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História & Humanidade

Mensagem de pombo correio com mais de cem anos é encontrada na França

(Agence France-Presse / Reprodução).

Você já deve ter se deparado com uma mensagem de pombo correio em algum filme. Desde a Antiguidade, diversos povos utilizaram amplamente os pombos correios para entregar mensagens importantes de forma rápida, quando ainda não havia internet, telefone sem fio, e a utilização de telefones por cabos e telégrafos ainda não atingiam todos os locais desejados e necessários para uma comunicação de fato global, como possuímos hoje em dia com a internet. 

Mensagem conservada

Um casal que passeava em setembro pela Alsácia francesa, uma região no leste da França bastante próxima às fronteiras com Alemanha e Suíça, encontrou uma pequena cápsula de alumínio. Dentro da cápsula, conservava-se uma mensagem de pombo correio em alemão, em uma letra não muito legível. 

Ao encontrar, o casal o levou para o museu mais próximo, o Museu Linge em Orbey, na França. Então, Dominique Jardy, uma curadora do museu, contatou um amigo alemão para desvendar e traduzir a quase apagada mensagem. Conforme o The Guardian, a carta diz algo como:

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“O Pelotão Potthof recebe fogo enquanto eles se aproximam da fronteira oeste do Campo de Parada, pelotão Potthof recebe fogo e recua depois de um tempo. Em Fechtwald meio pelotão foi desativado. O Pelotão Potthof recua com pesadas perdas”.

(Reprodução).

Escrita em alemão e enviada por um soldado prussiano (a Prússia foi o mais poderoso reino do Império Alemão), não se sabe muito sobre a carta. Os historiadores também não possuem certeza quanto a data da carta, mas parece ser 1910 ou 1916. Talvez tenha sido em 1916 mesmo, ano corrente da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Conturbada Alsácia

Embora seja hoje da França aquela época a comuna francesa de  Ingersheim integrava o Império Alemão. É fácil notar isso pelo nome, caracteristicamente Alemão. Além disso, se você buscar por imagens, notará que a arquitetura dos prédios históricos é, também, claramente de inspiração alemã. 

A Alsácia possui uma história conturbada, alvo histórico de disputas entre franceses e germânicos.

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Os Habsburgos haviam cedido a Alsácia inteira para a França em 1648, ao término da Guerra dos Trinta anos. No entanto, o povo que habitava aquela região era, predominantemente germânico, e após a Guerra Franco-Prussiana, que ocorreu de 1870 a 1871, a Alsácia reunificou-se aos outros territórios germânicos. Nessa época surge o Império Alemão.

Após o término da Primeira Guerra Mundial, através do Tratado de Versalhes, os vencedores humilharam a Alemanha (o que ocasionaria, mais tarde, na ascensão do Nazismo). Então, a França pegou de volta a Alsácia que, desde então faz parte do território francês, mas o povo ainda apresenta características germânicas.

Pombos correios

Para mais uma dose de aprendizados históricos, estávamos falando de pombos correios, certo? O uso dos pombos correios remetem a tempos bastante antigos. Os Romanos Antigos utilizaram pombos correios, Genghis Khan (do qual falamos em um texto recente), estabeleceu uma complexa rede de comunicação para manter seu gigantesco Império de guerra constante. Os nobres europeus também utilizaram muito o pombo correio.

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Esse meio de comunicação ficou mesmo famoso na Europa (onde foi mais utilizado), durante o Cerco de Paris, em 1870, durante a já citada Guerra Franco-Prussiana. Isso facilitou a comunicação e, consequentemente, a sobrevivência do parisienses, o comando da França. 

Durante a Primeira Guerra Mundial, todos os países utilizaram o pombo correio. Conforme o New York Times, somente a França utilizou 30 mil pombos para a comunicação durante a guerra. Os alemães utilizaram até mesmo pombos fotógrafos. No entanto, logo passaram a utilizar aviões de reconhecimento, e os pombos fotógrafos, não muito práticos, caíram em desuso. 

Durante a Segunda Guerra Mundial também utilizou-se os pombos correios, e até os dias de hoje (ou pelo menos até 2004, quando o New York Times publicou a matéria em questão), utiliza-se os pombos para o transporte rápido de amostras de sangue em algumas regiões mais remotas da França e da Grã-Bretanha (tarefa que possivelmente os drones já tomaram ou logo tomarão). Diversas são as aplicações dos pombos no século XXI, e até mesmo os traficantes os utilizam.

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Com informações de The Guardian e The New York Times.

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.


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