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Ser homossexual pode ser apenas parcialmente devido à genética

Um grande estudo de irmãos gays acrescenta evidência de que os genes influenciam as chances dos homens serem homossexuais, mas os resultados não são suficientemente fortes para provar isso. O estudo diz que, embora homens gays compartilham similaridade na constituição genética, os genes representariam cerca de trinta por cento de chance de um homem ser homossexual.

O estudo, publicado em 17 de novembro de 2014 na versão online da Psychological Medicine e que foi o maior até aquela entre os que têm procurado fatores genéticos na homossexualidade masculina, envolveu 409 pares de irmãos homossexuais. Segundo esse estudo, embora os irmãos gays compartilham similaridade na constituição genética, elas representam apenas entre 30 a 40 por cento de chance de um homem ser homossexual na vida adulta. E os cientistas afirmam que seria possível desenvolver um teste para descobrir se um bebê tem maior probabilidade de ser gay, contudo a precisão desse teste seria bastante limitada, já que a homossexualidade é apenas parcialmente genética, com a sexualidade baseada principalmente em fatores psico-sócio-ambientais, acreditam os cientistas.

O psicólogo clínico Michael Bailey, da Universidade de Northwesterm, estudou 409 pares de gêmeos para determinar se alguns homens são geneticamente predispostos a serem gays. O estudo descobriu que homens gays compartilham das mesmas assinaturas genéticas em uma parte do cromossomo X – identificada como Xq28.

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O pesquisador destaca que a pesquisa não pode ser interpretada com a prova de que a orientação sexual masculina seja simplesmente uma questão de escolha do indivíduo. “A orientação sexual não tem nada a ver com a escolha. Nossas descobertas sugerem que pode haver genes em jogo – encontramos evidências de dois conjuntos que afetam se um homem é gay ou héterossexual”, diz Bailey. O estudo mostra que há genes envolvidos na orientação sexual masculina. “Mas não é completamente determinante; certamente há outros fatores envolvidos”, ele explica.

O doutor Bailey esclarece ainda que, caso venham a ser desenvolvidos testes genéticos para a determinação da orientação sexual de bebês ou fetos masculinos, esses testes não terão um boa dose de acertos. “Embora essa descoberta poderia um dia levar a um teste pré-natal para a orientação sexual masculina, ele seria muito impreciso, pois há outros fatores que podem influenciar o resultado”, diz Bailey.

Um outro pesquisador que trabalhou no estudo, o doutor Alan Sanders, professor adjunto de psiquiatria da Universidade de Northwesterm e que liderou a pesquisa, disse que é uma “superssimplificação” propor que há um “gene gay”. “Nós não achamos que a genética é a história toda”, diz ele. “Não, ela não é. Nós temos genes que contribuem para a homossealidade, mas você também poderia alegar que eles estão ligados à heterossexualidade. Essa é a diferença”.

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Limitações

Essa pesquisa de Sandres e Bailey se baseou em um outro trabalho, de 1993, quando o doutor Dean Hamer, do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, também encontrou uma região no cromossomo X que ele acreditava estar ligada à orientação sexual masculina. Embora os pesquisadores tenham decidido descobrir se havia algo novo para esse estudo original, eles realmente não esperavam confirmá-lo, de acordo com um deles, citado por Kelly Servick na Science. O novo estudo também confirmou pistas de um artigo de 2005 de uma região relacionada à homossexualidade masculina no cromossomo 8.

E a própria Science publica as críticas a este estudo. “Mas nem todos acham os resultados convincentes. E o tipo de análise de DNA usado, conhecido como um estudo de ligação genética, tem sido largamente substituído por outras técnicas. Devido às limitações dessa abordagem, o novo trabalho também não fornece o que os geneticistas comportamentais realmente desejam: genes específicos que podem estar subjacentes à homossexualidade”, escreveu Servick para o respeitado periódico científico.

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Homossexualidade e evolução

Uma razão pela qual o estudo anterior do cromossomo X e este é particularmente notável é que eles fornecem uma explicação para um quebra-cabeça evolucionário sobre o sexo homossexual: se é parcialmente genético, por que persiste, uma vez que os homossexuais têm poucas crianças para passar essas tendências genéticas adiante? Lembre-se que as várias formas de reprodução assistida que tornam as crianças mais possíveis para os gays do que costumavam ser são um desenvolvimento recente. Mesmo com atuais técnicas de reprodução assistidas, a taxa de reprodução entre casais gays masculinos ainda é menor do que a taxa para os homens heterossexuais.

Mas se há um o fator genético para que homens sejam sexualmente atraídos por outros homens, essa questão evolucionária desapareceria, por razões evolutivas. Uma explicação é que, estando essa orientação sexual conectada ao cromossomo X, as mulheres que herdam esse cromossomo X podem ser sexualmente atraídas por homens também, e podem ter filhos como resultado. O que não explicaria a existência de homossexuais do sexo feminino (que não foi objeto da pesquisa de Bailey e seus colegas), já que sendo a atração por homens carregada pelo cromossomo X, mulheres que herdassem essa fator genético seriam heterossexuais. Contudo, não há um consenso no meio científico sobre a persistência da característica homossexual de um ponto de vista evolutivo.

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Um outro estudo de 2010, publicado na Psychological Science sugere que homossexuais seriam os “ajudantes do ninho”. Ou seja, muitos não se reproduzem para perpetuar a sua orientação sexual como fator genético (o que faria a característica ser excluída do pool gênico da população ao longo de milhares de anos, evolutivamente falando), mas ao atuarem como ajudantes de seus parentes, como sobrinhos e irmãos, em sua sobrevivência, eles estariam perpetuando os genes da sua família da mesma forma.

Epigenética

Para pesquisar a influência de fatores que possam mediar uma conexão entre o ambiente e os genes, pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (ULCA), escrevendo para a The Quarterly Review of Biology, olharam para os marcadores epigenéticos – alterações químicas no DNA que afetam como os genes serão expressos, mas não a informação que eles contém. Os “epi-marks” são como interruptores temporários que controlam como nossos genes se manifestam durante a gestação e após o nascimento, grosso modo. A epigenética é área responsável por pesquisar os grupos de reações químicas que ligam ou desligam partes do genoma em momentos e posições estratégicos.

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Daryl Bem, um psicólogo social da Universidade Cornell, sugere que a influência de fatores biológicos na orientação sexual possam ser mediadas pelas experiências na infância. O temperamento de uma criança predispõe a criança a preferir certas atividades. Curiosamente nenhum gente similar tem sido apontado como fator de influência na homossexualidade feminina. “Ninguém encontrou algo parecido com isso em mulheres”, diz Bem.

O doutor Bailey acrescenta que fatores ambientais provavelmente terão a maior influência sobre a homossexualidade. “Não confunda ‘ambiental’ com ‘aquisição social’”, esclarece o co-autor do estudo. “Ambiental significa que qualquer coisa que não está em nosso DNA ao nascermos e isso inclui muitas coisas que não são sociais”.

Richard Lane, da organização britânica Stonewall de defesa dos direitos de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros, diz que os estudos sobre a origem da homossexualidade ainda precisam de evidências mais rigorosas, mas parecem apontar para uma base biológica. “A consistência entre todas essas pesquisas é que elas apontam que a orientação sexual de uma pessoa é parte fundamental dela, ao invés de ser uma escolha de uma estilo de vida, o que alguns opositores da igualdade repetidamente sugerem. Se alguém é gay, então eles merecem respeito e igualdade, independentemente.” conclui Lane.

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Referências:

  1. Site Psychological Medicine. SANDERS, R. et al.  “Genome-wide scan demonstrates significant linkage for male sexual orientation” (2015) < http://dx.doi.org/10.1017/S0033291714002451 >;
  2. Site da Science. “Study of gay brothers may confirm X chromosome link to homosexuality < http://www.sciencemag.org/news/2014/11/study-gay-brothers-may-confirm-x-chromosome-link-homosexuality >;
  3. Vasey et al., ‘An Adaptive Cognitive Dissociation Between Willingness to Help Kin and Nonkin in Samoan Fa’afafine’, Psychological Science, 2010; doi: 10.1177/0956797609359623
  4. MUSTANSKI, B. et al. (2005) “A genomewide scan of male sexual orientation.” < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15645181>;
  5. HAMER, D. et al. (1993) “A linkage between DNA markers on the X chromosome and male sexual orientation.” <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8332896>.
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Mestrando em Estudos Ambientais pela UCES, Buenos Aires. Graduado em Engenharia Civil e pós-graduado em Gestão Pública e Controladoria Governamental. Com interesse por ciência, tecnologia, filosofia, desenvolvimento sustentável e diversas outras áreas do conhecimento humano.

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