Marco Aurélio: o último dos bons Imperadores Romanos
 

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Élisson Amboni29 de setembro de 20168 min

Marco Aurélio Antonino (121 – 180 EC*), conhecido como o último dos cinco bons imperadores (161 – 169 reinou com Lúcio Vero; 169 – 177 reinou sozinho; 177 – 180 reinou com Cômodo), nasceu em Roma (ou, de acordo com outras fontes, Espanha) em uma família aristocrata. Seu nome era Marco Ânio Vero, que manteve até ser adotado por seu tio (e sucessor do Imperador Adriano) Antonino Pio, que tornou o jovem Marco herdeiro do trono do Império Romano.

No ano de 161, Marco ascendeu ao poder e, contra o senado, estabeleceu que seu irmão adotivo Lúcio Aurélio Vero juntaria-se a ele como co-imperador. Os irmãos governaram Roma juntos até a morte de Lúcio no ano de 169. Apesar de Marco Aurélio ter sido treinado, mais cedo, na filosofia estoica (educado pelo estimado orador Marco Cornélio Frontão, antes de se mergulhar no mundo filosófico) e buscado governar junto aos preceitos do estoicismo, seu reinado enfrentou conflitos incessantes e a difícil tarefa de encarar uma nova seita fanática de religiosos conhecida como Nazarenos, ou Cristãos, que recusavam-se a participar dos festivais de Roma e, mais tarde, desonrariam os deuses do estado. A perseguição de Marco Aurélio aos recém surgidos Cristãos, apesar de cruel para o entendimento moderno, foi considerada necessária pelo imperador com o intuito de manter a paz e a ordem na cidade de Roma. Como não havia separação entre Igreja e Estado na Roma antiga, a recusa em respeitar os deuses de Roma foi a mesma recusa em aceitar as leis do estado. Apesar desses problemas constantes, Marco Aurélio buscou melhorar a vida dos cidadãos de Roma e, também, dos que moravam longe da região da cidade de Roma. Ele é conhecido como o último dos cinco bons imperadores e, constantemente, colocou os desejos do povo em cima de seus próprios desejos ou glória.

Em 168, tribos alemãs invadiram a região do Danúbio e Marco e Lúcio marcharam de Roma, novamente, em encontro a eles. Nesta campanha (cuja morte de Lúcio ocorreria) e aqueles que seguiram, Marco Aurélio provou a si mesmo um general habilidoso e competente, mesmo não tendo nenhum treinamento em guerras. Primariamente, foi na região de Danúbio que Marco escreveu seu famoso livro “Meditações”, um tipo de caderno de notas ou diário que ele recordava seus pensamentos e sentimentos sobre a vida, um trabalho que ele não pretendia publicar — e, hoje, é uma das obras de arte da filosofia estoica. Marco Aurélio morreu na Região do Danúbio, nessa campanha, em 17 de março do ano 180. Ele foi sucedido por seu filho, Cômodo, que havia designado seu herdeiro, e que destruiria o legado deixado por seu pai. Marco Aurélio foi representado como o imperador filósofo no filme “Gladiador” (2000), dirigido por Ridley Scott. Os eventos do filme são ficcionais e não representam os eventos ao redor de Marco Aurélio.

Estátua de bronze de Marco Aurélio, Roma.
Estátua de bronze de Marco Aurélio, Roma.

Linha do tempo de Marco Aurélio

121 CE – 180 CE: Nascimento e morte de Marco Aurélio.

161 CE – 169 CE: Marco Aurélio governa junto com Lúcio Vero.

161 CE – 180 CE: Reinado do Imperador Romano Marco Aurélio.

168 CE: Tribos alemãs cruzam o Danúbio em direção ao Império Romano.

169 CE – 177 CE: Marco Aurélio governa sozinho.

176 CE: Uma grande estátua de bronze de Marco Aurélio montado a cavalo é construída em Roma.

177 CE – 180 CE: Marco Aurélio governa com seu filho, Cômodo.

180 CE: A Coluna de Marco Aurélio e Faustina é construída em Roma, contendo a campanha através do Danúbio erigida em escultura de relevo.


Bibliografia e Adendos

http://www.iep.utm.edu/marcus/

Durant, W, Caesar and Christ (Simon & Schuster, 1980).

Marcus Aurelius, The Meditations of Marcus Aurelius Antoninus (Oxford University Press, USA, 2008).

Escrito por Joshua J. Mark e traduzido e adaptado por Elisson Amboni da Enciclopédia da História Antiga (Ancient History Encyclopedia)

*EC é a abreviação de Era Comum.