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Telescópio que vai monitorar lixo espacial começa a ser instalado em Brazópolis

Um telescópio russo vai ser instalado no Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis, Minas Gerais, para monitorar lixo espacial. É o primeiro telescópio deste tipo instalado no Brasil, que também será o primeiro país a receber o projeto da Rússia.

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Instalação da estação do Observatório do Pico dos Dias, em parceria entre o LNA e Roscosmos, que vai montar base de dados com a localização e órbita de objetos que apresentam risco de colisão com satélites artificiais ou mesmo com a Terra.

A assinatura do acordo de cooperação entre o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA/MCTI) em Itajubá e a estatal Agência Espacial da Federação Russa (Roscosmos), com intermediação da Agencia Espacial Brasileira (AEB), tem o objetivo de fazer um mapa de todos os detritos espaciais que estão em órbita da Terra, que são os pedaços de satélites velhos ou de foguetes que foram lançados e ainda não caíram de volta. A estação, em instalação no Observatório Pico dos Dias, fará parte do projeto Panoramic Electro-Optical System for Space Debris Detection (PanEOS), que prevê a construção e operação de uma rede de instalações desse tipo em vários pontos do planeta.

Qual a importância de ter esse mapa? “Quando você coloca um satélite novo que custou milhões de dólares ou até mais em órbita, você pode estar colocando ele bem onde vai passar um pedaço desse lixo espacial, e pode colidir com o seu satélite novo e o destruir. Então você pode perder milhões de dólares e anos de trabalho com a colisão de um satélite com um pedaço de lixo espacial”, explica Bruno Castilho, diretor do LNA.

O chamado lixo espacial oferece risco de choques entre tais objetos e satélites em operação, além de danos que os mesmos podem causar caso entrem na atmosfera sem controle. Em 2013, o telescópio Fermi escapou por pouco da destruição por um detrito espacial. Há um estudo indicando a possibilidade de as colisões entre satélites artificiais e lixo espacial aumentar num futuro próximo.

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Com este mapeamento, também será possível monitorar a trajetória dos satélites em órbita. Caso algum saia de sua órbita para entrar na Terra, é possível prever onde o objeto vai cair e até acompanhar os pedaços maiores, podendo, assim, evitar algum acidente grave. O custo estimado previsto do investimento é de cerca de R$ 10 milhões, que será todo custeado pela estatal russa, inclusive o fornecimento do telescópio e dos computadores. O cronograma de instalação do telescópio prevê que ele fique pronto até fevereiro do ano que vem.

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Concepção artística do telescópio do Laboratório Nacional de Astrofísica-Roscosmos (no centro), em Itajubá (MG)

Segundo Castilho, o projeto russo começou há cerca de dois anos. O país tinha interesse em rastrear o lixo espacial e tentava por outros meios descobrir a órbita dos satélites. O telescópio foi uma forma eficiente e mais barata de fazer esse rastreamento. O primeiro equipamento foi instalado nas montanhas Altai, na Rússia, e já está em operação.

“Como a Agência Espacial Brasileira já tinha um acordo com a agência espacial russa pra uso do espaço, os russos procuraram a gente pra sediar esse segundo telescópio deles. Eles avaliaram a localização, no Pico dos Dias, e acharam o lugar perfeito, que fica numa boa posição em relação ao russo”, explica Castilho. Os dois equipamentos ficam em posições afastadas em relação ao outro e vão fotografando o céu, fazendo um mapeamento de toda a área. “Quando o telescópio fotografa o céu acompanhando o movimento da Terra, as estrelas aparecem como uma bolinha, um ponto, e os satélites aparecem como um risquinho, porque ele se mexe diferente no céu”, explica o astrônomo.

Um grupo de astrônomos brasileiros irá fazer o gerenciamento dos dados e os repassar para a agência russa. Comparando a imagem da Rússia com a do telescópio que está sendo instalado em Pico dos Dias, é possível ter precisamente a órbita do pedaço de satélite velho. “E aí, quando for lançar um satélite novo, seja russo, seja brasileiro ou de algum país que tenha interesse, essa órbita é segura porque não tem lixo”, completa Castilho. O Brasil é o primeiro país a receber o projeto da Rússia. Se funcionar, segundo Castilho, outros equipamentos podem ser instalados em outros países para fazer uma análise mais precisa.

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Telescópio semelhante ao do que será concluído no Observatório do Pico dos Dias que já está instalado na Rússia.

Com 1.864 metros de altitude, o Observatório do Pico dos Dias já possui quatro telescópios para pesquisa astronômica, mas, como explica Castilho, todos os equipamentos brasileiros têm um campo de visão pequeno.

“A diferença entre os telescópios é o pedaço do céu que ele enxerga. Nosso telescópio de astronomia enxerga um pedacinho do céu com uma ampliação maior. Dá pra ver detalhes do objeto, da galáxia, se você quer ver a luz de uma estrela específica. Assim o campo de visão é pequeno.” Já o telescópio russo tem um campo de visão maior, capaz de mapear uma área mais extensa.

Este será o único equipamento deste tipo instalado no Brasil e, justamente por isso, a contrapartida do projeto é que os astrônomos brasileiros vão poder usar os dados para outras pesquisas que ainda não são possíveis por aqui. “Todos os dados que eles gerarem ficam disponíveis para os astrônomos brasileiros. Dá pra descobrir novos asteroides, ou um cometa que está vindo na nossa direção, estudo de estrelas variáveis, coisa que hoje não se faz aqui porque todos [os telescópios] são de campo pequeno.  Nós vamos emprestar o local e eles vão deixar a gente usar esses dados sem custo nenhum. A astronomia brasileira está ganhando e a área espacial também, porque vai ter essa segurança [da área espacial mapeada]. Pode ser que outros projetos no futuro aconteçam por causa desse”, finaliza Castilho.

Com informação da Agência Espacial Brasileira.

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Mestrando em Estudos Ambientais pela UCES, Buenos Aires. Graduado em Engenharia Civil e pós-graduado em Gestão Pública e Controladoria Governamental. Com interesse por ciência, tecnologia, filosofia, desenvolvimento sustentável e diversas outras áreas do conhecimento humano.

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