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Sociedade & Cultura

A NASA vai repensar apelidos discriminatórios para objetos espaciais

A nebulosa NGC 2392, chamada de Nebulosa do Esquimó, termo racista e imperial. (Imagem: NASA/ESA)

No início do mês de agosto, a NASA anunciou que vai repensar apelidos discriminatórios atribuídos a diversos fenômenos e objetos espaciais, e renomeá-los de outra forma.

Isso foi motivo de piada por algumas pessoas na internet, que disseram ser um plano“politicamente correto” exagerado. Entretanto, é necessário. Muitos termos e nomes que utilizamos no dia a dia possuem uma origem racistas, e acabaram por ser normalizados. 

NASA e termos racistas

A NASA já havia causado polêmica no final do ano de 2019 quando alguém percebeu que um asteroide possuía um nome de origem nazista. Isso gerou fervorosas reações contrárias.

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Ultima Thule, como chamava-se, é um termo que fora adotado por ocultistas Nazistas. Ele referia-se a uma suposta terra habitada pelos ancestrais germânicos, os arianos. 

Na mitologia criada pelos Nazistas, os arianos seriam a raça pura, fadada a carregar o mundo nas costas e comandar e escravizar os outros povos. Era, em resumo, uma história criada para justificar as barbáries que eles cometiam.

A história dos arianos foi totalmente distorcida pelos nazistas. Os arianos de verdade são os povos que deram origem a alguns povos do oriente médio e a alguns povos Indo-europeus. Os indianos, por exemplo, são alguns dos arianos de verdade. 

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Outro exemplo é a nebulosa planetária  NGC 2392, que chamava-se Nebulosa do Esquimó. Esquimó é um termo que passou a ser normalizado, por isso não achamos grande coisa.

Entretanto, o termo esquimó foi forjado dentro do contexto colonial dos americanos. Referia-se de forma pejorativa aos indígenas norte-americanos das regiões mais ao norte, do continente. 

“Galáxia dos gêmeos siameses” é a forma como eles se referiam às galáxias NGC 4567 e NGC 4568, um par de galáxias muito próximas uma da outra, e chegam a fundir suas extremidades. 

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O par de galáxias NGC 4567 e NGC 4568. (Imagem: Judy Schmidt)

“Nosso objetivo é que todos os nomes estejam alinhados aos nossos valores de diversidade e inclusão, e trabalharemos proativamente com a comunidade científica para ajudar a garantir isso”, explica em um comunicado Thomas Zurbuchen.

“A ciência é para todos, e cada faceta do nosso trabalho precisa refletir esse valor”, completa Zurbuchen, que é administrador associado do Diretório de Missão Científica da NASA.

Um movimento que está sendo difundido

O debate em torno do passado e presente racista não só nos Estados Unidos, mas pelo mundo, tem ganhado destaque ultimamente, com o empoderamento das minorias e a percepção do erro pelos grupos mais privilegiados.  Os apelidos discriminatórios são apenas a ponta de um iceberg mais profundo. 

Não é uma atitude exclusiva da NASA. Algumas empresas e projetos de tecnologia também aderiram. O Linux, plataforma de sistemas operacionais de códigos abertos também anunciou algo semelhante

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Alguns termos utilizados nos códigos baseados em Linux que possuem uma origem racista serão eliminados, como “blacklist”, “master” e “slave” (lista negra, mestre e escravo, respectivamente).

“Esses apelidos e termos podem ter conotações históricas ou culturais que são questionáveis ​​ou indesejáveis, e a NASA está fortemente comprometida em abordá-los”, diz Stephen Shih, administrador associado da Diversidade e Igualdade de Oportunidades da NASA. 

Antes de zombar do “politicamente correto”, reflita se você mesmo não está sendo racista, caro leitor. “A ciência depende de diversas contribuições e beneficia a todos, então isso significa que devemos torná-la inclusiva”, explica Shih.

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Com informações de NASA

 

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.


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