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Astrônomos encontram “fóssil” de outra galáxia na Via Láctea

(ESO/S. Guisard)

Fusões constroem galáxias. A Via Láctea, inclusive, veio de diversas fusões. Pois é, a história do universo e das dinâmicas que por aqui ocorrem não é muito pacífica. Portanto, se quisermos entender o surgimento, evolução e o destino das galáxias, precisamos entender como e quando essas fusões ocorreram, de buscar por fóssil “fóssil” de outra galáxia – ou outras.

Recentemente, uma equipe de cientistas trabalhava com os dados do Experimento de Apache Point Observatory Galactic Evolution Experiment  (APOGEE) do Sloan Digital Sky Survey. Então, em meio aos dados, eles encontraram a galáxia perdida. Já houve outras fusões, é claro, como relatamos no texto disponível neste link.

Por exemplo, a Via Láctea se chocará com a nossa vizinha com o dobro do tamanho, a galáxia de Andrômeda. Mas fique tranquilo, isso ainda levará alguns bilhões de anos. Até lá, então, a humanidade provavelmente se extinguirá. Esse futuro e inevitável choque entre as duas galáxias gerará, então, uma nova galáxia, assim como a Via Láctea é fruto de inúmeras fusões do passado.

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Os cientistas descreveram o estudo em um artigo no periódico  Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Fóssil de outra galáxia

Dez bilhões de anos atrás, cerca do dobro da idade do sistema solar, Hércules, como os pesquisadores chamaram a galáxia, se chocou com a Via Láctea. Hoje, então, a galáxia de Hércules equivale a uma região próxima ao núcleo de nossa galáxia, conforme demonstra a imagem abaixo:

(Danny Horta-Darrington (Liverpool John Moores University) / NASA/JPL-Caltech / SDSS).

A Via Láctea possui 13,5 bilhões de anos, quase a idade do universo. Mas nem sempre ela foi como hoje. Cerca de um terço de todas as estrelas da Via Láctea vieram desta colisão, conforme estimam os pesquisadores. Como há muito espaço entre as estrelas, poucas realmente colidem. No entanto, as novas influências gravitacionais geram um verdadeiro caos entre as estrelas, antes de se estabilizarem. 

Recentemente, falamos da colisão da Via Láctea com a galáxia Salsicha de Gaia, a chamada colisão Kraken. A considerávamos, até esses últimos meses, como a maior colisão que a Via Láctea já sofreu. No entanto, Hércules possui o dobro do tamanho. 

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“Para encontrar uma galáxia fóssil como esta, observamos a composição química detalhada e os movimentos de dezenas de milhares de estrelas”, diz em um comunicado o  pesquisador Ricardo Schiavon, da Liverpool John Moores University (LJMU), Reino Unido. “Isso é especialmente difícil para estrelas no centro da Via Láctea, porque elas estão escondidas de nossa vista por nuvens de poeira interestelar”.

Traçando o passado

A extensão das “estrelas fósseis”. (Danny Horta-Darrington (Liverpool John Moores University) / ESA / Gaia / SDSS).

Mas os pesquisadores “burlaram” essa barreira com o APOGEE. A ferramenta os permitiu enxergar através da poeira. Ele utiliza, basicamente, ondas infravermelhas para enxergar além. Em resumo, a luz visível possuem uma frequência maior do que as ondas infravermelhas. Quanto maior a frequência, a tarefa de ultrapassar obstáculos torna-se mais difícil. 

Ao longo de dez anos se observações, o APOGEE coletou dados de meio milhão de estrelas. Segundo Danny Horta, também da LJMU, “examinar um número tão grande de estrelas é necessário para encontrar estrelas incomuns no coração densamente povoado da Via Láctea, que é como encontrar agulhas em um palheiro”.

Com a grande amostra, então, os pesquisadores analisaram a composição e as velocidades das diversas estrelas. E, para a surpresa deles, diversas estrelas possuíam composições, velocidades e trajetórias completamente estranhas, mesmo após tanto tempo incorporadas à Via Láctea.

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Pelas agressivas diferenças, os pesquisadores notam facilmente a diferente origem. E pelas semelhanças entre as estrelas deviantes, eles as colocam em um mesmo grupo, e sabem que possivelmente vieram da mesma galáxia, muito tempo atrás. Isso as torna um “fóssil” de outra galáxia.

“Como nosso lar cósmico, a Via Láctea já é especial para nós, mas esta galáxia antiga enterrada nela a torna ainda mais especial”, diz Schiavon.

O estudo foi publicado no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Com informações de Universe Today e Sloan Digital Sky Survey.

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.

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