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Escudo de 1.800 anos com restos de guerreiro vândalo é encontrado em ferro-velho por acaso

Por Damares Alves Publicado em

Um homem que procurava peças de automóveis em um ferro-velho na cidade de Hrubieszów, no sudeste da Polônia, encontrou parte de um escudo de aproximadamente 1.800 anos contendo ossos humanos cremados. Segundo arqueólogos, o objeto provavelmente pertenceu a um guerreiro da comunidade vândala que viveu na região durante o século II.

A descoberta ocorreu perto da fronteira polonesa com a Ucrânia. Ao perceber que a peça coberta de terra parecia muito antiga, o homem enviou uma fotografia ao Museu Padre Stanisław Staszic, em Hrubieszów. Especialistas da instituição examinaram o artefato e identificaram, dentro dele, um bloco de solo ressecado com fragmentos de ossos queimados.

Peça protegia a mão do guerreiro em possível sepultamento

O objeto é um umbo, saliência central de ferro que reforçava o escudo e protegia a mão de quem o segurava. Originalmente, a peça integrava uma estrutura maior, provavelmente feita de madeira e couro. Esses materiais orgânicos se decompuseram ao longo dos séculos, deixando preservado apenas o componente metálico.

Escudos usados por legionários romanos também possuíam umbo, mas as forças de Roma não chegaram tão ao norte. Além disso, o formato pontiagudo da peça corresponde ao estilo associado aos vândalos do século II.

A superfície do ferro apresenta sinais de exposição intensa ao fogo. Para os pesquisadores, essa característica, somada aos restos encontrados em seu interior, mostra que o umbo acompanhou o corpo durante uma cerimônia funerária de cremação.

“O estado de preservação do umbo, especialmente sua superfície característica, indica que ele foi exposto a altas temperaturas”, afirmaram representantes do Museu Padre Stanisław Staszic. “Esse fato, combinado com os ossos queimados em seu interior, indica claramente o sepultamento por cremação de um guerreiro da comunidade vândala.”

Vândalos viveram no território polonês

Os vândalos eram povos germânicos associados à cultura arqueológica de Przeworsk, identificada em áreas da atual Polônia. Séculos depois da deposição do escudo, grupos vândalos migraram para o sul durante as invasões do Império Romano e estabeleceram-se no norte da África em 429.