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Planeta & Ambiente

O que o escolhido de Trump para o conselho científico pensa sobre a ciência do clima? Uma palestra de 2014 oferece pistas

Kelvin Droegemeier, Oklahoma Secretary of Science and Technology, is pictured in Oklahoma City, Tuesday, Sept. 12, 2017. (AP Photo/Sue Ogrocki)

Jeffrey Mervis* para a Science.

[dropcap]O[/dropcap] professor de meteorologia escolhido para aconselhar o presidente Donald Trump em assuntos relacionados à ciência instou cientistas climáticos a serem mais humildes quando falam sobre as conclusões de suas pesquisas — e disse que a Terra poderia ser mais resistente a agressões ambientais causadas pelo homem do que muitos acreditam.

Os comentários de Kelvin Droegemeier, o escolhido de Trump para liderar o gabinete de ciência da Casa Branca, foram feitos durante uma palestra que ele deu há quatro anos a pesquisadores de um centro de ciência climática em Oklahoma.

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Droegemeier, vice-presidente de pesquisa da Universidade de Oklahoma , em Oregon, e especialista em previsão de tempestades severas, compareceu perante o Senado dos Estados Unidos na quinta-feira (23) para esclarecer suas qualificações para liderar o Escritório de Política Científica e Tecnológica (Office of Science and Technology Policy — OSTP) da Casa Branca. Dadas as políticas da administração Trump, Droegemeier quase certamente será questionado sobre as mudanças climáticas e outras questões ambientais. Ele tem se mantido em silêncio sobre essas questões e sobre todos os outros tópicos de pesquisa científica desde que sua nomeação foi anunciada em 31 de julho, como é costume dos indicados presidenciais. Mas um vídeo de uma palestra de junho de 2014 ministrada por Droegemeier aos colegas da Universidade de Oklahoma fornece algumas dicas interessantes sobre seus pensamentos a cerca da ciência do clima e de outros tópicos altamente políticos.

Lutando com incerteza

Um grupo de cientistas havia perguntado a Droegemeier sobre sua postura em relação às mudanças climáticas, . Eis o que ele disse a eles.

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“Os modelos [climáticos] nos dizem o que eles nos dizem, mas não são perfeitos, ele contou. “Se formos intelectualmente honestos um com o outro, deveríamos dizer: ‘Sim, as observações mostram que o planeta está aquecendo. A evidência sugere que é induzida pelo homem, ou seja, há um forte sinal humano. Mas não sabemos tudo sobre o ciclo do nitrogênio, sobre todo o ciclo do carbono e sobre o sequestro de carbono … ”.

“Infelizmente, muitos cientistas chegaram ao ponto em que eles dizem: ‘Eu seria um idiota me virar [para os formuladores de políticas] e dizer isso’ o que acabei de dizer para vocês. Mas acho que se você disser que é o óbvio, então você não é um cientista. Porque a ciência nunca é tão certa assim. E sou muito cético em relação a pessoas que adotam essa posição quase profundamente ideológica e dizem que sabemos absolutamente a resposta. Não, nós não sabemos.

Para reforçar seu argumento, Droegemeier citou as lições do vazamento de petróleo de 2010 da Deepwater Horizon no Golfo do México.

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“Foi um desastre enorme e catastrófico, foi além de todas as proporções”, ele começou. “ E [então] onde está o óleo? Foi comido por micróbios. E sabe o que mais? Nós não sabíamos que esses micróbios existiam e que eles tinham a capacidade de fazer isso. O óleo acabou. E não há catástrofe. Sim, tem petróleo na praia e outras coisas. Mas o planeta é incrivelmente resiliente”.

“Então, o que como eu me sinto sobre isso?” Ele disse para os cientistas do clima. “Meu sentimento é que o planeta, você pode chutá-lo na bunda muito, muito, muito forte e ele vai voltar”.

“Existe um ponto de inflexão para a mudança climática? Eu não sei. A única coisa que podemos dizer com certeza é que eles existem em nossos resultados dos modelos e é isso tudo o que sabemos. Essa é uma resposta intelectualmente honesta. Mas muitas pessoas não querem que esse debate aconteça”.

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Foto de capa: Kelvin Droegemeier, Secretário de Ciência e Tecnologia de Oklahoma, fotografado em Oklahoma City em terça-feira, 12 de setembro de 2017 (AP Photo / Sue Ogrocki).

*Jeffrey Mervis escreve para a revista Science, sendo que seus textos tentam explicar para os seus leitores como o governo funciona.

Referência:

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  1. MERVIS, J. What does Trump’s pick for science adviser think about climate science? A 2014 talk offers clues. Science (2018). doi:10.1126/science.aav1619. Disponível em <<http://www.sciencemag.org/news/2018/08/what-does-trump-s-pick-science-adviser-think-about-climate-science-2014-talk-offers>>
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Mestrando em Estudos Ambientais pela UCES, Buenos Aires. Graduado em Engenharia Civil e pós-graduado em Gestão Pública e Controladoria Governamental. Com interesse por ciência, tecnologia, filosofia, desenvolvimento sustentável e diversas outras áreas do conhecimento humano.

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