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Estas aranhas podem produzir teias venenosas que paralisam suas presas

Pesquisador brasileiro mostra como estas aranhas podem produzir teias venenosas
As impressionantes teias de bananeiras (Trichonephila clavipes) podem ajudar a dominar quimicamente as presas, sugere uma nova pesquisa. CHARLES J. SHARP / WIKIMEDIA COMMONS (CC BY-SA 4.0)

Aranhas são animais incríveis que desenvolveram diversas habilidades incríveis de sobrevivência. Elas são muito conhecidas por seus belos padrões de teias. Algumas podem até mesmo produzir teias venenosas, que estão banhadas em neurotoxinas, de acordo com um novo estudo conduzido por pesquisadores brasileiros.

Teias venenosas realmente existem?

As aranhas da espécie Trichonephila clavipes produzem teias que fazem bem mais do que apenas grudar. Através de suas teias as aranhas podem também subjugar quimicamente as suas presas, as paralisando totalmente.

O estudo conduzido por pesquisadores brasileiros mostrou que as
A aranhas da espécie Trichonephila clavipes produzem teias venenosas que podem paralisar suas presa. (Imagem: Charles J Sharp, Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Mario Palma, ecologista bioquímico do Instituto de Biociências da Universidade do Estado de São Paulo, em Rio Claro, Brasil, há muito já suspeitava sobre se as teias das aranhas continham neurotoxinas. Ele até mesmo enfrentou a incredulidade de seus colegas, que diziam que ele era louco.

Pois, à primeira vista, a aranha nem necessita de toxinas para paralisar suas presas, porque a viscosidade de teia já parecia o bastante.

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Palma teve a ideia de que as aranha tinha essa toxina há 25 anos, quando morava perto de uma plantação de arroz, lugar onde as tecelãs eram comuns. Ele observou que presas saudáveis, quando caíam nas teias da aranha, em pouco tempo convulsionavam, como se estivessem envenenadas.

Quando tentou soltar o inseto, eles não conseguiam andar, mesmo que a aranha não tivesse chegado a picá-los. Como Palma trabalhava há muito tempo com neurotoxina, ele somou A mais B e chegou a sua hipótese das neurotoxinas.

A complexidade da teia de uma aranha

Em grande parte graças ao trabalho de seu Ph.D. a estudante Franciele Esteves e Palma encontraram essas neurotoxinas que paralisam as presas. Eles analisaram as proteínas nas glândulas das aranhas, e encontradas algumas que se assemelham a neurotoxinas conhecidas. 

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Os pesquisadores também encontraram essas proteínas de neurotoxinas em Rio Claro, em gotículas microscópicas de bolhas gordurosas. Os cientistas injetaram as substâncias das teias em abelhas, que ficaram totalmente paralisadas em menos de um minuto.

Estas aranhas produzem teias venenosas
(Imagem: Journal of Proteome Research, DOI: https://doi.org/10.1021/acs.jproteome.0c00086.)

Segundo David Wilson, pesquisador de veneno da Universidade James Cook em Cairns, Austrália, “teias tóxicas certamente fariam sentido”. Essas teias tóxicas poderiam deter formigos ou outros animais que roubam teias ou comem aranhas.

De acordo com o designer de seda sintética de aranha da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, Jolanta Beinaroviča, “este artigo foi como uma lufada de ar fresco”. Ele explica que muitos pesquisadores haviam simplificado as teias de aranha, algo que o desagradou.

Palma continua estudando sobre o conteúdo das teias de aranha, analisando com mais precisão a sua complexidade para provar ao mundo que estava certo esse tempo todo.

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O estudo conduzido por Mario Palma e seus colegas pode ser acessado gratuitamente no Journal of Proteome. Com informações de Science News.

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É formando de Psicologia pela Faculdade do Futuro e redator freelancer focado no estudo do ser humano, seus comportamentos e na sociedade.


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