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Círculos fantasmagóricos estão deixando os cientistas perplexos

(Bärbel Koribalski / ASKAP).

Em setembro de 2019, a astrônoma Anna Kapinska demonstrou, em uma apresentação, algumas coisas interessantes, beirando o peculiar, que ela encontrou. Um dos mais intrigantes era um objeto que ela chamou de “WTF?”. Dentre todos os objetos no meio dos dados de rádio que não se encaixavam em nenhuma classificação da astronomia, esse era um dos mais assustadores. Por isso os chamaram de círculos fantasmagóricos. 

O professor Ray Norris, da Western Sydney University, na Austrália, escreveu ao The Conversation um pouco sobre esses círculos, compilando alguns dados e a linha temporal. Então, ele explica, no texto, um pouco do motivo pelo qual os astrônomos animaram-se tanto com esses tais “círculos fantasmagóricos”. 

Eles já descartaram todas as possibilidades para os sinais de rádio. O periódico Publications of the Astronomical Society of Australia aceitou um artigo deles para a publicação em breve. No artigo, já disponível como preprint no arXiv, eles descartam as possibilidades e concluem que os círculos fantasmagóricos não se parecem com nada já catalogado. 

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Novos fantasmas

Apenas alguns dias após o primeiro WTF encontrado por Kapinska, outro astrônomo, Emil Lenc, encontrou um segundo quando se aventurava em meio a dados radioastronômicos. Dessa vez, era ainda mais assustador, conforme as palavras de Norris. 

Kapinska e Lenc, então, vasculharam juntos mais dados. Recentemente, o telescópio australiano ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder) fez um grande levantamento do céu. Com os dados, os astrônomos responsáveis criaram o Evolutionary Map of the Universe (EMU). Esse mapa, então carrega diversos detalhes dos céus profundos. O ASKAP enxerga objetos bastante difusos, então era perfeito para encontrar mais desses círculos fantasmagóricos. 

Antenas do ASKAP. (CSIRO).

Em 2017, o próprio Norris publicou um artigo no periódico Nature Astronomy onde tentava prever alguns dos avanços que o ASKAP traria a partir de então. Na época ele mesmo chamou esses ‘supostos objetos estranhos’ de WTF. Anna Kapinska, sua amiga, nomeou os objetos fantasmagóricos assim por isso. 

Mas Norris diz que não esperava que as descobertas surgissem tão rápido. Nos dias de hoje, as filtragens de dados astronômicos são feitas, predominantemente, utilizando programas de computador, pois é muito mais eficiente do que uma filtragem manual. Mas leva tempo até você treinar um programa de Machine Learning o suficiente para encontrar coisas tão disruptivas. 

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Mas além de Kapinska encontrar os círculos fantasmagóricos tão rápido, ela o fez manualmente, à moda antiga, surpreendendo a todos. Filtrar tantos dados à mão é difícil pois não somos scanners. O ser humano é bom em criatividade, e é muito melhor fazendo um programa que faça trabalhos repetitivos por ele do que realmente fazer os trabalhos repetitivos. E eles não pararam de buscar. Encontraram vários outros, também manualmente. 

O que são os círculos fantasmagóricos?

Os cientistas apelidaram os objetos, enfim, com um nome mais científico do que “WTF?”. Agora, eles chamam os círculos fantasmagóricos de ORCs (sigla em inglês para “Círculos Estranhos de Rádio”). 

Eles são tão fantasmagóricos e estranhos pois são invisíveis em outros comprimentos de onda. Os astrônomos não veem nada quando apontam telescópios ópticos para essa região. Acredita-se que sejam emissões causadas por nuvens de elétrons, mas os astrônomos ainda não sabe por que não enxergam nada na luz visível. 

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Só que quando um cientista vê algo inexplicável, ele não se sente mal. Na verdade, um cientista se anima, afinal, se não houvesse mais nada para explicar, não haveria emprego para os cientistas. Agora, então, inicia-se o momento em que diversos pesquisadores pelo mundo lançam suas hipóteses para explicar os ORCs. 

Norris disse que alguns cientistas russos pensaram até mesmo tratar-se de “gargantas” de buracos de minhoca. Os buracos de minhoca são distorções do espaço que ligam dois pontos diferentes. É um atalho, uma espécie de beco espacial. Mas seja o que for, apenas o tempo e a paciência trarão novos detalhes sobre os ORCs. 

Com informações de The Conversation.  

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É divulgador científico por paixão. Gradua-se em Física pela UFSCAR e atua principalmente na Ciencianautas e SoCientífica.

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