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O ensino é importantíssimo para a civilização humana. Mas como ele se relaciona, historicamente, com a criação de novas ferramentas?(Pixabay)

História & Humanidade

O ensino e a tecnologia evoluíram juntos, segundo estudo

Aparentemente, desde a pré-história o ensino se desenvolveu à medida que as ferramentas e as aplicações para elas também evoluíram. Ou pelo menos é o que sugere um novo estudo publicado no periódico Proceedings of The Royal Society B. A Universidade de Exeter também disponibilizou gratuitamente em um documento hospedado pela própria universidade.

Os pesquisadores dizem que conforme as ferramentas e suas aplicações tornaram-se mais complexas, com resultados melhores, destacava-se quem podia passar o conhecimento à diante. A seleção natural, então, os favoreceu. A única forma de determinada tecnologia se desenvolver é ser passada adiante para as próximas gerações, e cada geração institui seus aprimoramentos. 

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“Melhorias progressivas em ferramentas, tecnologias e instituições capacitaram as populações humanas a se espalhar pelo mundo e inaugurar o Antropoceno, moldando não apenas o nossa evolução, mas também a de outras espécies”, escrevem os cientistas no artigo

O caminho do ensino

“Os humanos têm uma habilidade incomparável de passar conhecimento de geração a geração”, disse em um comunicado o Dr. Alex Thornton, autor sênior do estudo e pesquisador na Universidade de Exeter. “As teorias tradicionais presumiam que a evolução cultural cumulativa requer processos especializados, como o ensino, para transmitir informações com precisão, mas isso não pode explicar por que esses processos evoluíram em primeiro lugar”.

As cerâmicas são algumas das principais formas de observarmos o desenvolvimento de técnicas e, então, propagação de conhecimento em diversos momentos da história por todo o mundo. (Zde / Wikimedia Commons)

O Dr. Thornton explica que eles querem, no estudo, testar a ideia de que os dois – a tecnologia e o ensino – evoluíram juntos e gradualmente, em uma relação de interdependência. Para testar a hipótese, então, eles pensaram em cinco previsões contextualizadas a um experimento que envolvia construir alguns objetos de papel e limpadores de cachimbo.

A primeira previsão é a de que as melhorias cumulativas surgiriam em quaisquer ambientes de aprendizados sociais, mesmo aqueles casos que não envolvia um aprendizado social muito complexo; o segundo ponto é o de que à medida que eles chamassem as pessoas para a simulação, a aprendizagem ocorreria pela cópia daqueles objetos já montados; terceiro que as pessoas levariam em consideração o desempenho; quarto, levariam em conta o design; em quinto lugar, ao copiar um objeto sem ver o processo pelo qual ele se desenvolveu, então, as pessoas desenvolveriam processos semelhantes. 

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Testando na prática

(Pixabay)

Portanto, para testar as previsões, a equipe desenvolveu um experimento com mais de 600 pessoas. Eles deveriam construir dois objetos – um barco fabricado em papel impermeável e uma cesta feita com limpadores de cachimbo. Embora não muito populares no Brasil, frequentemente, em alguns países estrangeiros, utiliza-se limpadores de cachimbos em artesanatos. 

No experimento, cada um fazia um objeto e, a pessoa seguinte observava o processo de fabricação e/ou o objeto final, em três variações diferentes. Dessa forma, um voluntário aprendia com o outro e passava o seu conhecimento adiante. Com o grupo amostral de 600 pessoas, eles notaram alguns padrões. 

“Ferramentas simples e complexas geralmente melhoraram ao longo das ‘gerações’, e para ferramentas simples essa melhoria foi quase a mesma em todas as três condições de estudo”, explica no comunicado a Dra. Amanda Lucas, pesquisadora também da Universidade de Exeter. “Com ferramentas complexas, o ensino conduziu consistentemente a mais melhorias em comparação com outras condições”.

Além disso, outro ponto interessante, é o de que esses experimentos são, comumente, desenvolvidos apenas com os alunos da própria universidade. Nesse caso, os pesquisadores não formaram uma bolha. Na verdade, eles convidaram uma variedade de pessoas. Estavam ali pessoas recrutadas em jardins comunitários, museus, clubes esportivos, clubes de artesanato, além de diversos outros locais de frequentação de diversos tipos de pessoas que integram a sociedade.

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“Isso significa que nosso estudo representou uma diversidade de idades, origens e habilidades, o que é importante porque muitos desses tipos de experimentos, que pretendem investigar algo essencial sobre o ser humano, recrutam uma amostra menor apenas de estudantes universitários”, destaca o Dr. Thornton. 

O estudo foi publicado no periódico Proceedings of The Royal Society B. Com informações de Ancient Origins e University of Exeter.

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