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História & Humanidade

Encontrada uma criança de 8 mil anos sepultada sem braço nem pernas

Além disso, os arqueólogos descobriram que também pintaram as bochechas da criança com ocre vermelho para o ritual funerário.

(Dra. Sofia Samper Carro).

Na Ilha Alor, localizada na Indonésia, um grupo de arqueólogos da Australian National University encontrou algo bastante peculiar em uma tumba infantil. Trata-se de uma criança de 8 mil anos sepultada sem seus os membros (braços e pernas), conforme descrevem em um artigo publicado no periódico Quaternary International.

Além disso, os arqueólogos descobriram que também pintaram as bochechas da criança com ocre vermelho para o ritual funerário. Um palelepípedo, também em cor ocre, localizava-se junto à criança, dentro da tumba, sobre sua cabeça.

“De 3.000 anos atrás até os tempos modernos, começamos a ver mais enterros de crianças e estes são muito bem estudados. Mas, sem nada do início do período do Holoceno, simplesmente não sabemos como as pessoas dessa época tratavam seus filhos mortos. Esta descoberta vai mudar isso.” explica em um comunicado a  Dra. Sofia Samper Carro, autora principal do estudo. “Os enterros de crianças são muito raros e este enterro completo é o único desta época”.

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Particularidades

Ok, a pintura em ocre até entrega algumas pistas sobre os rituais da época. No entanto, a parte notavelmente bizarra é a criança de 8 mil anos sepultada sem seus membros.

(Dra. Sofia Samper Carro);

“A falta de ossos longos é uma prática documentada em vários outros sepultamentos de um período semelhante em Java, Bornéu e Flores, mas esta é a primeira vez que a vemos no enterro de uma criança”, explica o Dr. Samper Carro. “Não sabemos por que removiam os ossos longos, mas provavelmente algum aspecto do sistema de crenças das pessoas que viveram nessa época”.

É claro que, ninguém torturou uma criança viva. Tratava-se, possivelmente, de algum ritual pós morte. Da mesma forma que utilizamos, nos dias de hoje, os velórios como rituais, cada cultura criou os seus, com base em seus deuses e suas crenças. Mas não sabemos porque a cerimônia arrancou os membros da criança para o enterro.

Já o ocre, era uma coisa mais normal. Hoje, utilizamos a palavra para referirmo-nos às cores alaranjadas e, às vezes, beges. Mas ocre também refere-se aos tipos de argilas que contêm óxido de ferro, o que confere cores avermelhadas e, de acordo com outras propriedades da própria argila, tons parecidos com laranja, bege ou marrom.

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Por que fizeram isso?

As primeiras análises, feitas através dos dentes, mostraram que a criança teria pelo menos seis anos de idade. No entanto, as análises do esqueleto mostraram algo em torno dos quatro a cinco anos. Acredita-se, portanto, que a primeira análise acertou. Um trabalho anterior de Dr. Carro mostrou uma deficiência na  alimentação da população local. o

Os ossos estavam nesta caverna. (Dra. Sofia Samper Carro).

“Meu trabalho anterior com Alor mostrou que os crânios adultos também eram pequenos. Esses caçadores-coletores tinham uma dieta principalmente marinha e há evidências que sugerem que a saturação de proteínas de uma única fonte de alimento pode causar sintomas de desnutrição, que afeta o crescimento”, explica o Dr. 

Agora, os pesquisadores focarão em uma nova missão. Através das áreas de paleo-saúde, investigaram mais sobre a alimentação da população na ilha. Além disso, traçarão, nos próximos anos, uma linha do tempo com os enterros datados entre 12 mil e 7 mil anos, a fim de entender a cultura, depois de localizar novos túmulos da região.

Não sabe-se ainda o que fizeram com os braços e pernas. Mas eles não estavam junto ao corpo. Embora traga mais questionamentos do que perguntas, surgem algumas respostas, como destaca o Ancient Origins. Descobertas recentes em diversos pontos do mundo mostram aos cientistas que o pensamento religioso surgiu antes da agricultura. 

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Na verdade, até mesmo os neandertais, espécie humana extinta há muito tempo, conforme já abordamos na Socientífica, davam significados a objetos, embora não haja provas de pensamento religioso. 

O estudo foi publicado no periódico Quaternary International. Com informações de Ancient Origins e Australian National University

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