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A Terra pode estar passando pelos rastros de antigas supernovas

Remanescentes da supernova N 49. (Créditos da imagem: NASA / ESA).

A Terra pode estar atravessando poeira cósmica radiativa neste exato momento. Rastros de antigas supernovas, para ser mais preciso.

A conclusão foi descrita em um estudo publicado por um grupo de pesquisadores, no último dia 24, no periódico norte-americano Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os cientistas estão desconfiados dessa hipótese por um motivo não tão maluco. Simplesmente, continuamente desde 33 mil anos atrás, a Terra recebe do espaço, um isótopo muito específico de ferro. 

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Um isótopo é um átomo do mesmo elemento, mas que possui um número diferente de nêutrons em seu núcleo. Trata-se do ferro-60, ou seja, um ferro com uma massa atômica (soma de prótons e nêutrons) de 60 unidades. Isso é pouco mais pesado do que o “ferro oficial”, com massa atômica de 56 u.

Esse polvilhamento de ferro-60 não parou, entretanto. Ele continua, e por isso, devemos estar ainda passando por essa nuvem de poeira cósmica criada por uma supernova, conforme o Science Alert.

Sabemos que são possivelmente de uma supernova porque eles não surgem naturalmente na Terra. O ferro-60 é um dos diversos elementos forjados por supernovas.

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Uma supernova é a explosão de uma estrela. Essa grande explosão ocorre quando uma estrela com mais de 10 massa solares possui muito ferro em seu núcleo, e não consegue mais fundi-lo.

As forças internas vencem a gravidade, e isso faz com que a estrela exploda. Quando isso ocorre, as pressões aumentam e a supernova fabrica elementos mais pesados do que o ferro, além de lançá-los por todos os lados, possibilitando que novas estrelas e planetas se formem. 

Investigando isótopos de antigas supernovas

O sistema solar foi formado, inclusive, por material remanescente de uma supernova. A explosão ocorreu bilhões de anos atrás. E é exatamente esse o ponto de desconfiança.

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O ferro-60 é um isótopo instável, ou seja, radiativo. Ele decai até tornar-se ferro comum. O processo de decaimento total leva um período de aproximadamente 15 milhões de anos.

A Terra, por sua vez, é muito mais velha – possui 4,6 bilhões de anos. Não há, portanto, como esse ferro-60 ter se originado na supernova que hoje é o sistema solar.

Os depósitos mais antigos do ferro-60 na Terra estão no fundo do mar. Os cientistas os dataram em um período entre 2.6 e 6 milhões de anos atrás – sugerindo que essa é a época em que os materiais caíram.

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Entretanto, novas evidências encontraram depósitos mais recentes. Há, na Antártica, material caído nos últimos vinte anos. Ou seja, agora mesmo pode estar caindo ferro radioativo pelos céus. Mas fique calmo, isso não nos coloca em risco, já que a concentração é muito baixa.

Mas isso possui profundas implicações científicas, já que levanta diversos novos questionamentos. O ferro-60 está sendo identificado também no espaço, e em outros locais que não consistem com as previsões. 

Embora os cientistas não saibam exatamente o que está acontecendo, há algumas novas hipóteses que tentam explicar um pouco, conforme diz em um comunicado o físico nuclear, professor Anton Wallner:

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“Há artigos recentes que sugerem que o ferro-60 preso nas partículas de poeira pode saltar no meio interestelar. Portanto, o ferro-60 pode se originar de explosões de supernovas ainda mais antigas, e o que medimos é algum tipo de eco”.

O artigo foi publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences. Com informações de Science Alert e Scimex.

 

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.


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