presa levaria ao abandono da caça, também houve algumas surpresas. O gado marcado com cruz simples teve uma probabilidade significativamente maior de sobreviver do que o gado não marcado do mesmo rebanho. Embora pintar olhos nas nádegas do gado tenha gerado uma maior probabilidade de sobreviver, esse efeito sugere que até uma marca de cruz, eram melhores do que nenhuma marca, o que era inesperado”.

Com informações IFL Science e Nature.

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Ruth Rodrigues
Publicado por

Bióloga de formação, mas divulgadora científica de coração. Escreve sobre o mundo das ciências para o SoCientífica.

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