Em cerca de um mês, a sonda Hera, da Agência Espacial Europeia (ESA), deve se encontrar com o par de asteroides Didymos e Dimorphos. Foi esse sistema que a missão DART, da NASA, atingiu de propósito em 2022. O encontro, previsto para novembro, permitirá observar de perto as marcas deixadas pela colisão.
Por enquanto, os dois asteroides aparecem como pouco mais que alguns pixels nas câmeras da nave.
A Hera viaja a cerca de 12 quilômetros por segundo em relação à Terra. Ela foi lançada em 7 de outubro de 2024 por um foguete Falcon 9, da SpaceX, a partir de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, e levou pouco mais de dois anos para chegar ao destino.
Trata-se da primeira missão da classe do Programa de Segurança Espacial da ESA. Durante a viagem, a sonda passou por Marte em março de 2025 e fotografou a lua Deimos. Em julho de 2026, registrou sua primeira imagem de Didymos, ainda à distância.
Didymos foi descoberto em 11 de abril de 1996 pelo levantamento Spacewatch, no observatório de Kitt Peak. Ele tem 780 metros de diâmetro, gira em torno de si mesmo a cada 2,2 horas e completa uma volta ao redor do Sol a cada 2,1 anos.
Em 2003, astrônomos perceberam que ele tinha uma pequena lua: Dimorphos, uma rocha de 151 metros. Sistemas assim não são raridade, já que cada vez mais asteroides vêm se revelando pares binários. Assim como a nossa Lua, os dois corpos são escuros e ricos em silício.
O encontro ocorrerá a 1,5 unidade astronômica do Sol, ou seja, uma vez e meia a distância média entre a Terra e a estrela. A iluminação é mais fraca, mas ainda suficiente para alimentar os dois painéis solares da Hera, cada um com 5 metros de comprimento.
Um teste real de defesa planetária contra asteroides
Pouco antes do impacto, a DART revelou que Dimorphos é um asteroide do tipo “pilha de entulho”, semelhante a Bennu e Ryugu. Esses corpos foram visitados pelas missões OSIRIS-REx, da NASA, e Hayabusa2, da agência japonesa JAXA. Aglomerados de rochas assim devem estar no limite entre se manter coesos e se desfazer.
A nave americana atingiu Dimorphos a 6,6 quilômetros por segundo. Segundo a NASA, o choque alterou a órbita da pequena lua em torno de Didymos. O período orbital, originalmente de 11 horas e 55 minutos, encolheu cerca de 32 minutos.
Nas semanas seguintes ao impacto, o telescópio espacial Hubble flagrou um rastro de detritos se estendendo a partir do par de asteroides.
As primeiras imagens de aproximação da Hera devem mostrar Dimorphos de perto pela primeira vez desde a colisão. Esse tipo de estudo pode ser útil caso a humanidade precise, um dia, desviar um asteroide em rota de colisão com a Terra.
A sonda não trabalhará sozinha. Logo após o encontro, ela vai liberar dois pequenos satélites do tipo CubeSat. O Milani, construído pela Tyvak International, sediada em Turim, na Itália, vai analisar a nuvem de poeira ao redor dos asteroides e estudar a composição espectral do par.
Já o Juventas, desenvolvido pela GomSpace Luxembourg, vai comparar a estrutura interna dos dois corpos e pode até se aproximar de Dimorphos e pousar em sua superfície. Ali, a gravidade é tão fraca que um astronauta hipotético levaria dias para cair, lentamente, até o chão.
A ESA também divulgou um guia que imagina a paisagem vista da superfície desses asteroides. O cenário seria um terreno coberto de pedregulhos sob um céu que gira, dominado pela presença do companheiro vizinho.
A missão principal da Hera termina em 2027. Depois disso, os controladores da ESA podem estender a vida da sonda como demonstradora de tecnologia, usando-a para testar técnicas de controle autônomo de espaçonaves.





