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Saúde & Bem-Estar

Bactérias do iogurte podem ajudar na regeneração de ossos

Cientistas chineses descobriram que as bactérias do iogurte – Lactobacillus casei – podem ajudar a curar fraturas ósseas.

Novos estudos sugerem que as bactérias Lactobacillus casei, presentes no iogurte, podem ajudar a regenerar fraturas ósseas e evitar infecções super-resistentes.(Imagem de Aline Ponce por Pixabay)

Fraturas em ossos são muito dolorosas e podem levar um longo tempo de recuperação. Tendo isso em vista, muitos médicos e cientistas estão em busca de uma solução mais rápida para lesões nos ossos. Assim cientistas chineses descobriram que as bactérias do iogurte – Lactobacillus casei – podem ajudar a curar fraturas ósseas. Além do mais, esses microrganismos ainda podem ajudar a prevenir infecções de outras bactérias super-resistentes a antibióticos.

Já se sabia que as L. casei evitam infecções. Acontece que essas bactérias estão presentes na flora intestinal dos seres humanos, naturalmente. Assim, elas precisam competir com outras bactérias que causam doenças. Para tanto, esses microrganismos produzem um tipo de antibiótico: uma bacteriocina. Essa proteína evita que bactérias de outras espécies se desenvolvam perto das colônias de L. casei.

(Imagem de nadya_il por Pixabay)

Contudo, os cientistas chineses também suspeitavam que esse micróbio poderia estimular a recuperação de ossos. Isso porque as L. casei produzem também proteínas que estimulam a cicatrização dos ossos. Para verificar isso, os cientistas aplicaram todos essas coisas produzidas pelas bactérias em fraturas de ossos de ratos. Os resultados foram significativos: os ratinhos que receberam o tratamento tiveram uma melhora de 27%. Os que não receberam, por outro lado, melhoraram apenas 16%.

Como as bactérias do iogurte evitam infecções

Os maiores vilões dos microrganismos são as superbactérias. Esses micróbios acabaram ficando resistentes a praticamente todos os tipos de antibióticos. Por esse motivo, aliás, muitos pacientes de UTI’s acabam tendo infecções intratáveis. As bactérias Staphylococcus aureus, por exemplo, podem causar desde infecções cutâneas até pneumonia. No entanto, muitas cepas de S. aureus acabaram desenvolvendo resistência a todo tipo de medicamento.

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Isso acontece justamente pelo mau uso de antibióticos. Você já deve ter ouvido que é preciso tomar os antibióticos pontualmente quando eles são receitados. Essa é a recomendação para que a concentração de medicamento possa matar todas as bactérias que causam a infecção. Todavia, quando os prazos não são respeitados, ou o paciente esquece de tomar o medicamento, apenas as bactérias menos resistentes morrem. Isso faz com que aquelas que são resistentes fiquem com o caminho livre para se desenvolver.

É assim que surgem as superbactérias. E as L. casei podem combater esses micróbios que são bem comuns, inclusive, em fraturas nos ossos. Portanto, essas bactérias do iogurte podem ajudar na regeneração dos ossos e também no combate a possíveis infecções.

Como é feito o tratamento dos ossos

Em geral, a melhor forma de tratar uma fratura leve é deixar que ela se trate sozinha. Muitas vezes o lugar machucado recebe imobilização para facilitar a cicatrização. Porém, fraturas mais sérias, como as causadas por osteoporose, frequentemente precisam de próteses de titânio. Esse tratamento nem sempre é efetivo e pode ser muito doloroso, além de facilitar infecções de S. aureus.

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(Imagem de Dr. Manuel González Reyes por Pixabay)

A descoberta dos pesquisadores chineses, nesse sentido, pode ajudar a acelerar de forma significante a melhora dos pacientes de fraturas nos ossos. Vale lembrar que apesar dos bons resultados, esses tratamentos ainda não são aplicados clinicamente. Isso porque os produtos das L. casei ainda precisam tomar a forma de medicamentos. Além do mais, muitos testes são necessários antes que isso possa chegar de fato aos hospitais.

Apesar disso, os resultados ainda são bem animadores e podem representar uma boa melhora na qualidade de vida de qualquer um com problemas ósseos.

O artigo foi publicado no periódico Science Advances.

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Mateus Marchetto
Publicado por

Aluno de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, professor de inglês, apaixonado por ciência e divulgação científica. Me interesso principalmente pelas áreas de microbiologia, bioquímica e bioinformática.

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