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Planeta & Ambiente

O camarão mantis luta ferozmente para roubar tocas de rivais

(Prilfish / Wikimedia Commons).

O camarão mantis faz jus ao seu nome – mantis é uma palavra em inglês para o louva-a-deus. No entanto, nada tem a ver o animal com um louva-a-deus (nem camarão). Mas é com o louva-a-deus do Kung Fu Panda que os camarões mantis se parecem. O pequeno e poderoso camarão é especialista em lutar. Um dos motivos que o leva a lutar é para roubar as casas de seus rivais, em busca de uma toca melhor.

Embora leve esse nome, o camarão mantis não é exatamente um camarão. O chamam também de de lagosta-boxeadora, mas também não é uma lagosta. Na verdade, a lagosta e o camarão se parecem mais entre si do que com o camarão louva-a-deus. Enquanto, taxonomicamente, ele pertence à Ordem Stomatopoda, camarões e lagostas pertencem à ordem Decapoda. Eles se aproximam apenas na classe – Malacostraca. São como primos de terceiro grau. 

O segredo da força

Esse grupo de crustáceo nunca está feliz. Eles gostam de tocas bastante apertadas, que sejam praticamente de seu próprio tamanho. É como um casco, ou uma roupa. Por isso eles roubam. Se uma toca de outro animal parece mais ideal do que a sua, o camarão mantis luta incansavelmente até conquistar seu novo lar, conforme um estudo recente no periódico Animal Behavior.

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Dentre as aproximadamente 450 espécies de camarão mantis, há duas maneiras principais de lutar – com garras em lança, e com garras em pinça, para esmagar a presa. Os ataques são tão rápidos que a onda de choque na água pode atordoar ou até mesmo matar a presa. As bolhas geradas pelo ataque podem, ainda, brilhar por sonoluminescência – emissão de luz na implosão das bolhas.

O segredo de tamanha força e velocidade está, afinal, em uma estrutura que se assemelha a uma mola, ou um arco de lançar flechas. Assim, o animal é capaz de armazenar energia potencial nessa estrutura – como quando você estica um elástico ou pressiona uma mola; ao soltar, eles liberam a energia de uma vez, correto? Portanto, com o camarão mantis é a mesma coisa.

Um soco do animal, que chega a até 80 km/h, quebra até mesmo o vidro de um aquário. O vídeo abaixo, produzido pela BBC, demonstra um pouco do poder de seu soco.

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Crime metódico

Para a pesquisa, então, os cientistas focaram, mais especificamente, na espécie Neogonodactylus bredini. Os pesquisadores colocaram um camarão mantis em um aquário com uma toca feita em plástico, do tamanho ideal para ele se sentir em casa. Depois, colocaram um segundo animal, da mesma espécie, no tanque, para analisar se eles brigariam. 

Os pesquisadores destacam, no entanto, que caso algum dos animais sofresse algum ferimento grave ou corresse risco de morte, a briga seria automaticamente interrompida. 

Os pesquisadores constataram que os residentes da toca tinham a vantagem. Os invasovem venceram, na média, 31% das lutas. Se as tocas eram muito pequenas ou muito grande para eles, se saíam ainda pior, vencendo apenas 13% das lutas. Além disso, o animal também possui uma cauda blindada que utiliza para defender a toca de invasores, o que é bastante eficiente. Por exemplo, inverta as porcentagens. Agora há, portanto, um sucesso de 69% e 85%, respectivamente. 

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(Patrick Green)

“Sabemos que os animais podem avaliar uma variedade de fatores, incluindo o tamanho do oponente e o valor do prêmio, ao decidir se lutam e com que força lutar”, disse em um comunicado Dr. Patrick Green, do Centro de Ecologia e Conservação da Universidade de Exter. “Nesse caso, como uma toca menor provavelmente é ocupada por um oponente menor, parece que os camarões louva-a-deus vão considerar o tamanho da casa se isso significar uma luta mais fácil”.

“Pode-se presumir que os animais lutam mais pelos maiores recursos, mas este estudo é um exemplo de esforço máximo sendo reservado para algo que é ‘perfeito”, explica Dr. Green.

O estudo foi publicado no periódico Animal Behavior. Com informações de Live Science, Ars Technica e EurekAlert / University of Exter.

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.

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