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A Via Láctea está cheia de antigas civilizações inteligentes mortas

(Seragz / Wikimedia Commons)

Inegavelmente, a busca por alienígenas é uma das principais missões da humanidade nos dias de hoje. Inúmeros projetos visam buscar por civilizações inteligentes – o SETI é o mais famoso deles. Mas e se na verdade, não há tantas civilizações na ativa, mas antigas civilizações inteligentes mortas? E se, então, as civilizações existentes são jovens e pouco tecnológicas?

Pelo menos é o que sugere um novo estudo, publicado por enquanto somente como preprint, no arXiv. Os responsáveis pela conclusão são Siang Cai, da Santiago High School; Jonathan Jiang e Kristen A. Fahy, ambos do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA; e  Yuk Yung, da Divisão de Ciência Geológicas e Planetárias do Instituto de Tecnologia da Califórnia. 

Paradoxo de Fermi

Já falamos aqui sobre o Paradoxo de Fermi. Basicamente, o paradoxo questiona – se o universo é tão grande, e há tantas chances de surgir vida inteligente, por que até hoje não encontramos nenhuma?

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“Rodovia extraterrestre”. (Jrmichae / Wikimedia Commons)

Dentre os motivos estão desde um Grande Filtro, até as gigantescas distâncias do universo, além da pequena possibilidade de sermos a primeira civilização inteligente a alcançar um determinado nível de desenvolvimento. 

Mas há, também as possibilidades mais deprimentes: a de que somos os únicos e que a vida inteligente é extremamente rara; a de que as civilizações avançadas simplesmente nos ignoram para evitar brigas, grandes choques, ou simplesmente deixar o nosso desenvolvimento no curso natural; e a mais deprimente – a de que eventualmente, as civilizações inteligentes se extinguem ao se desenvolver.  Nesse caso, então, não há antigas civilizações inteligentes.

Um ótimo exemplo, portanto, somos nós. Ainda não chegamos ao ponto de uma civilização do Tipo I, na Escala de Kardashev, uma das principais escaladas de classificação de civilizações inteligente, e que vai de I a III. Para atingirmos o Tipo I, precisamos dominar a extração de toda a energia potencial disponível no planeta. 

Mas o ponto é: antes mesmo de nos tornarmos uma civilização do Tipo I, já caminhamos para a extinção, já que nossa forma doentia de desenvolvimento está acabando com o planeta. 

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A equipe traz, portanto, uma possível saída para o Paradoxo de Fermi.

Antigas civilizações inteligentes mortas?

Arecibo foi um dos principais radiotelescópios de “caça aos aliens”. (H. Schweiker/WIYN and NOAO/AURA/NSF)

Os pesquisadores, então, modelaram a evolução da Via Láctea em um modelo estatístico. A equipe utilizou parâmetros como a prevalência de estrelas semelhantes ao Sol, explosões de supernovas, modelos de abiogênese, além de modelos de como e em que tempo uma civilização inteligente surge e se aniquila. 

Eles descobriram que o melhor ponto para o surgimento de civilizações inteligentes localiza-se a 13.000 anos-luz do centro de nossa galáxia e a partir de cerca de 5 bilhões de anos atrás. Nós nos localizamos a 25 mil anos-luz do centro da Via Láctea e acabamos de surgir. Mas a maior parte dessas civilizações devem surgir naquele raio de 13 mil anos-luz, conforme o estudo.

Se o pico de surgimento de civilizações da galáxia ocorreu há mais de 5 bilhões de anos, provavelmente essas civilizações já sumiram, conforme os modelos estatísticos. Então, temos antigas civilizações inteligentes mortas e apenas civilizações como a nossa vivas.

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“Nossos resultados sugerem que o número de vida inteligente nem sempre aumenta com tempo; na verdade, nosso modelo prevê que após a ocorrência do pico, o número de civilizações extraterrestres começa a diminuir monotonicamente com o tempo, e essa propensão permanece ao longo dos próximos 6,5 bilhões de anos”, dizem os pesquisadores

“Portanto, nossas descobertas podem implicar que a vida inteligente pode ser comum na Galáxia, mas ainda é jovem, apoiando um aspecto otimista para a atividade do SETI”.

O estudo foi publicado como preprint no arXiv e aguarda a revisão por pares em um periódico ainda não revelado.

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.


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